One man band portuguesa The Legendary Tigerman aposta no som do delta blues

The Legendary Tigerman

Inspirado principalmente pelas raízes do delta blues do Mississipi, mas passando também pelo rock, punk e até tango, o português Paulo Furtado criou o The Legendary Tigerman, uma one-man band em que toca bumbo, chimbal, kazzoo e guitarra/violão.

Com 6 álbuns na bagagem (“Naked Blues”, de 2002, “Fuck Christmas, I Got the Blues”, de 2003, “In Cold Blood”, de 2004, “Masquerade”, de 2006, “Femina”, de 2009 e “True”, de 2014), sendo que o disco “True” recebeu diversos elogios da crítica e contou com participações de gente como Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros, Rita Redshoes e muitas outras mulheres. Ao vivo, The Legendary Tigerman conta com um baterista (Paulo Segadães) e ocasionalmente um saxofonista (João Cabrita) e já se apresentou em diversos lugares de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, Japão e até aqui no Brasil.

Conversei com ele sobre a carreira, a preferência pelo blues, os prêmios que já ganhou e muito mais:

– Como começou a banda?

A banda começou um pouco por acidente, no verão de 1999… Estava tentando compor coisas novas porque minha banda na altura, Tédio-Boys, estava a acabar e no local onde ensaiava existia um bombo e um prato de choques, que comecei a usar passado algum tempo, porque era muito chato ensaiar sozinho.. e de repente algumas canções funcionaram no formato de one man band, e assim tudo começou.

– De onde surgiu o nome The Legendary Tigerman?

Havia um one man band dos anos 50 que gostava muito, Legendary Stardust Cowboy. Uma coisa bastante descontrolada e louca, e queria começar um projecto que fosse lendário logo à partida, como provocação. O Tigerman vem de uma canção de Rufus Thomas, que foi uma das primeiras musicas de blues que ouvi na adolescência.

– Quais são as principais influências do projeto?

Blues, Rock´n´Roll, Punk. Se bem que tudo acaba por me influenciar, oiço muita musica diferente. Mas estas serão as mais importantes.

– Porque o investimento no delta blues? O que este estilo traz para você?

Não é uma coisa pensada, não é uma questão de trazer algo. Há algo que me interessa muito na repetição, na acidez e no hipnotismo que existe nos Delta Blues, como existe anos mais tarde nos Suicide. O que me interessa é escrever e tocar musica que me faça sentir pleno e me excite.

The Legendary Tigerman

– Me fale um pouco mais sobre “True”, seu mais recente álbum.

True foi um disco composto inteiramente numa cave, bastante isolado do mundo, em sala de ensaios, como one-man-band, durante um período de 3 meses. Foi um dos discos em que trabalhei mais na vertente técnica de one-man-band. Não creio que nos próximos tempos volte a gravar um disco assim, o próximo será gravado em formato trio, com o Paulo Segadães na bateria e o João Cabrita no saxofone e teclados.

– Como foi ganhar o prêmio pela trilha de “Estrada de Palha/Hay Road”? Como essa trilha foi composta?

Foi muito bom, gostei muito de fazer essa trilha sonoroa e adoro trabalhar com a Rita Redshoes, temos linguagens muito diferentes que se complementam, já fizemos muita música para teatro e cinema juntos. A maior parte da música foi composta e gravada enquanto víamos o filme, é assim que costumamos compor. Procurámos muitos instrumentos antigos, pouco usados, como o violin-uke, o marxophone, para criar um som característico, para além do piano e guitarra. Creio que conseguimos. Em setembro sairá uma nova trilha feita pelos dois, de um filme chamado “Ornamento e Crime”, também de Rodrigo Areias.

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Creio que nunca esteve tão bem. Há muitas bandas muito boas de muitos géneros, acho que vivemos uma idade de ouro desde os anos 2000. A melhor de sempre na música portuguesa.

– Como foi a passagem pelo Brasil?

Tem sido incrível, adoro tocar no Brasil, e adoro como as pessoas se entregam nos concertos. De um modo muito genuíno. Quero muito voltar.

The Legendary Tigerman

– Quais os próximos passos de The Legendary Tigerman em 2016?

Neste momento estou a compor novo disco, e devo gravar em setembro no Rancho de La Luna, no Deserto de Joshua Tree, Califórnia. O disco deverá saír no início de 2017.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sean Riley and The Slowriders, Keep Razors Sharp, Rita Redshoes, Éme, Dead Combo, Buraka Som Sistema, B Fachada, Samuel Úria, Galgo.


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