“Ode ao Óbvio” porque é necessário

Arquétipo Rafa

Arquétipo Rafa levanta questões desafiadoras no seu primeiro trabalho solo, que será lançado em maio nas plataformas de streaming.

Até o que é obvio precisa ser dito, incomodado, provocado. É com essa ideia que Rafa, ou Arquétipo Rafa, se expressa no seu primeiro trabalho solo, intitulado “Ode ao Óbvio”, que será lançado durante todo o mês de maio nas principais plataformas de streaming. O disco conta com quatro faixas que passeia por questões como machismo, política de drogas, ocupação de espaços públicos e outros temas que merecem um dedo na ferida.

O trabalho reflete a mudança e o amadurecimento do artista, uma vez que o disco demorou uma gestação de três anos para nascer. “O conteúdo do disco pode ser facilmente adaptável para os dias em que estamos. Espero que um dia, esses assuntos estejam datados. Que sejamos tão evoluídos socialmente que nem precisaremos colocar em pauta estas questões do disco. Mas por enquanto, a gente ainda precisa conversar muito sobre tudo isso, até que o sentimento de empatia entre na cabeça de todos”, explicou Rafa. “Ode ao Óbvio” começou a ser produzido em 2015, ainda em Recife, foi amadurecido no Rio de Janeiro, com a produção de Diogo Guedes, e colocado ao mundo em São Paulo, onde foram finalizadas as gravações.

Em Recife, Rafa observava a cidade e sua sociedade e refletia sobre questões que pareciam ser óbvias, mas só pareceriam. A verdade, é que ainda se precisava muito discutir sobre direitos iguais, liberdade de expressão, uso do espaço urbano, machismo, entre outros assuntos, porque se notou que o que se falta é empatia. “Dentre todos esses assuntos abordados no disco, pouco se mudou. Eu acredito que a pauta em que mais evoluímos é sobre o machismo, mas que ainda está muito longe de se chegar a um modelo ideal de igualdade de gênero”, completou.

Em “Ode ao Óbvio”, Rafa também se lança como produtor musical e se aventura nesses motes com um suíngue bem estruturado, passando pelo samba e a psicodelia. O resultado é uma retórica concisa e coesa, recheada de synths, que vem cavando e se posicionando bem no universo independente.

A primeira faixa a ser colocado no mundo foi “Formigueiro”, que fala sobre a transição da cidade natal, Recife, para a grande metrópole, São Paulo, abordando a mesma percepção dos problemas de cidadania em maior escala.

Um destaque para a originalidade da capa desse trabalho, que é assinado pela fotógrafa Laís Domingues. Nessa arte, Laís foi feliz ao escolher um retrato de uma garota dentro de uma caixa, uma bolha, onde pouco se debate, a fórmula já vem pronta. Somada à fotografia, um bordado colorido, dado vida às novas ideias. O bordado foi feito à mão por ela própria.

O resultado desse trabalho todo está aí. Deleite-se e reflita!


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