O trio Tits, Tats and Whiskers leva o rock alternativo dos anos 90 de volta à cena underground do Japão

O trio Tits, Tats and Whiskers leva o rock alternativo dos anos 90 de volta à cena underground do Japão

17 de julho de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Uma banda formada por um italiano, um americano e uma filipina está fazendo barulho na cena underground do rock no Japão. Quase uma convenção da ONU rocker. O trio Tits, Tats and Whiskers lançou em maio seu segundo disco, “Laugh, Dance & Cry” e está em turnê tocando seu som cheio influências do rock alternativo dos anos 90.

Formada por Ponzi (o americano) na guitarra e vocais, Mattia (o italiano) na bateria e Astrid (a moça das Filipinas) no baixo e vocais, o Tits, Tats and Whiskers lançou seu primeiro disco, “All The Things”, em 2014, e desde então não parou mais. Segundo Mattia, a intenção do trio é se divertir e continuar tocando sua música com alma e inspiração orgânicos, sem influências externas que possam “dar dinheiro” mas tirar a alma da música do trio multicultural.

Conversei com os três sobre sua carreira, a cena de rock no Japão e o novo disco, “Laugh, Dance & Cry”:

– Como a banda começou?

Mattia: Nos encontramos por acaso em um bar de arte em Tóquio (que infelizmente não existe mais) em uma exposição de arte do Ponzi (Guitarra e Vocal da banda). Uma jam, algumas bebidas e longas conversas lá levaram a um encontro no parque no dia seguinte com nossos instrumentos para fazer música. Lá, a química entre nós era tão forte que acabou nos inspirando a tentar alguns covers em entrar em um estúdio real logo depois. E agora, depois de 4 anos, ainda estamos juntos e estamos felizes por termos lançado nosso segundo álbum no dia 16 de maio.

– E de onde tiraram o nome Tits, Tats and Whiskers?

Astrid: Antes disso, tínhamos pensado em vários nomes bobos envolvendo cabras e amor. Até que um dia, enquanto tomávamos algumas cervejas, um amigo sugeriu Tits, Tats & Whiskers. É perfeito e representou nossos traços mais proeminentes: um toque feminino, arte corporal e pêlos faciais. Todas as coisas que nós amamos encarnar e exibir. Vamos viver (e soar) sempre como este nome.

Tits, Tats & Whiskers

– Como vocês descreveriam o som da banda?

Ponzi: Acho que estamos um cruzamento entre a psicodelia dos anos 60 e 70 e início e o rock alternativo dos anos 90. No entanto, nunca iremos nos limitar a qualquer som, então podemos amanhã soar como uma banda de eletrônico se decidirmos que queremos ir por esse caminho. Porém, tenho a certeza que isso não vai acontecer…

– Quais são suas principais influências musicais?

Mattia: Difícil dizer… o que eu gosto vai do clássico ao rock, da world music ao ambient, do funky ao jazz e assim por diante… Mas se eu tiver que dizer a minha opinião sobre as influências do TT&W provavelmente seria o rock dos 90’s, talvez com algum elemento da década de 70 também.

Astrid: Quando criança, eu cresci com Abba e um pouco de música country. Então, eu aprendi também um pouco de música clássica. Finalmente descobri rock. Estou presa na geração rock alternativo dos anos 90. Minha maior inspiração continua a ser o Foo Fighters. Também eu escolhi ouvir um monte de artistas do sexo feminino: Alanis Morrissette, Sarah McLachlan, Bjork, The Gathering e assim por diante. Nesta banda, estamos definitivamente inclinado para o rock e o blues.

Ponzi: Qualquer música que tenha alma. Eu não acho que é uma ótima idéia para limitar-se a qualquer influência particular pra ouvir música. As pessoas que fazem isso limitam-se de experiências possivelmente impressionantes.

– Me contem um pouco sobre o novo disco, “Laugh, Dance & Cry”.

Ponzi: O novo álbum é tão orgânico quanto poderíamos produzir na quantidade de tempo que fizemos. Nós tínhamos tocado quase todas as músicas do disco ao vivo por um ano antes de gravá-las no estúdio, então elas já haviam sido tão definidas e alteradas com o tempo que já estávamos muito confiantes nelas.

– Como é o processo de criação de vocês?

Astrid: O parque, o estúdio, o oceano, a própria mente. Quando alguém surge com uma idéia, nós trazemos para o estúdio e todos nós contribuímos para compor a canção inteira desde as peças básicas até a estrutura e os “enfeites”. Nós ensaiamos cada música (e também os sets) durante várias horas a cada semana até que estejamos satisfeitos com eles.

Tits Tats & Whiskers

– Como é a cena do rock no Japão hoje em dia?

Mattia: Cena do rock? Hmmm… Bom, eu diria que a cena underground do rock em Tóquio é muito boa. Há algumas bandas muito boas rolando. Outra coisa boa sobre a cena underground de Tóquio é que todo mundo ajuda uns aos outros, é uma espécie de uma família. Muito, muito boa sensação.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente no Japão?

Astrid: Sobreviver com a sua música. É tão difícil convencer as pessoas a comprar uma música por $1, enquanto eles compram lattes de $5. Se alguém sabe como superar esse problema, eu sou toda ouvidos.

Astrid, do Tits Tats & Whiskers

– Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

Mattia: Bem, nós tovamos “The Letter” (a versão do Joe Cocker), mas, se eu tivesse que escolher um outro cover que eu gostaria de fazer, hmmm … Eu não posso decidir, isso muda direto. Realmente não posso responder.

Astrid: Eu iria escolher uma música que eu gosto, mas que também seja desconhecida para o mundo. Algo como “Arise” do Wolfgang, uma banda local de meu país.

Ponzi: Como o Mattia disse, a única música de que fazemos cover atualmente é “The Letter”. Fazemos a versão Joe Cocker mas a original é dos Box Tops.

– Recomendem bandas que chamaram a atenção de vocês ultimamente (especialmente se forem independentes)!

Tits, Tats and Whiskers: De longe, e com todo o respeito, a banda mais influente para nós é banda Kinlay. Eles foram, na verdade, os primeiros a confiar em nós e nos convidar para tocar ao vivo. Eles estão tocando fazem alguns anos em Tóquio e continuam a inspirar músicos por aqui. Nós, os estrangeiros, são minoria aqui, isso é um fato. Então, músicos estrangeiros tendem a se encontrar nos mesmos locais, quer queiramos ou não. Isto é nos une e nos encoraja a apoiar uns aos outros até todos cresçam e se tornem mais felizes. Nós encontramos muitas bandas, estrangeiras e locais. Mas não importa de onde viemos: nós apontamos para o mesmo objetivo, de tocar as pessoas com a música. Esta generosa intenção não é tão comum, é por isso que aprecio e respeito todas as bandas com que tocamos. No entanto, existem muitos para mencionar e nós podemos entrar em uma situação meio embaraçosa se esquecermos algum nome, então recomendamos verificar a lista de lineups dos eventos em que tocamos. Tiramos o chapéu para todos aqueles que tocam com o coração. Você sabe quem você é.

Ouça “Laugh, Dance & Cry” no Soundcloud da banda: