O som do Motobunny mostra que Iggy Pop e Icona Pop podem andar de mãos dadas

O som do Motobunny mostra que Iggy Pop e Icona Pop podem andar de mãos dadas

14 de agosto de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Juntar o rock’n’roll com o pop e obter um bom resultado nem sempre é uma tarefa fácil. O Motobunny, de Los Angeles, conseguiu: o quarteto une a crueza violenta de Iggy Pop com os refrões pegajosos do Icona Pop sem medo de ser feliz. “tentamos juntar o poder energético e cru do rock’n’roll dos Stooges com uma pitada de glitter do pop”, diz Christa Collins, vocalista da banda.

Além de Christa (aka Roxy Moto), a banda também conta com Nicole Laurenne (aka Violet Moto) também nos vocais, Michael Johnny Walker (guitarras) e Rik Collins (baixo). Em maio de 2014, eles lançaram seu primeiro disco, auto-intitulado, gravado e produzido em Detroit por Jim Diamond, pela Rusty Knuckles Music.

Conversei com a banda sobre sua carreira, música pop, serviços de streaming e o machismo no mundo do rock:

– Como a banda começou?

Christa – A minha outra banda The Woolly Bandits estava tocando no Ink and Iron Festival com Iggy Pop. Foi em um grande palco a céu aberto e queríamos ampliar o nosso som. Rik e eu perguntamos a Nicole se ela toparia tocar teclados com a gente no show e o Michael veio também para tocar guitarra solo em algumas músicas. Nos divertimos tanto que quisemos continuar tocando juntos, e assim a Motobunny nasceu…

– E como surgiu o nome Motobunny?

Christa – Nós basicamente jogamos mad libs e foi esse nome que ficou.

– Quais são suas principais influências musicais?

Christa – Iggy Pop and the Stooges, David Bowie, B-52’s, Wanda Jackson, Patsy Cline, Bjork, Bob Fossie, para citar apenas algumas…

MichaelLed Zeppelin, The Spice Girls.

– Vocês são de Los Angeles, terra natal de muitas bandas ótimas. Como a cidade influencia seu som?

Christa – Rik e eu somos de Los Angeles, Nicole e Michael são de Phoenix, Arizona. Eu não tenho certeza se LA é uma influência tão grande, embora às vezes pode ser uma boa fonte de angústia e de luta. A maioria das minhas composições vem de pessoas e suas histórias e experiências. Mas eu concordo com você: há um monte de grandes bandas aqui!

– Vocês podem falar um pouco mais sobre o disco “Motobunny”? Foi gravado em Detroit, certo?

Christa – Sim, nós gravamos o álbum em Detroit com Jim Diamond … Por falar em cidade que pode influenciar a música… Isso foi uma grande experiência!

Motobunny

– A página de vocês diz que o Motobunny faz um “Iggy-Pop-meets-Icona-Pop”. Como vocês definiriam o som da banda?

Christa – Como você define qualquer coisa, na verdade? A indústria te obriga a se enquadrar em gêneros específicos. Eu acho que nós tentamos juntar o poder energético e cru do rock’n’roll dos Stooges com uma pitada de glitter do pop.

– Christa e Nicole, vocês ouvem muitos comentários sexistas por serem as líderes do grupo?

Christa – Pode ser difícil para algumas pessoas aceitar que as mulheres podem realmente ser “rock”. A eles eu digo: vá ver Juliette Lewis no palco ou Joan Jett e mude de opinião! Em geral, como uma garota, há sim uma certa quantidade de sexismo, assédio sexual ou comportamento predatório você vai suportar em sua vida. Para alguns, será agressão sexual ou violência. Essa é a triste realidade em que vivemos como mulheres. Você pode pregar o empoderamento feminino, mas é realmente a espécie masculina que precisa mudar esse paradigma! A cada 107 segundos uma agressão sexual ocorre. 98% dos estupradores nunca vai passar um dia na cadeia ou prisão, 80% das vítimas são menores de 30 anos, e 47% dos agressores são amigos ou conhecidos. A educação é fundamental e há muitas fontes lá fora para ajudar a educar tanto homens como mulheres. O RAINN.org por exemplo, que é endossado pela Tori Amos: https://www.rainn.org/statistics

– Vocês estão em turnê, certo? Qual foi o melhor lugar onde já tocaram?

Rik – No momento, estamos nos preparando para uma turnê na Espanha. O Japão está na nossa lista de visitar para o próximo ano.

Christa – Essa é uma pergunta difícil de responder como tem havido tantos bons. Um castelo na Alemanha, uma caverna na França, uma comunidade em Copenhague, onde abriram um buraco no chão de tanto dançar. A sala de estar de um amigo ontem à noite. Toda vez que tenho a chance de me apresentar, sou grata!

– O rock and roll continua vivo ou, como Gene Simmons disse mais de uma vez, tá morto?

Christa – Acho que se formos pensar no sentido “mainstream”, meio que sim, mas ele ainda está vivo e chutando nas ruas. Está respirando em pequenas cidades e casas de show, bem como nas novas gerações de bandas como Skating Polly e Purple. Rock’n’Roll, como o Punk, é na verdade um estado de espírito. Portanto, está onde você quiser ou acreditar que ele esteja…

– Qual a sua opinião sobre música em streaming?

Christa – Eu acho que é uma faca de dois gumes. Por um lado ele faz tudo ficar mais fácil e acessível, o que é ótimo. Por outro lado, ele matou o conceito de álbum. Eu, pessoalmente, sempre desfrutar o ritual de tirar um LP ou mesmo uma fita de sua embalagem. Um pouco mais de tempo que leva para colocar pra tocar é como uma meditação para realmente receber e abrir-se para o que você está prestes a ouvir. Segurando a obra de arte em suas mãos. Muitos artistas dedicaram tempo, sangue, suor e lágrimas para compor uma história… A ordem de cada faixa, o visual etc. Você realmente está apenas enganando a si mesmo a partir da experiência de apenas ouvir uma música ou partes de músicas como parece ser o caso cada vez mais nos dias de hoje.

– O Youtube é uma ferramenta que ajuda as bandas a ficarem mais conhecidas mundialmente?

Christa – Bem, mal não faz! Algumas pessoas realmente descobriram a fórmula de como fazer isso, e deu o poder a um monte de gente que encontrou o sucesso com a ajuda de uma grande gravadora. Há muito conteúdo na internet, o mundo é sua ostra, mas também pode ser sua armadilha. No fim, nada realmente substitui ir lá fora, no mundo real, na frente das pessoas. Você tem que saber dosar.

Motobunny

– Quais são os próximos passos do Motobunny?

Christa – Estamos vivendo um dia após o outro. Esperamos que muitas turnês?

– Recomende algumas bandas que chamaram sua atenção recentemente.

ChristaSkating Polly é uma dupla dinâmica de duas garotas de 15 anos cuspindo fogo. O Purple é um trio como líder uma garota dinamite que é baterista/vocalista. Dead Sarah é uma banda para quem nós acabamos de abrir em Los Angeles, eles são ótimos!

– Podemos esperar uma visita de vocês ao Brasil em breve?

Christa – Nós certamente esperamos que sim! Eu nunca fui ao Brasil e sempre quis ir…