O rock sem rock que assola o mundo

7 de janeiro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Vamos ser sinceros: o rock não morreu. Aliás, nunca morrerá, enquanto tivermos nossos discos dos Stooges e continuarmos a ouvir o David Bowie e os Ramones. Enquanto existir na face da Terra um disco dos Rolling Stones, o rock permanece vivo e chutando.

Porém, ele não está mais aparecendo muito na mídia. Afinal, o “indie” que faz a cabeça do atual público “roqueiro”, em sua maioria, poderia muito bem ser um popzinho disfarçado. O que anda por aí é um ~rock~ muito do domesticado e bunda mole. Isso não necessariamente significa que as músicas em questão são ruins ou abomináveis, mas não tenho coragem de classificá-las como “rock”, sendo que até um som do Dr. Silvana soa mais selvagem.

Vamos a um exemplo e eu explicarei minha opinião:

Este é o Foster The People com o sucesso “Pumped Up Kicks”, que tocou até cansar nas “rádios rock” e nas baladas ditas “rockers” da Rua Augusta. Eu me pergunto: cadê o rock dessa música? Vocalzinho cheio de efeitos, batidinha “pra dançar”… mas cadê as guitarras? Cadê a virada de bateria? Cadê a rebeldia? Não existe. É o rock Sucrilhos, pra ouvir com seus pais no café da manhã.

Outro exemplo? Tá, vou jogar, só pra não dizerem que é essa música específica:

Nem preciso mudar meu texto, então só vou mudar os nomes e ctrl+c ctrl+v na cabeça:

Este é o Foster The People Fun com o sucesso “Pumped Up Kicks” “We Are Young”, que tocou até cansar nas “rádios rock” e nas baladas ditas “rockers” da Rua Augusta. Cadê o rock dessa música? Vocalzinho cheio de efeitos, batidinha “pra dançar”… mas cadê as guitarras? Cadê a virada de bateria? Cadê a rebeldia? Não existe. É o rock Sucrilhos, pra ouvir com seus pais no café da manhã.

Um dia desses eu estava discotecando em uma festa pop e veio uma menina me pedir uma música. Pediu a (já saturada) “Do I Wanna Know”, do Arctic Monkeys. Expliquei que havia uma pista dedicada ao rock na festa, e que esta poderia ser tocada lá. Ela me retrucou com “Mas essa não é rock, é indie“. Será que ela estava tão errada assim?