O rapper Yannick Hara assume sua nova persona cyberpunk em “A Ideal Mão de Obra Escrava”

O rapper Yannick Hara assume sua nova persona cyberpunk em “A Ideal Mão de Obra Escrava”

24 de junho de 2019 1 Por João Pedro Ramos

Em janeiro de 2019, Yannick Hara fechou o ciclo e enterrou a persona de seu EP “Também Conhecido como Afro Samurai”, lançando o clipe da faixa “Ressurreição” para finalizar o período de seu primeiro trabalho. Agora, o rapper assume sua persona cyberpunk e começa seus trabalhos para o disco “O Caçador de Androides”, baseado no livro de Philip K. Dick “Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas”, que originou o clássico filme “Blade Runner” (1982) do diretor Ridley Scott. O álbum contará com as participações de Clemente dos Inocentes e Plebe Rude, Rodrigo do Dead Fish, Keops e Raony, Rike do NDK, Moah da banda Lumiére, do poeta Rafael Carnevalli e da cantora Sara Não Tem Nome. A data de lançamento está marcada para o dia 19 de novembro, mas o rapper já deu duas amostras do novo trabalho nos singles e clipes de “Blade Runner” e “A Ideal Mão de Obra Escrava”, baseada na fala do personagem de Jared Leto na sequência “Blade Runner 2049”.

– Como surgiu essa nova persona que você assume para o próximo EP? Pode contar mais sobre isso?

Encontrei no Blade Runner e em toda a cultura da ficção científica cyberpunk, a forma que eu pudesse denunciar toda esta atmosfera de “alta tecnologia e baixa qualidade de vida”. Estamos aprisionados pela tecnologia em todas as esferas mentais. Em breve a prisão será física e em seguida a espiritual, a distopia é real.

– Ou seja: além de ser um álbum que celebra um marco da cultura pop, também se relaciona com a situação política atual.

Sim, não só com a situação política atual, mas com todo o cenário humano no mundo.

– Em quem você se inspira para mudar de “personagem” em cada trabalho? A primeira referência que viria à cabeça de qualquer um seria Bowie.

Para essas mudanças me inspiro muito em Freddie Mercury do Queen, em Ney Matogrosso, Criolo, Letrux e sim, em David Bowie.

– Me conta mais sobre o novo single e clipe que você acaba de lançar.

“A Ideal Mão de Obra Escrava” inicialmente é baseada na fala do personagem Niander Wallace, interpretada pelo ator Jared Leto. No filme há a seguinte fala: “Toda civilização foi construída através de uma mão de obra descartável”. Em cima desta narrativa, olhei para o atual cenário político brasileiro diante das reformas, a trabalhista e a previdenciária e percebi uma grande analogia. Claro, mediante a suas proporções, em Blade Runner 2049 o caos já esta instalado, Já no Brasil estamos rumo ao caos. Na música começo falando sobre os reptilianos, seres existentes do planeta Terra, que lutam por 4 coisas, o ouro, o oléo (petróleo), por drogas e armas. Integrantes desta classe estão presentes na política brasileira e através da mídia e do governo controlam e manipulam a sociedade. Em seguida abordo a questão do agronegócio, principal atividade que está acabando com o meio ambiente no Brasil e no mundo. E finalizo falando sobre a importância do veganismo, como em Blade Runner 2049, todos os recursos vegetais e animais acabaram e a população se alimenta de produtos sintéticos, e sim, estamos caminhando para esse contexto no futuro.

– E como foi feito o clipe?

O clipe foi feito através de recortes de vídeos do YouTube, de momentos cujo a narrativa da letra denuncia.
A direção e produção foi realizada pela Takeover Films.

– Todos sons do novo EP ganharão clipe?

Sim, serão 12 ao total.

– O que pode adiantar do próximo EP? Já tem data de lançamento?

Na verdade, desta vez será um disco que contem 12 faixas e conta com as participações de Rafael Carnevalli, Moah da banda Lumiére, Rike do NDK, Keops & Raony, Rodrigo Lima do Dead Fish, Clemente Nascimento dos Inocentes e Plebe Rude e do rapper paraense Cronixta. O disco será lançado dia 19 de novembro, porém de maio até outubro serão lançado os 6 primeiros singles e em novembro mais 6 música inéditas.

– Os dias de Afro Samurai ficaram para trás ou o personagem pode retornar?

Por ora sim, o Afro Samurai como projeto vai ficar para trás (risos).

– E podemos esperar novos personagens e personas no futuro?

Personagens não digo (risos). Porém tenho muita vontade em falar sobre uma persona muito importante na cultura brasileira, o cineasta Glauber Rocha.

– Bem interessante! Acho que vai ser bem legal. Como você define qual será a persona de cada trabalho?

Defino como personalidades que me identifico como artista. No Afro Samurai me vi como um sujeito afro-asiático, buscando espaço de fala no rap. No Blade Runner vejo um Yannick contundente, crítico com uma vontade enorme em protestar e lutar por relações mais humanas.

– Sempre de acordo com sua visão de mundo no momento. Porque afinal, a gente muda e tem focos diferentes em cada fase da vida, né.

Sim. Quando pensei no disco “O Caçador de Androides”, enquanto filme, o Blade Runner se passa no ano de 2019, e chegamos em 2019, portanto muito relevante para o momento atual.

– Quais seus próximos passos?

Em maio e junho lancei dois videoclipes, o “Blade Runner” e “A Ideal Mão de Obra Escrava”. De julho a outubro mais 4 singles, em novembro o disco (“O Caçador de Androides”) cheio com 12 faixas, 6 anteriormente lançadas e 6 inéditas.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Letrux, Jaloo, Rico Dalasam, Edgar, Curumim, Ava Rocha, MC Tha e Dead Fish. Tenho ouvido todos constantemente.