O quarteto Subcelebs, de Fortaleza, abusa da microfonias e cita Pavement como influência em seu primeiro EP

O quarteto Subcelebs, de Fortaleza, abusa da microfonias e cita Pavement como influência em seu primeiro EP

9 de março de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Diretamente de Fortaleza, o quarteto Subcelebs mostra que a cena rock nordestina continua viva e batendo forte, porém não recebe o devido reconhecimento. “Tem muita banda boa e esforçada, mas ainda poucas casas dispostas a comprar esses shows e pouco público pagando ingresso”, dizem. “A gente tem percebido um grande interesse vindo de outros estados, como Rio e SP, que têm ‘descoberto’ nosso EP e tocado as músicas em webrádios”.

Formada por Alinne Rodrix (voz, xilofone, synth, shaker), Igro Miná (voz, guitarra, synth), Nyelsen B (voz, bateria) e Kid Eric (voz, baixo), a Subcelebs aposta em letras em português e acaba de lançar seu primeiro EP, auto-intitulado e auto-produzido, gravado quase todo ao vivo no Mocker Studio. Os sons mostram todas as influências de shoegaze, rock alternativo e noise da banda.

Conversei com o quarteto sobre sua carreira, o primeiro EP, a cena rock nordestina e até maternidade (!)

– Como a banda surgiu?
A gente já tinha tocado juntos em outra banda, a Telerama. Com ela a gente conseguiu sair um pouquinho de Fortaleza, tocando em outras cidades do Nordeste, sendo indicado aos prêmios Dynamite e London Burning e participando do SXSW. Isso foi de 2005 a 2010. Já fazia um tempinho que a gente não tinha banda e resolveu começar esse novo projeto, querendo fazer tudo o que a gente fez com a Telerama de novo, mas sem pressão, mais pela vontade de tocar mesmo.

– O primeiro EP da banda acabou de sair. Podem me falar um pouco mais sobre ele?
O EP de estreia tem quatro músicas, todas muito simples, curtas e em português, como a gente gosta. O fio condutor da coisa toda são as microfonias, que unem as faixas, se estendendo desde a intro de “Manifesto” até o fim de “Azedou”, a última do disco. A nossa preocupação principal não foi lançar um EP tecnicamente perfeito, com cada notinha no seu lugar, e sim uma produção que fosse a cara da banda: honesta e relax. O foco foi nos timbres, na sonoridade, pra atingir a porcentagem de sujeira que a gente queria.

https://www.youtube.com/watch?v=sFF2A_Wcl0E

– Porque escolheram o nome Subcelebs?
O nome não poderia ser serião – não é a nossa vibe nem a da bandas que a gente curte e que influenciam a Subcelebs, tipo Pavement. Com a Telerama, a gente ficou conhecidinho dentro da cidade, mas só que nem tanto. E quem nem é anônimo nem celeb é subceleb.

– Apesar de muitos acreditarem que o Nordeste é uma região onde só existe axé e forró, o rock é muito forte e cheio de grandes bandas por aí. Porque acham que as pessoas não reconhecem isso?
Acho que as pessoas em si não têm culpa. Mesmo com a internet estando aí, com tudo fácil de encontrar, muita gente ainda só ouve o que chega até elas da forma tradicional. Felizmente, isso não vale para todo mundo. Com a Subcelebs, a gente tem percebido um grande interesse vindo de outros estados, como Rio e SP, que têm “descoberto” nosso EP e tocado as músicas em webrádios – fomos convidados, por exemplo, pra participar da primeira coletânea em CD da Rádio Graviola, do Rio, e entramos pra lista de melhores de 2015 do programa “Dose Indie”, da rádio Antena Zero, de São Paulo. Então tá tranquilo, tá favorável.

Subcelebs

– Como está a cena rock de Fortaleza hoje em dia?
Muita banda boa e esforçada, mas ainda poucas casas dispostas a comprar esses shows e pouco público pagando ingresso. O cover ainda lasca, predominando geral e fazendo o autoral parecer pouco lucrativo. E é mesmo, mas poderia ser diferente.

– A internet é uma grande ajuda para bandas independentes hoje em dia, correto? Como vocês usam ela para divulgar a banda?
Pois é, a gente poderia até estar usando mais. Mas o lance é que além da Sub a gente toca uma empresa especializada em bandas, trabalhando com elas da produção do disco no nosso homestudio até o lançamento digital nas plataformas de streaming e download, a Mocker Música e Comunicação. A gente tá tão ocupado trabalhando com as outras bandas que tem sobrado pouco tempo pra promover o nosso próprio projeto. Pra gravar e ensaiar com a Subcelebs, a gente usa os intervalos entre uma sessão de gravação e outra – aproveita que já tá tudo montado, microfonadinho, corre lá e registra o nosso.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Pra Sub, as influências mais presentes são de bandas imperfeitas, como o Pavement, já citado lá em cima, Pixies, Guided By Voices, Yo La Tengo, Vaselines. Dos mais certinhos, a gente curte o Cardigans das antigas, Wilco, Weakerthans

– Vocês fazem letras em português, algo que muitas bandas da cena independente hoje em dia evitam. O que vocês acham disso?
Acho que a banda tem que fazer o que ela julga que vai ser capaz de fazer melhor. Pra gente, funciona melhor escrever e cantar em português, mesmo sem a gente sentir o peso de que precisa escrever algo superpoético e profundo. É mais sincero e pronto. E uma coisa que a gente ouviu quando tocou nos Estados Unidos e no Canadá de gente que trabalha na indústria há muitos anos é que o idioma, no fim das contas, pouco importa – na real, um idioma diferente pode até ajudar a banda a se destacar na multidão. Taí o Boogarins pra provar.

Subcelebs

– Quais os próximos passos da banda este ano?
Ser pais (risos). É sério, eu e Alinne estamos esperando nossa primeira. A ideia é excursionar depois que a pequena nascer, no segundo semestre, com a avó fazendo parte da touring crew pra dar aquele suporte. Já estamos com a agenda aberta. Mas, até lá, a gente quer começar a gravar o segundo EP, que já está em pré-produção: já escolhemos as músicas e a cara que queremos que ele tenha. Agora é trabalhar.

– Recomendem bandas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Kurt Vile, Paper Lions, Nevilton, O Terno, Plutão Já Foi Planeta, Capotes Pretos Na Terra Marfim, ItGirl, maquinas… tem um monte.