O quarteto Red Tapes, de Jundiaí, lança seu primeiro EP apostando nas influências stoner

Red Tapes

O recém-lançado EP do Red Tapes, de Jundiaí, conta com 8 faixas que mostram todas suas influências de stoner, rock clássico e indie. Gravado no Estúdio Jardim Elétrico, em Jundiaí, o álbum foi produzido e mixado por Caio Molena. Formada por Enrique Villarroel (vocal e guitarra), Bruno Henrique (guitarra), Fabio Juliate (baixo) e Caio Molena (bateria), a banda acredita que hoje em dia, com os serviços de streaming, as bandas ganharam um meio mais fácil de divulgar seu som. “São canais fantásticos para divulgação hoje em dia. O custo para lançar um disco, e fazer com que ele chegasse até às pessoas há 10 anos, era muito alto, e diversas bandas acabavam ficando anos sem conseguir lançar nada. Você dependia de selo, de gravadora, empresário. Hoje não. Você pode utilizar plataformas de distribuição digital, que oferecem serviços baratos (muitas vezes gratuitos), e fazer com que qualquer um, em qualquer lugar, possa ouvir sua música”, diz Fabio.

Conversei com Fabio sobre a carreira da banda, o primeiro EP, o papel da internet na vida de uma banda independente e como a cena pode ser trabalhada.

– Como a banda começou?

Basicamente foi através de um grupo no Facebook. O baterista anterior fez um anúncio, e eu (Fabio, baixista) e o Bruno (guitarra) respondemos. Eu já tinha trabalhado com o Enrique (vocal e guitarra) em uma loja de games e, após assistirmos a final da NBA na minha casa, fiz o convite pra ele, que topou na hora. Na semana seguinte nos reunimos em um bar aqui da cidade, e decidimos os rumos que tomaríamos.

– E porque o nome Red Tapes?

“Red Tape” é um termo em inglês para o excesso de burocracia, de normas e regras inúteis. A nossa ideia é fazer um som sem se prender muito a rótulos, mas tocar algo que achamos que soe bem, ou seja, sem “burocracia”. Então Red Tapes é um forma irônica de tentar definir o que somos.

– Já que falaram que fazem um som sem se prender a rótulos, vamos tentar: como vocês definiriam o som da banda (ou tentariam explicar pra quem não conhece)?

Essa é difícil (risos). Mas podemos definir como rock, de forma simples, às vezes um pouco mais sujo e pesado, às vezes mais tranquilo.

– E quais são suas principais influências musicais?

As principais de toda banda são Queens Of The Stone Age, Arctic Monkeys e Black Sabbath. Mas o Caio é muito fã de Beatles, e o Bruno ouve bastante coisa de metal (alguns solos mostram essa influência dele).

Red Tapes

– Me fale um pouco mais sobre o EP da banda.

O EP demorou um pouco mais do que gostaríamos para sair. Começamos a gravar no início do ano, mas estava difícil finalizar devido a diversos imprevistos que foram ocorrendo, e o lançamento, previsto para julho, acabou acontecendo somente agora em setembro. Apesar de as gravações terem terminado em agosto, ainda faltava definir a capa. O pessoal da agência Agudo deu uma força e agilizou o processo, deixando nas mãos dos artistas Leandro Massai e Vinícius Gut, que fizeram um ótimo trabalho, e chegaram exatamente no que tínhamos imaginado. Como prévia do EP, lançamos um teaser no dia 8 de setembro, e a recepção foi muito boa. As músicas estão em ordem contrária de criação. “The Cave” foi a nossa última composição, e “I’m Gonna Drive” foi a primeira. Um coisa curiosa é que a “Into You” não ia entrar no EP, mas de última hora o Enrique resolveu grava-la acústica e utilizando uma escaleta. Hoje é a segunda música mais ouvida do EP, de acordo com o Spotify.

– Já que falamos em Spotify, qual a opinião de vocês sobre serviços de streaming? Isso ajuda as bandas independentes? Como é o retorno?

Acredito que os serviços de streaming são canais fantásticos para divulgação hoje em dia. O custo para lançar um disco, e fazer com que ele chegasse até às pessoas há 10 anos, era muito alto, e diversas bandas acabavam ficando anos sem conseguir lançar nada. Você dependia de selo, de gravadora, empresário. Hoje não. Você pode utilizar plataformas de distribuição digital, que oferecem serviços baratos (muitas vezes gratuitos), e fazer com que qualquer um, em qualquer lugar, possa ouvir sua música. Ou seja, o mercado está mais democrático hoje, e tem muita coisa boa surgindo devido à essa facilidade. Sobre o retorno, em termos financeiros é baixo. A não ser que você tenha a mesma quantidade de ouvintes que a Taylor Swift, não vai gerar receita significante com streaming. Porém, os benefícios são muito maiores. Nós não estaríamos conversando agora se não existissem os serviços de streaming.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia?

Tem muita gente dizendo que o rock morreu, porque não está mais nas rádios (com exceção das rádios específicas). Mas como um amigo meu me disse uma vez, o rock nunca foi mainstream, sempre foi alternativo. A mídia o transformou em mainstream. Sem contar que não é fácil fazer rock no Brasil, criar seu som, meter a cara e tocar por aí. Mesmo assim, a quantidade de ótimas bandas na ativa é enorme. Só aqui em Jundiaí temos várias (Infante, Ciclo Radius, Senso, entre outras). Mas falta lugar pra tocar. Não dá pra depender (e nunca deu) de donos de casas de shows. Se quiser tocar muito, tem que ter repertório de 2h de cover. São poucos os lugares que apoiam bandas independentes, menos ainda os que vão te pagar para tocar. O jeito é se juntar, criar coletivos e organizar seus próprios shows. Só que nem todas as bandas estão dispostas a isso.

– Então, pensando bem, o rock não pertence ao “topo das paradas”?

Já pertenceu, já teve muito dinheiro e gente importante da indústria envolvida. Uma rádio de Jundiaí, que antes tocava Iron Maiden no top 10, hoje vive de Anitta, Projota. Claro que temos bandas tocando para muita gente, alguns discos entrando nos mais vendidos, mas não é como antes. E não dá para contar que volte a ser como era.

– Como é o processo criativo da banda?

Costumamos compor nos ensaios, alguém leva um riff, uma base legal, e trabalhamos em cima disso. Gostamos de criar juntos, assim cada um coloca sua influência e opina sobre tudo. Já as letras do EP foram criações do Enrique, ele tem muita facilidade pra escrever (inclusive, deve ter uns 10 cadernos cheios de letras embaixo da cama).

Red Tapes

– Quais os próximos passos da Red Tapes?

Agora estamos focados em divulgar o EP e fazer shows. Temos algumas datas próximas marcadas, e fechando algumas outras. Em paralelo, estamos na fase de planejamento do 1º clipe.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Já falei sobre eles lá em cima, mas vou citar de novo aqui: Infante (gosto muito das letras e das guitarras sujas), Ciclo Radius (os caras tem muito groove, e ao vivo é demais) e Senso (muita influência de ritmos brasileiros e ótimas letras).


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