O groove do Black Mantra tomou conta da Choperia do Sesc Pompeia

Não era uma terça-feira (12) qualquer. O motivo? O octeto de funk, jazz e afrobeat chamado Black Mantra se apresentaria logo mais na Choperia do Sesc Pompeia. Show marcado para começar às 21h. A fila para pegar o ingresso, uma hora antes do show, estava imensa. Ainda na fila, não havia como não reparar no público diversificado que ali encontrava-se.

Casa lotada, vinil da banda comprado e chopp na mão. Tudo certo. Agora era só esperar.

A banda subiu no palco uns quinze minutos atrasada. O público aplaudiu a entrada do grupo. Depois de uma introdução em formato de vinheta, o BM começou com “Le Mantra Noir“, um som mais neutro. Sabe como é, cedo demais para agitações. Eles queriam esquentar o clima aos poucos. Quando passaram para a segunda música: “Kaiú-Ubi“, a sintonia da banda invadiu a noite com efeitos de wah-wah e delay das guitarras de Ricardo Mastria (também integrante da banda de hardcore Dead Fish). Inevitavelmente, cabeças explodiram com o som dos metais e o ritmo dançante da bateria. James Brown habitava o palco em espirito. Ou não, talvez estivesse em sua tumba mesmo recitando mantras de funk e enviando energias para o BM.

Não havia como negar, a presença de palco dos integrantes era louvável, e deixou a plateia desconcertada. As pessoas embarcaram numa viagem espiritual, e em peso, começaram a bater palmas no ritmo da música em determinados trechos. Foi assim até o final da apresentação.

Black Mantra no Sesc Pompéia 12/09. Crédito da foto: Marcos Bacon.

Eles conseguiam variar, em uma mesma música, de um hit romântico para um dançante, como quem troca de roupa no provador de uma loja de departamento. “Fossa Jazz” exemplifica acertadamente essa variação. A música lembra as Big Bands de swing.

Um solo de bateria no meio do show arrancou gritos empolgados da multidão, os olhos do público não desgrudavam do palco. Não à toa, o groove com influências de funk setentista do baterista Leonardo Marques sacudiu a massa que, a essa hora, estava encharcada de suor. Pouco depois, o tecladista Kiko Bonato teve uma complicação com seu instrumento, que estranhamente, parou de funcionar. A equipe técnica se prontificou a ajudar e rapidamente o problema foi solucionado.

O palco contava com uma iluminação de led belíssima. Para solar, os integrantes do time de metais se dirigiam até o centro do palco, levando os presentes à loucura.

Próximo ao final do show, Ric Mastria solou inacreditavelmente – aliás, a versatilidade deste músico é assustadora e merece ser comentada. Não é fácil sair do hardcore e transitar pelo funk livremente com tamanha facilidade.

Caio Leite, o baixista da banda, anunciou que o show estava chegando ao fim e apresentou todos os integrantes do octeto. O gosto de quero mais era irrevogável. E olha que o espetáculo durou mais de 1h30. Após encerrarem majestosamente com “Tocaia”, voltaram com o bis “Umbabarauma”, uma música intensa e cheia de energia – antenderam os pedidos do público.

A banda saiu do palco ovacionada pela plateia, que entoava em coro “BLACK MANTRA”. É bonito de ver uma banda com apenas 3 anos de formação se portar como uma de 20 anos. Experiência não faltou na forma como conduziram o show.

Já assistiram o seriado “The Get Down? Foi mais ou menos assim…

Black Mantra é formado por Caio Leite (baixo), Leonardo Marques (bateria), Ricardo Mastria (guitarra), Kiko Bonato (teclado), Igor Thomaz (saxofone barítono), Pedro Vithor (saxofone tenor), William Tocalino (trombone) e Felippe Pipeta (trompete). Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o trabalho do grupo, confira Black Mantra (2017) no link, disco homônimo lançado em junho.

Choperia do Sesc Pompeia lotada. Crédito da foto: Marcos Bacon.

Set list:

Vinheta Intro

1 – Le Mantra Noir

2 – Kaiú-Ubi

3 – Puga Race

4 – Fossa Jazz

5 – Mamabeat

6 – O Ronco do Cacuí

7 – Jazzmatazz

8 – Tranca Rua

9 – Ybytu

10 – Bad White

11 – 5511

12 – Bombardino Invisível

13 – Baby Root

14 – Houdini

15 – Tocaia

BIS

16 – Umbabarauma


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *