O Grande Grupo Viajante mostra versatilidade dançante com mensagens fortes no disco “Todas As Cores”

O Grande Grupo Viajante
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Os nove membros d’O Grande Grupo Viajante estão em festa: em setembro lançaram o disco “Todas As Cores”, gravado no estúdio C4, no Bixiga, com produção de Zé Victor Torelli. O álbum anda recebendo muitos elogios por sua diversidade de estilos, criatividade e letras engajadas em diversos assuntos importantes como problemas sociais, habitação, machismo, homofobia e tantos outros.

Formada por Bruno Sanches (guitarra e voz), Stela Nesrine (sax e voz), Érico Alencastro (baixo), Leonardo Schons (teclado), Bruno Trindade (percussão e voz), Celso Rey (bateria), Larissa Oliveira (trompete) e Gustavo Godoy (percussão), a banda costuma se apresentar pelas ruas de SP, frente a frente com o público, algo que contribuiu bastante para que o som da banda continuasse evoluindo com o tempo. Em 2015, lançaram seu primeiro EP, “O Caminho É o Mar”, com 5 músicas, que vendeu cerca de 3.000 cópias durante as apresentações pelas ruas. “Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua”, explica Bruno Sanches.

– Primeiramente, me fala mais do disco que cês acabaram de lançar!

Então, esse é nosso primeiro disco, e é um disco construído ao longo de 2 anos tocando na rua. Então ele reflete muito as situações que vimos e vivemos na rua, principalmente a troca maravilhosa que tivemos com as pessoas.
É um disco mais coletivo do que os outros dois EPs que tínhamos lançado: tem composições minhas, da Stela Nesrine e do Bruno Trindade. Os arranjos foram feitos a maioria em grupo.

– E como essa interação com o público fez parte do disco?

Acho que nós nos tornamos uma banda muito mais de ao vivo e muito mais da rua do que da casa de show. A rua foi onde nos sentimos mais confortáveis, então pudemos ter muitas experiências lindas tocando na rua. As pessoas emocionadas com nosso trabalho… São várias historias, isso fez com que nossas composições refletissem muito do que vivemos na rua. E baseada nas pessoas que cruzaram nosso caminho também. A gente sentiu a necessidade de falar de alguns temas da cidade que tivemos contato tocando na rua, problemas sociais, de habitação, machismo, homofobia etc.

– Por falar nisso, me fala um pouco sobre as letras desse trabalho. Vocês resolveram fazer algo mais puxado pro lado político e social da música, né?

É, então… Cada música conta uma historinha e fala sobre um tema, a gente tentou colocar temas que fizessem as pessoas refletirem e saírem da zona de conforto. Achamos importante o artista ser porta voz da mudança que quer no mundo, por isso a escolha de colocar esses temas em algumas letras.

– Me fala algumas músicas que você considera como destaques do disco.

Essa é difícil, hein. Se eu fosse aconselhar alguém, eu diria pra ouvir o disco todo e na ordem, porque só assim ele faz o sentido que a gente pensou. O disco é como um livro. Mas acho que “Malagueta”, “Sistema de Canudos”, “Africa Mãe” e “Persona” são boas pra ouvir e entender a versatilidade da banda.

– Falando nisso, a banda tem 9 integrantes, então acho que versatilidade é algo natural, né. Como vocês fazem para compor com tanta gente participando? Como é o processo?

As letras são feitas por mim, Stela e Brunão. Às vezes um desses três chega com a música meio pronta, mas tem vezes que chega apenas com a ideia, então a gente senta e vai tentando colocar a ideia da pessoa em pratica, o arranjo é sempre respeitando a ideia do compositor. Também fizemos algumas coisas em duplas, eu e Brunão, Eu e a Stela, por exemplo… Tem uma música que foi feita com um cantor amigo nosso do Congo, Leonardo Matumona. Como era uma musica que falava do continente africano, convidamos ele pra compor e gravar conosco.

O Grande Grupo Viajante

– Como a banda começou? Já começou com essa formação enorme?

Então, na verdade da formação atual eu sou o único da original (risos). O projeto era uma ideia minha, teve uma primeira formação que lançou um EP em 2013, mas depois acabou se desfazendo. No final de 2014 eu consegui juntar uma parte dessa turma que está agora, eram Érico (baixo), Léo (teclado) e a Stela (sax e voz) e o Marco na bateria, que depois acabou saindo também. Com essa formação pequena, gravamos outro EP, lançado em 2015, chamado “O Caminho é o Mar”. Aí ao longo de 2015 e 2016 entraram o Brunão (percussâo e voz), o Celso (bateria), Larissa (trompete) e o Gustavo (percussão). O Mike (guitarra) entrou em 2015, ficou com a gente até gravar o disco, mas depois de gravar decidiu seguir outro caminho.

– E como vocês veem a cena independente hoje em dia? Como tá pra vocês?

Olha, a cena tá quentíssima. Linda demais. Temos tantos amigos que admiramos e vendo o crescimento de tantas bandas merecidamente, isso empolga e nos deixa muito felizes. Nós estamos caminhando naturalmente, o primeiro disco é um marco para o crescimento. A gente espera viajar mais e espalhar muito nossa musica

– Como vocês definiriam o som d’O Grande Grupo Viajante?

Cara, é um som brasileiro com pitadas latinas e africanas, mas principalmente é um som multicultural e plural, pensado em fazer o publico dançar, amar e refletir sobre o mundo.

– Aliás, no começo do ano saiu um clipe com a presença de um monte de gente da cena, né. Como foi isso? Quem aparece no clipe?

Sim, então fizemos o clipe de “Obra de Miró”, que está no disco. A gente convidou um monte gente pra embarcar no espírito da musica, que é dançar do jeito que se sentir bem. De migos e migas famosos tivemos o Samuca (Samuca e a Selva), Paula Cavalciuk, o Gomes (Francisco El Hombre), João Perreka, a Camilla e Leo da Molodoys, o Jonata (DJ Obá), e tivemos a participação de mais vários amigos e amigas queridos demais que soltaram o rebolado.

– E como é essa integração entre as bandas da cena independente? Rola bem ou você acha que podia rolar mais?

Rola legal, pelo menos com a galera que temos contato é sempre ótimo. Já fomos pro RJ e nos hospedamos com os amigos da Astrovenga, já recebemos várias bandas em casa também… Rola muito essa troca de hospedagem e show. Participações também e shows conjuntos sempre rolam. Acho que a cena independente, pelo menos a que a gente faz parte, principalmente das bandas de rua, tantos amigos que sempre nos indicam pra trampos e nos ajudam sempre que podem. A Picanha de Chernobill por exemplo é uma banda muito amiga nossa que já nos indicou pra trampos e já fizemos alguns shows juntos, é sempre um prazer, pois admiramos muito eles. Tivemos a oportunidade também de ter participação do Jairo Pereira (Alafia) e da Ekena em nossos shows e foi lindo demais, são 2 artistas que admiramos demais.

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos fazendo shows de lançamento. Os próximas são em Paranapiacaba, dia 13/10 e BH, 14/11. Mês que vem lançaremos um live de coisa fina.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nossa temos sorte de ter amigos talentosos e inspiradores ao nosso redor e são tantos que fica difícil citar todos, mas acho que vocês não podem deixar de conhecer: Picanha de Chernobill, Molodoys, Paula Cavalciuk, Samuca e a Selva, Ekena, Molodoys, Rocartê, Alafia, João Perreka e os Alambiques, Newen (Chile), Astrovenga, Uiu Lopes, Bruno Lima… Ah, tem muitos outros, teria que ficar falando até amanhã!


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