“O Fantasma do Paraíso” (1974), o caldo Knorr sabor pop-rock de Brian de Palma

“O Fantasma do Paraíso” (1974), o caldo Knorr sabor pop-rock de Brian de Palma

2 de junho de 2017 0 Por Guilherme Gagliardi

Sinestesia, por Guilherme Gagliardi

Phantom Of The Paradise

Phantom of The Paradise (ou Fantasma do Paraíso)
Lançamento: 1974
Diretor: Brian de Palma
Roteiro: Brian de Palma
Elenco Principal: Paul Williams, Willian Finley, Jessica Harper

This movie is the story of that search, of that sound. Of the man who made it, the girl who sang it and the monster who stole it.” (Trecho da abertura)

O filme de Brian de Palma, que por alguma razão (Deus sabe qual…), ganhou bem menos repercussão que os outros do diretor, é uma mistura digna de caldeirão de bruxa da história alemã sobre o jovem Fausto, que desiludido com a razão científica faz um pacto com o sete-pele em troca da realização de todos seus desejos; do romance do inglês Oscar Wilde, “O Retrato de Dorian Gray”, que conta a história dum fine young man cheio de medo da velhice e que de tanto medo, faz um pacto com o tinhoso: sua alma pela eterna juventude; e do famoso musical “O Fantasma da Ópera”, a história dum homem que escondido num teatro auxilia uma jovem em sua carreira no coral.

A releitura mistura tudo num caldo Knorr sabor pop-rock, receita especial do queridíssimo Paul Williams (que no filme, faz o papel do antagonista, um influente produtor musical, em busca de um som pra abrir sua nova casa de shows), indo de uma coisa que é meio glam, meio proto-punk, como “Life at Last”, até baladas românticas, como “Old Souls”, sempre encaixando nas letras referências ao já cá invocado Lucifernandis.

Sobre as referências, ainda, assim como em vários dos filmes do diretor mas agora de modo mais leve, esse conta com uma cena hitchcockiana. Quem for ver vai sacar.

Pronto: tendo dito quase tudo, talvez caiba ainda dar uma palhinha no que diz respeito à história. Winslow Leach é um músico underground (tipo mais underground até que os caras que dão entrevista pro blog) que em meio à nostalgia dos anos 70, que tentava recriar os anos 50, compõe num modelo clássico de ópera, dividindo sua cantata em várias músicas ligadas pelo fio duma releitura que o personagem faz do Fausto. Depois duma apresentação dum grupo pop produzido por Swan, o antagonista, um zelador limpa o palco e Swan do camarote ainda observa o lugar do show. É aí que o mega-hyper-super-underground Leach senta no piano e, balançando os cabelos em gestos desvairados e românticos, toca a primeira música de sua grande ópera.

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Death Records, a gravadora do Swan.

O produtor musical, em busca do som para inaugurar a sua nova casa de shows e decidido de que a nostalgia dos anos 50 era coisa do passado, comenta com seu fiel escudeiro Philbin que a música tem que ser a que o louco tocava no piano. Contudo, como um bom produtor babaca, Swan elabora um plano digno do demo pra tirar Winslow da jogada e botar sua música na voz de alguém que fosse mais rostinho bonito. A história continua (seria meio bosta se acabasse por aqui…) sempre com a música em foco, que vai em alguma medida explicando o filme.

Além de tudo, o longa é coberto com a linguagem pop do neon e do rock performático, com situações, cenários e figurinos meio psicodélicos e teatrais que dão pro filme um jeito de show (e em algum sentido, de fato é um show), transformando a chatice de assistir tudo sentado numa experiência de fato eletrizante.

Segue a trilha sonora em playlist do Youtube: