O ensurdecedor e dançante som cheio de fuzz do Los Vigilantes, de Porto Rico

Los Vigilantes

Formada por Javier Garrote (baixo e voz), Pepe Carballido (guitarra e voz), Jota Mundo (guitarra e voz), Rafael Díaz (bateria e voz) e Ricardo Vilaro (o quinto Vigilante!), Los Vigilantes é uma das bandas mais expressivas da cena garage/power pop de Porto Rico. Misturando a energia do punk com melodias dançantes e sons do garage rock dos anos 1960, o quarteto já lançou dois discos: “Al Fin”, pelo selo Chacho Records, do México e o LP homônimo pela Slovenly Recordings (dos EUA), além de vários singles por selos como a Norton Records, também dos EUA.

Em abril deste ano o Los Vigilantes lançou pela Mandinga Records o compacto 7” “Viento, Sereno y el Mar”. O EP contém quatro musicas e mostra a facilidade que a banda tem em construir vocais grudentos, como a faixa título “Viento, Sereno y El Mar” – que nos remete às praias de San Juan e ao verão porto-riquenho. “Wakao Ayako”, a segunda experiência da banda com o idioma japonês, faz uma homenagem a atriz nipônica que leva o nome da música. O EP conta ainda com a faixa “Mejor”, um cover do grupo espanhol Los Brincos, que chamou atenção nos anos 1960 e foi comparado a grupos da invasão britânica que aconteceu na época.

Conversei com Jota sobre a carreira da banda, suas influências, rock em espanhol e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda começou em Nova York em 2007, estávamos todos estudando lá no momento. Eu já era amigo do Pepe faz anos em Porto Rico e me mudei para o apartamento de Rafa quando eu cheguei em NY. Cerca de um ano mais tarde, Javi, que também era amigo de Pepe, chegou a NY e começamos a tocar por diversão. Quando começamos a descobrir bandas como Los Monjes, Los Saicos e Los Yaki queríamos fazer algo assim, mas mais moderno. Uma coisa levou à outra e aqui estamos.

– Como surgiu o nome da banda?

Nós gostamos de quadrinhos.

– Quais as suas principais influências musicais?

Nós temos diferentes influências. Javi gosta de um monte de bandass da Movida Madrileña na década de 80 e do punk espanhol. Pepe é mais pop e ele gosta de Madonna, Cher e coisas assim. Rafa gosta de funk e vem de um fundo hardcore punk. Eu gosto de tudo, blues, metal, jazz, punk. Se é bom, é bom. Eu diria que as áreas onde todos nós nos encontramos são rock sul-americano dos anos 60, Beach Boys, Ramones, etc…

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram.

Bem, até agora temos 2 singles e um LP pela Slovenly Records, o “Al Fin LP” que foi lançado em um esforço conjunto pela Chacho e Warevel Socio, ambos de Porto Rico, e o novo EP, pela Mandinga Records do Brasil. Gostamos da ideia de lançar discos por todos países quanto é possível, é tudo uma comunidade rock and roll de qualquer maneira.

– Como você definiria seu som?

Somos uma banda de rock and roll.

– Como é o seu processo de composição?

Todos na banda escrevem. Às vezes temos canções inteiras como “Nunca Sabras”, “Viento, Sereno y El Mar” ou “Un Día Nada Más” e apenas vamos gravar, adicionamos algumas coisas e está feito. Essas foram todas escritas por pessoas diferentes. Outras vezes, alguém tem um riff ou uma melodia, gravamos isso e as letras são escritas mais tarde. Varia.

Los Vigilantes

– Por que vocês acham que canções em espanhol não tem tanta penetração nos ouvidos brasileiros?

Eu não sei dizer. Isso não tem sido a minha experiência no Brasil, ou em qualquer lugar no mundo. Se as pessoas gostam da música, e ela mexe com você, o idioma não importa realmente.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Eles são uma ferramenta. Como todas as ferramentas, pode ser bom e ruim. Eu acho que certamente ajudou a distribuir mais música do que jamais foi possível e isso é uma grande coisa. Especialmente para artistas independentes. Mas isso também fez com que o público não apreciasse tanto o conceito de álbum, de tudo como um todo. Além disso, o sistema de pagamento para streaming é terrível.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É libertador, mas é preciso muito trabalho. Você tem total liberdade criativa, o que para qualquer músico não tem preço. Mas isso também significa que você tem que fazer um monte de coisas que bandas grandes não tinham que fazer antes. Você tem que se preocupar com tudo, marcar shows, promoção, arte, tudo está em suas mãos. Pode ser estafante às vezes, mas você se acostuma.

Los Vigilantes

– Quais são os próximos passos da banda?

Estamos planejando uma pequena turnê pela Costa Rica e Colômbia em novembro deste ano. Depois voltaremos para o estúdio para gravar algumas novas faixas. Manter a bola rolando.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente independentes!) Que chamaram sua atenção ultimamente.

Re-Animadores, Campo Formio, Fantasmes, La Maquinaria de Tortura, EspaZmos, Fofe y los Fetiches, Juventud Crasa… Estas são apenas algumas das bandas em Porto Rico agora, todos deviam ouvi-los. Há de tudo, do psych ao punk hardcore.


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