O duo The Lautreamonts se prepara para lançar “Who Are You Wearing?”, seu primeiro EP

O duo The Lautreamonts se prepara para lançar “Who Are You Wearing?”, seu primeiro EP

24 de agosto de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Os fãs de Siouxsie and the Banshees, Elysian Fields, Dead Can Dance, experimentação e um pouco de sarcasmo já têm sua nova banda preferida. O duo carioca The Lautreamonts, formado por Martha F. e Hudson, lançou recentemente seu primeiro single, “The Adequacy Waltz”, faixa que abre o EP “Who Are You Wearing?” a ser lançado em duas semanas pelo selo Efusiva, que contará com 4 músicas próprias e um inusitado cover de Black Sabbath.

Os primeiros compassos da música já mostram que a banda foge do convencional, com uma cítara fazendo o riff principal, acompanhada pela percussão, fundamental em todas músicas do disco que vem por aí. A produção do single foi feita no próprio estúdio da banda. “Sem as limitações de uma banda tradicional, não poupamos tempo nem esforço durante a experimentação e pesquisa por novos sons”, contam. “Nossa ‘Valsa da Adequação’ fala da busca desesperada pela aceitação social. É uma visão irônica sobre como tentamos nos encaixar num modelo de vida idealizado, seguindo os passos sincronizados de uma dança muito esquisita”.

– Como a banda começou?

A ideia da banda começou há um tempão, acho que há uns 8 anos atrás… Nossas bandas anteriores (Set Setters e TRONN) tinham acabado e estávamos há um tempo sem tocar. Conversávamos muito sobre as coisas que queríamos fazer diferente e que não se encaixavam nos projetos anteriores. Juntamos todas as nossas influências e os sons que ouvimos na época e começamos a rabiscar umas ideias de música.

– Como surgiu o nome The Lautreamonts e o que ele significa para vocês?

Quando começamos a ter a ideia da banda, estávamos lendo muita coisa surrealista e procuramos alguma referência nessa linha. Um livro que impressionou muito a gente nessa época foi “Os Cantos de Maldoror”, de um cara que usava o pseudônimo Conde de Lautreamont. Daí, em tom de piada, colocamos esse nome provisoriamente e acabou ficando.

– Quais as suas principais influências musicais?

Muuuuita coisa diferente! Na época, estávamos ouvindo umas bandas tipo Xiu Xiu, Firewater, Elysian Fields, Explosions in the Sky, e tal. Além disso, muita coisa do post-punk tipo Siouxsie, Bauhaus, Cocteau Twins, Nick Cave… O interesse por música oriental, árabe, indiana e afins veio do Dead Can Dance, que é uma baita referência pra gente. “Spiritchaser” foi o disco que abriu a cabeça pra esse tipo de som. Outro cara que certamente influenciou nossa forma de fazer música foi J.G. Thirwell (Foetus).

– Como vocês definiriam o som da banda?

Acho que uma mistura de tudo isso que falamos aí em cima. A gente demorou muito pra mostrar as músicas pra alguém. Mostramos primeiro pra dois amigos um dia e eles disseram que tinha uma coisa de post-punk, mas também de Massive Attack.. Acho que é um pouco nessa linha mesmo. Uma mistura de post-punk com um som mais alternativo dos anos 90, experimentação e muita referência de música oriental.

– Vocês acabaram de lançar seu primeiro single, “The Adequacy Waltz”. Como surgiu esse som?

Acho que essa foi a primeira música que fizemos que tinha essa influência mais oriental. Queríamos fazer alguma coisa nessa linha, com bastante percussão, cítara e tal. Fiquei cantarolando mentalmente o riff por várias semanas até ir pro computador e escrever. A letra veio bem depois e tem a ver com o tema do EP, que é como as pessoas se veem ou querem ser vistas pelos outros.

– Ele faz parte de um álbum ou EP que será lançado? Já tem alguma previsão?

Sim, é a música de abertura do “Who Are You Wearing?”, que a gente vai lançar daqui a duas semanas. Vai sair pelo selo Efusiva aqui do RJ. São 4 músicas nossas mais um cover do Black Sabbath.

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Infinitamente mais profissional do que quando a gente começou nos anos 90. Hoje em dia, todo mundo toca bem pra cacete, tem bons equipamentos, produção de qualidade, fazem turnês por aí. No nosso tempo era beeem mais tosco! Ao mesmo tempo, acho que falta um pouco da irreverência, não no sentido do humor, mas de desafiar o público, de provocar mais e tal. Acho que falta maldade (no bom sentido). (risos)

– Como é o processo de composição da banda? Quais as inspirações?

Lento!! Normalmente, ouvimos alguma música ou banda diferente e pescamos algum elemento que inspire a gente. Daí, ficamos um tempo ouvindo outras referências e concatenando as ideias na cabeça. Depois, vamos pro computador e testamos uma base rítmica ou um riff. Fazemos a música pedacinho por pedacinho. Acrescentamos instrumentos e camadas até o arranjo ficar interessante. Ficamos um tempão sem encostar na música até voltarmos a ela com ouvidos mais arejados. No final, jogamos um monte de coisas fora, cortamos, colamos até a gente não aguentar mais mexer na música e acharmos que ela tá funcionando legal. A letra sempre vem por último e geralmente vai sendo escrita em guardanapos de bar.

– Quais os próximos passos da banda?

Lançar o EP oficialmente daqui a 2 semanas e ensaiar muito. Como somos um duo e as músicas têm essa proposta de juntar tantos sons, precisamos adaptar pra funcionar bem ao vivo . Então vamos focar nisso e deixar o show bem redondinho pra nossa estreia. Nossa intenção é fazer um lance legal, tanto na produção do som quanto na parte visual, pra que fique interessante pra galera que assiste e pra gente também.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Nós gostamos muito do projeto da Mariana Bahia, o Sifonics. E tem também a Tomba Orquestra que é incrível e muito rica musicalmente. O Gilber T., que gravou duas músicas com a gente, também toca com eles, além de mais um monte de gente boa. Mas vamos dar uma pequena desvirtuada aqui nessa resposta pra falar de espaços/iniciativas que estão rolando e são muito importantes pra cena musical como um todo. Em SP o Ibrasotope, que fomenta a música experimental e sempre tem uns artistas muito interessantes se apresentando. E aqui no RJ temos o Motim, que além de espaço para shows, oferece cursos, oficinas, exposições, todo tipo de atividades direcionadas prioritariamente às meninas, visando construir um ambiente de desenvolvimento artístico e incentivo à auto-estima. Por coincidência, ambas iniciativas estão em transição para novos endereços, e o Motim está com uma campanha de financiamento para reabrir as portas nesse link. Recomendamos demais que todo mundo leia a proposta e dê sua contribuição.