Netvno passeia entre o pop, o jazz, a MPB e o R&B em seu segundo EP, “Três Noites No Azul”

Netvno passeia entre o pop, o jazz, a MPB e o R&B em seu segundo EP, “Três Noites No Azul”

17 de janeiro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Em dezembro o Netvno lançou seu segundo EP, “Três Noites no Azul”, produzido por Lourenço Rebetez e com uma sonoridade é uma união boa de pop, jazz, R&B e múltiplas brasilidades

O disco tem 3 faixas e foi gravado no Cajueiro Áudio, no interior de São Paulo, “Três Noites no Azul” foi mixado por Thiago “Big” Rabello e masterizado por Felipe Tichauer, da Red Traxx Mastering. “Todo esse processo de criação e de produção do EP foi pra gente uma experiência maravilhosa. Um mergulho profundo em algo que todos nós acreditamos. Agora é continuar o trabalho e levar nossa música por aí, encontrando pessoas e conhecendo lugares”, contam.

Nascida no interior de São Paulo, a Netvno apresenta influências que vão da MPB clássica ao pop, jazz e R&B contemporâneo. Em 2017 uma live session deu origem ao EP “Primeira Estação”, que rendeu shows na Virada Cultural e nas unidades do SESC de Araraquara, São Carlos e Catanduva. O sexteto é formado por Aglaia nos vocais, Diego Morais e Fred Negrini nas guitarras, Edgar Scaramuzza no baixo, Murilo Gonçalves na bateria e William de Paula nos teclados.

Ouça:

– Eu sei que é complicado, mas como vocês definiriam o som da banda pra quem ainda não ouviu?

Murilo – Nosso som pulsa pela mistura e pela diversidade. Tem um pouco de muita coisa, é difícil definir. Sinto coisas fortíssimas de brasilidades, mas também gringueiras. Você vai encontrar elementos de Drake à Caetano (risos).

Aglaia – A sonoridade da Netvno tá em constante mudança, conforme a gente entra em contato com coisas novas. Eu acho que dá pra definir como uma MPB moderna, por ter essa cara de Brasil ao mesmo tempo que tem essas influências de coisas novas que estão rolando lá fora.

– Quais influências vocês destacam neste novo EP?

Murilo – Cada um tem referências específicas, é isso que dá o toque híbrido da banda. No meu caso, tive muita influência de brasilidades em geral, coisas do Caetano até Silva. Mas também tenho escutado a cena eletrônica tipo ODESZA, Vallis Alps. Sem duvida, essa é a atmosfera que cerca a sonoridade da “Aurora”.

Aglaia – No caso da “Chá”, a composição veio logo depois que eu descobri e comecei a escutar muito
do que eu chamo de R&B contemporâneo. Bruno Major, H.E.R, Daniel Caesar, Moonchild, FKJ, Frank
Ocean são alguns dos nomes que tavam rolando no meu Spotify naquele tempo (e ainda rolam).

– Me contem mais sobre como rolou o processo de composição deste e EP e sobre as faixas presentes.

Murilo – Processo de composição é no geral, bem particular, né? No caso da “Aurora”, compus tentando expor o que eu estava sentindo logo após o nascimento da minha primeira sobrinha. Foi um momento diferente e totalmente novo pra mim e quis passar aquilo tudo num papel. Sem duvida, estamos vivendo um momento complicado no Brasil e no mundo, o “sonho” que trato nessa musica é a crença na renovação, naquilo tá chegando com novos padrões de pensamento e comportamento.

Diego“Sonhando” é uma composição minha e do Fred, de quando eu tava começando a aprender a tocar violão. Nessa época nós trocávamos muitas referências musicais, eu ouvia muita música brasileira e o Fred conhecia muito do jazz com influências da música oriental. Nós dois narrávamos muito um ao outro as nossas experiências de sonhos – e o Fred é alguém que leva essa parte da vida muito a sério. Na semana em que essa canção começou a aparecer, ele comentou comigo de um sonho em que ele se encontrava submerso num oceano imenso e de repente, não conseguindo mais segurar a respiração, ele resolve encher os pulmões, inspirando toda aquela água salgada, azulada,
esverdeada, como se fosse o ar mais fresco do planeta Terra. Essa história tem tudo a ver com a música.

Aglaia“Chá” foi a primeira música que eu compus e por isso ela significa muito pra mim. Ela veio num momento bem introspectivo e complicado da minha vida. A canção fala de uma fuga pra um lugar seguro e conhecido, em um momento no qual as questões do mundo exterior parecem muito pouco importantes e as internas complicadas demais para serem encaradas.

– Como a banda vê o cenário musical hoje em dia?

Murilo – Eu vejo com grande entusiasmo do ponto de vista criativo e artístico. Temos grandes nomes surgindo ou se estabilizando sempre trazendo experimentações sonoras, elementos que admiro muito quando busco um som novo pra curtir.

Aglaia – Eu tô muito contente com o cenário musical, tanto do Brasil como do mundo. Ele tá cada vez menos óbvio, mais difícil de separar em caixinhas, e isso é muito bom.

foto: Danilo Daher