Natalia Lafourcade e suas “Musas”: memórias sonoras do Folclore Latinoamericano

Natalia Lafourcade e suas “Musas”: memórias sonoras do Folclore Latinoamericano

26 de agosto de 2019 0 Por Murillo Medeiros

Dona de uma voz belíssima e de um timbre sonhador, María Natalia Lafourcade Silva é uma das artistas mais importantes da cena musical latinoamericana, já acumulando em sua conta 1 Grammy de melhor álbum (Hasta la Raíz”, 2016), 11 Grammys Latinos para outros de seus trabalhos, bem como diversas nomeações para ambas festividades.

Lafourcade nasceu na Cidade do México, mas passou a maior parte de sua infância em Veracruz -estado banhado pelas águas do Golfo mexicano- com o qual mantém um forte laço emocional que permeia todo seu trabalho. Mesmo que tenha se aventurado por diversos ritmos em sua trajetória como o pop e o rock, Natalia ainda resguarda em si muitos elementos da música tradicional mexicana e também da bossa nova, traços que caracterizam sua autenticidade no meio musical de seu país.

E é dessa mistura de ritmos e respeito às tradições que vem seu sétimo álbum, o “Musas: Un Homenaje al Folclore Latinoamericano en Manos de Los Macorinos, Vol 1”. O álbum, nascido graças à uma mistura fascinante de uma viagem de Natalia ao Brasil, saudades de sua terra natal e músicas tradicionais, e de uma ‘jam session’ entre amigos após seu retorno, é um passeio pelos encantos da música mexicana, com seus dedilhados encantadores e suas letras que transbordam cenários imaginários e uma nostalgia cativante.
Nele, Lafourcade apresenta um misto de músicas autorais e homenagens à grandes nomes da música latinoamericana, como a potente Qué He Sacado Con Quererte  da grande Violeta Parra Sandovale, e a tragicômica Te Vi Pasar, de Agustín Lara. Além disso, todo o álbum é uma viagem à um tempo de ouro da música popular latinoamericana, capaz de criar belíssimas imagens mentais a quem o escuta, do início ao fim. É impossível não imaginar-se numa praia ao escutar Soledad y el Mar, onde Natalia canta sobre as ondas e a solidão vinda da saudade de um grande amor, ou visualizar uma típica cidade mexicana em Mi Tierra Veracruzana, numa levada de viola tranquila como uma tarde em família. Ambas as músicas são autorais, demonstrando a habilidade de Lafourcade como cantora e compositora, tendo em vista que tanto as homenagens quanto as músicas autorais conversam perfeitamente entre si no decorrer do álbum.
É um belíssimo trabalho, de uma qualidade inigualável e capaz de alegrar e acalmar até mesmo os corações mais atribulados. Basta reproduzir a primeira música e deixar-se levar pela voz mágica de Natalia Lafourcade e os violões hipnotizantes de Los Macorinos. Feche os olhos, e deixe que esse filme latino se desenrole em sua mente. Se for de seu gosto, alegre-se: você ainda pode escutar o Volume 2!