Músicas com plot twists que você vai gostar mesmo depois desses spoilers

O termo se tornou familiar. Qualquer um que já assistiu a uma série – ou acompanhou as últimas temporadas desse longa chamado VIDA –  sabe bem a que se refere. Plot twist é aquela virada inesperada no enredo, aquele momento que traz uma surpresa agradável – “The One With Obama’s Triumph” S08E12 – ou não –  “The One With Trump Winning”, S16E09.

Verdade seja dita, está difícil superar os últimos plot twists deste não ficção do qual fazemos parte. A boa notícia é que a arte está aí para nos salvar (yey!). Então, quando bater aquela desesperança, já sabe né? O melhor a fazer é buscar refúgio em uma playlist delicinha, tipo essa que reúne as reviravoltas (reais ou não) em músicas de bandas que amamos.

“Funny Little Frog”, Belle & Sebastian

Belle & Sebastian, com sua poesia confessional e arranjos delicados, é um abracinho quente quando a gente precisa. O líder da banda escocesa, Stuart Murdoch é, para mim, um dos melhores compositores/cantores/dançarinos-desajeitados/crushes do indie pop mundial. “Funny Little Frog“, faixa do disco “The Life Pursuit” (2006), é prova disso.

A música descreve uma paixão arrebatadora, uma quase-devoção (com direito a fotografia pendurada na parede) de um homem por um crush enigmático. No desenrolar da letra você tem alguns indícios de que existe algo de platônico no romance. Mas é só nos segundos finais da canção que ele decreta isso.

“You are the cover of my magazine

You’re my fashion tip, a living museum

I’d pay to visit you on rainy Sundays

I’ll maybe tell you all about it someday”

(Eu também pagaria para ter ver em um domingo chuvoso, Stuart <3)

“Babies”, Pulp

Saímos do amorzinho fofinho do Stuart, para as primeiras aventuras sexuais de um Jarvis Cocker adolescente e pervertido. Em “Babies”, faixa do “His’n’Hers” (1994), ele conta como, junto com uma amiga, costumavam ouvir atrás da porta a irmã mais velha dela com garotos no quarto. Mas, jovem e excitado, Jarvis Cocker (ou o cock do Jarvis) queria mais: “I want to see as well as hear/ And so I hid inside her wardrobe”.

Em uma dessas, ele acabou transando com a irmã da amiga. Só no trecho final da música ele revela que foi tudo uma confusão, e que, na real, era da amiga que ele gostava, não da irmã.

“I know you won’t believe it’s true,

I only went with her ‘cause she looks like you.”

(Desculpa equivalente ao “baixei o Tinder sem querer”, Jarvis.)

“Cooking Up Something Good”, Mac Demarco

“Mommy’s in the kitchen, cooking up something good/ And daddy’s on the sofa, pride of the neighborhood”. Quem conhece as letras do Mac percebe de cara um tom irônico nesse retrato da família ‘de bem’. A relação conturbada com o pai, que por conta do alcoolismo e uso de drogas o abandonou quando criança, está presente em grande parte do trabalho do músico canadense.

Quem sabe disso, já espera a virada nessa bela cena de família que vem na segunda parte da música. “Daddy’s in the basement, cooking up something fine”. A gente sabe que não é um ranguinho esperto que ele está fazendo no porão. “Cooking up”,  em inglês, é gíria para ‘preparar drogas’, especificamente as que precisam de aquecimento. Em um show, Mac termina a música dizendo: “This song is about my dad’s methamphetamine habit”. Aí não resta dúvida, né.

“A Boy Named Sue”, Johnny Cash

Todo mundo conhece alguém que já teve problemas na infância ou adolescência por ter um nome diferentão.  Não adianta, se tem uma coisa que a quinta série A não perdoa é um nome diferentão. O ‘contadô de causo’, Johnny Cash, fala sobre esse ‘fardo’ que um garoto chamado Sue teve que carregar durante a vida.

Aparentemente, Sue teve que aguentar muita TRETA. “It got a lot of laughs from a’ lots of folk/ It seems I had to fight my whole life through”. Sua missão na vida passou a ser encontrar o pai que o abandonou e escolheu o seu nome. Quando ele finalmente o encontra, mais TRETA. Os dois se pegam no bar, mas antes que a coisa ficasse feia mesmo, o pai explica porque deu a ele esse nome:

“Son, this world is rough

And if a man’s gonna make it, he’s gotta be tough

And I know I wouldn’t be there to help ya along

So I give ya that name and I said goodbye

I knew you’d have to get tough or die

And it’s the name that helped to make you strong”

Yeah he said, “Now you just fought one hell of a fight

And I know you hate me, and you got the right

To kill me now, and I wouldn’t blame you if you do

But ya ought to thank me, before I die

For the gravel in ya guts and the spit in ya eye

‘Cause I’m the son-of-a-bitch that named you “Sue”.

Resumindo, um nome com potencial para virar chacota foi a forma que o pai encontrou para fazer o filho aprender a enfrentar as coisas duras e injustas da vida. Não é uma metodologia muito Waldorf, mas parece que funcionou.

“Space Oddity”, David Bowie

A virada dessa história é bem triste. Só não tão triste quanto outro plot twist do Bowie que pegou o mundo inteiro de surpresa em janeiro do ano passado 🙁 🙁

Um dos maiores clássicos do compositor/cantor/ator/produtor/crush conta a história de Major Tom, um astronauta fictício em uma missão espacial que, apesar de bem sucedida no começo, não tem um final feliz. Depois de ‘flutuar pelas estrelas de um jeito peculiar’ e ver de longe a Terra azul, Major Tom perde contato com a base de controle.

Já ouvi a música inúmeras vezes, e nessa parte sempre rola aquele arrepiozinho nos pêlos:

“Ground control to Major Tom,

Your circuit’s dead, there’s something wrong

Can you hear me Major Tom?”

Dá o play e sente.


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