Muito além do 5 contra 1: As trilhas sonoras icônicas dos filmes pornôs 🌚

Ron Jeremy
Ron Jeremy

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O pornô é uma das indústrias mais rentáveis do planeta. Seu alcance e interesse é absurdo. Um mercado que movimenta todo ano trilhões de dólares e se reinventa a cada minuto. Altamente explorado, ele tem seus altos e baixos mostrados em documentários que você pode ver no Netflix ou na TV a cabo.

Não é incomum ver comentários “aleatórios” nos vídeos na internet. Aliás, hoje em dia é onde seu mercado mais é consumido através de filmes, cam girls e até via Oculus Rift. Pois é, agora a moda é ver tudo em 4D como se você mesmo estivesse interagindo com a cena – coisa de louco e só possível imaginar para alguém que viveu os anos 80 via filmes Sci-Fi.

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Mas o nosso foco aqui é a música! Quase sempre me esqueço com tantos detalhes e informações interessantes ao redor para estender a pauta… E olha que música em filmes pornôs desde as fitinhas VHS dá o que falar, meu amigo! Fique tranquilo, não vou comentar sobre aquele blues “frouxo” que estrela vários quadros do Sexytime do Multishow, mas de música boa – numa hora que em teoria a música é o que menos importa.

E porque não começar por um clássico do pornô? É – quase – impossível fazer uma lista de filmes pornôs sem falar sobre um dos maiores sucessos tanto de vendas como de ~polêmicas~: Garganta Profunda” (“Deep Throat” – 1972).

O filme sobre o caso do delator do Watergate teve o custo de 25 mil dólares e após se tornar Cult gerou algo em torno de 20 milhões. Aliás, a grande estrela Linda Lovelace tem uma história de vida bem triste e que vale pesquisar depois.

Em seu livro, ela alega que nunca recebeu um tostão por “Garganta Profunda” e o seu ex-marido teria sido pago com apenas 1250 dólares, embora o filme tivesse rendido aos seus produtores 600 milhões de dólares. Sua carreira após este filme começou a ir para filmes mais “hardcore”. Depois disso veio a decadência e teve seu fim abreviado.

Mas para os admiradores do funk/R&B temos uma tremenda pérola em sua soundtrack logo na música tema, “She’s Gotta Have It”, um single de T.J. Stone lançado no ano de 1974 como single após o sucesso do filme – quem sabe tentando ganhar mais uns trocados com o sucesso comercial da trama.

Fato que a canção tem uma estrutura que mescla aquela groove do Funk que flerta com a soul music. Logo de cara percebemos a composição como forte, já no encaixe dos instrumentos de sopro indo de encontro com o piano que chora e narra sensualmente a proposição.

Após perceber um padrão no funk/blues/R&B nos filmes pornôs dos anos 70, o ~destemido e ousado~ Don Argott decidiu prestar sua homenagem ao pornô. Uma lenda urbana diz que ele e Ron Jeremy se conheceram em 71 e gravaram uma porção de faixas que ficaram perdidas no tempo e espaço até serem achadas no fim dos anos 90. Utilizando suas próprias mãos (calma, não pense besteira) e criando em parceria com outros músicos um álbum chamado “Pornosonic – Unreleased 70’s Porno Music (1999)”.

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Sim, são trilhas sonoras para filmes que JAMAIS viram a luz do dia. Ao invés de tentar fazer releituras, ele traz um funk moderno com ambientações que poderiam muito bem conduzir cenas mais calientes e pegajosas. Para deixar tudo ainda mais no – esquema – ele foi logo chamar o astro do cinema pornô Ron Jeremy para fazer a locução entre as faixas, o que resultou hilário e totalmente imersivo.

E eles não pararam por aí, e em 2000 saía a trilha “perdida” de outro clássico do “sobe e desce”: “Cream Streets”, que brinca com funk, música latina, tribal, Jazz, groove e muita intensidade. Afinal de contas, tentar reeditar os hits da Motown não é um desafio muito fácil de ser alcançado. Tem que ter muito exercício, abusar das preliminares e se jogar de cabeça. As canções são jocosas, o swing e o malemolência se dão a cada beat que ecoa da percussão e do chorar dos instrumentos.

A franquia pornô “The Devil In Miss Jones” começou no ano de 1973 e foi dirigido por Gerard Damiano. A grande estrela do filme é Georgina Spelvin, talvez uma das mais renomadas atrizes pornôs da era do “Pornô Chic” – o rótulo que o pornô clássico ganhou ao longo dos anos entre uma “pornochanchada” aqui e outra acolá.

E para combinar com o clássico, porque não uma música elegante a base de voz e piano? Quem ouve pensa que se trata de um filme de sofrimento/melodramático, mas a canção quase que de igreja emendava com o swing da sétima arte do pornô. A canção mais marcante do filme é a tema “I’m Comin Home” da Linda November.

Já no outro extremo da indústria do pornô no “Softcore” temos a saga de Emmanuelle de Just Jaeckin. O primeiro filme foi gravado na França em 1974, mas a lolita atravessou as décadas sendo a musa do gênero.

Emmanuelle já foi loira, ruiva, morena, foi ao deserto, ao espaço, a diversos lugares mas todas que a interpretaram sempre honraram o nome. Aliás, se Emmanuelle tivesse estrelado alguma capa de algum disco do É o Tchan, eu não ia estranhar. Já que nos anos 90/00 podia quase tudo.

Quem lê pensa que a franquia foi um sucesso. Porém, no segundo filme de 1975, após diversas críticas, seu criador original largou o barco. Mas foi o suficiente para imortalizar seu tema “clássico” do cinco contra um.

A canção de Pierre Bachelet foi um dos seus maiores hits da carreira. Ele que era meio que um Roberto Carlos/Julio Iglesias francês e estrelou a trilha de outros filmes através de suas canções apaixonadas. 

Mas não se vive apenas de pornô gringo quando aqui tivemos as embriagadas e saudosas pornochanchadas, que nosso querido Canal Brasil sempre lembra com a frase “Como Era Gostoso”.

Vera Fisher era uma das estrelas das pornochanchadas
Vera Fisher era uma das estrelas das Pornochanchadas

Eis que em 2004 tivemos uma grande homenagem à essas musas. Che decidiu fazer um grande tributo cheio de diálogos e brasilidades para embalar essas noites que ficavam ainda mais gostosas após uma sessão de chanchada. O disco foi lançado pela YB Music e distribuído pela Tratore.

“‘Sexy 70’ é o tributo musical do terceiro milênio aos fãs da pornochanchada brasileira clássica. Bossa-funk-lounge-soul-samba-bolero tocados com o verdadeiro espírito desleixado e elegante das grandes trilhas sonoras do gênero. Ideia e competência do Che (ex-Professor Antena) com participação charmosíssima da musa Helena Ramos e do gênio Paulo Cesar Pereio. Serve para festas, jantares elegantes e para clima de sedução. Mil e uma utilidades!”

Para passar a régua e deixar o clima em órbita temos direto dos anais do ano de 1999, um pornô estrelado por ninguém mais ninguém menos que Silvia Saint. E para essa viagem intergalática foi convocado uma das maiores lendas da e-music mundial: O Prodigy.

O “The Uranus Experiment” teve a ousada – e de outro planeta – missão de fazer o primeiro pornô além dos limites da gravidade, ou seja gravidade Zero. O cérebro do Prodigy Liam Howlett foi o responsável por fazer o som para explorar os orgasmos nas “alturas”.


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