“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

9 de fevereiro de 2018 0 Por Guilherme Gagliardi

More (More)
Lançamento: 1969
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Paul Gégauff e Barbet Schroeder
Elenco Principal: Mismy Farmer, Klaus Grünberg e Heinz Engelmann

Esse é um que pra mim é antes a música que filme. Tendo conhecido já há anos o som metal pesado do Pink FloydThe Nile Song”, fui só bem mais tarde descobrir que fazia parte da trilha sonora dum filme e ainda mais tarde assistir o tal filme. Devo dizer contudo, que o longa tá no nível da soundtrack.

Essencialmente sobre drogas, sobre seus efeitos e sobre como alteram o comportamento social dos indivíduos, o filme “More” de 1969, conta a história do jovem Stefan, recém formado em matemática, em “busca do sol” e do seu relacionamento com uma menina parisiense na praia de Ibiza. Em algum tipo de relação com um velho alemão (Wolf), a moça (Estelle) não se permite ficar junto do matemático e esconde mil coisas que não ficam muito claras, mas que parecem ter ligações com o tráfico de drogas pesadas. O Stefan por outro lado, apresenta um comportamento possessivo ridículo, exigindo dela uma submissão absurda e sem entender nada do que se passa na relação que ela tem com o velhinho.

Com um passado embrulhado em heroína, Estelle acaba fugindo do Wolf com o jovem Stefan, pra levar uma vida mais calma. Contudo, leva junto de si alguns pacotes de “cavalo” roubados do velho e aí dão várias merdas.

Cena do filme que ilustra a capa do disco

Acompanhando toda essa exposição da realidade da contracultura hippie da época com seus prós e contras, aparece a trilha sonora. Feitas especialmente para o filme, as músicas do Pink Floyd embalam o ritmo psicodélico das viagens com sons que variam entre o prog, o jazz e o metal.

Já tendo feito a trilha deTonite Let’s All Make Love in London em 67, a do filme de 69 foi a segunda da banda, já marcada por um estilo que seria o dos discos dos próximos anos, como o Obscured By Clouds e o Meddle, com um prog bastante experimental.

Mas apesar do forte progressivo, há uma música que foge um pouco desse estilo e pra qual cabe uma atenção mais que especial. “The Nile Song” é um heavy metal heavy mesmo, com uma puta letra genial e que foi lançada junto com o filme, um ano depois da formação do Black Sabbath (que teriam sido os primeiros do gênero) e um ano antes do lançamento do primeiro disco do Black Sabbath. Ainda fugindo um pouco do prog clássico pinkfloydiano, mas cheia de sintetizadores, tem “Up The Khyber”, um jazz com uma bateria bastante à la Thelonious Monk.

Tendo já dado o destaque pra genialidade “prafrentex” da banda, voltemos ao prog. “Cymbaline”, que foi tocada depois em muitos shows e que parece ser a mais famosa do filme, mistura o estilo que viria a se tornar a marca do Pink Floyd com a influência “barretiana” do “Saucerful of Secrets” criando uma viagem muito única! “Cirrus Minor“, num estilo parecido, mas mais instrumental, é outra que traz uma carga excelente pra deitar no chão e entrar numa trip muito loka!

De resto, assistam/ouçam pra descobrir!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha Sonora: