Menage solta rock alternativo dos anos 90 pelos poros no EP “A Esperança É A Única Que Morre”

Menage solta rock alternativo dos anos 90 pelos poros no EP “A Esperança É A Única Que Morre”

28 de junho de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Diretamente de Florianópolis vem a banda Menage, que lançou recentemente seu primeiro EP, com quatro faixas, “A Esperança é a Única que Morre”. O trio é formado pelo vocalista e guitarrista Bruno Goulart, que também tocou na banda Somato, da baterista Mariel Maciel, que veio da ótima Napkin, de Joinville, e da baixista argentina Michelle Mendez, recém-chegada da banda Petit Mort.

No EP é possível perceber os ecos de rock alternativo e grunge dos anos 90, além de influências de bandas como Queens Of The Stone Age e Stone Temple Pilots. O trabalho conta com as participações especiais de Natália Noronha, do Plutão Já Foi Planeta, e de Felipe, da banda Magnolia. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira, o novo EP e suas influências:

– Sem duplos sentidos, eu queria saber como o Menage começou.

Mari: A Menage começou comigo e o Bruno e a antiga baixista, que era nossa amiga de muitos anos, tocando covers pelos bares. Depois de um bom tempo a gente conheceu a galera do Far From Alaska, que a gente curte muito, e isso reacendeu a vontade de fazer um som próprio. Foi aí que começou, abandonamos os covers e ficamos só compondo.

– E o nome é meio auto-explicativo, né.

Bruno: (Risos) Muitas pessoas perguntam se rola ou não. MAS É SÓ O NOME DA BANDA, GENTE! (Risos)

Mari – O nome é só uma piadinha por serem 3 pessoa na banda, nada de mais!

– E como rolou a entrada da Michelle na banda?

Michelle: A gente compartilhou vários shows juntos como Petit Mort e Menage, acabamos ficando grandes amigos, família, e quando a baixista anterior saiu foi meio que naturalmente!

– Me contem mais sobre o EP que vocês acabaram de lançar! 

Bruno: Foi um processo de gravação longo mas muito enriquecedor, tivemos muitos obstáculos no meio, mas culminou de ele acontecer num momento mto bom onde a banda está consolidada.

Mari: É o melhor momento da banda, sem duvida

Michelle: E teve convidados irados!

Bruno: Ah sim, falando sobre a pergunta anterior, foi mto legal pois tivemos varios convidados especiais nas musicas. Em “Secret” a Michu era a convidada especial! Tanto que acabou entrando na banda (risos). A Michu sempre admiramos, o EP já começou com a ideia de ter um convidado por música, ela foi a que primeiro pensamos em chamar. A Natália Noronha, do Plutão Já Foi Planeta, nós conhecemos através da Cris do FFA, e quando estávamos eu, Mari, Cris e Natalia viajando de carro pra Curitiba, ouvindo a demo do EP, convidamos ela pra fazer uma participação em “Countdown”, foi bem natural. Ficou linda a poesia que ela fez! Ela gravou em São Paulo várias vozes e mandou pra gente. O Felipe, da banda Magnolia, é nosso amigo de muuuuitos anos, um queridão. Estávamos também ouvindo a demo e ele curtiu muito “Ex-machina”, daí já falamos: vais ter que dar uns berros nessa música!

– Podem me falar um pouco mais sobre cada uma das quatro músicas?

Bruno: “Secret” aborda o tema do abuso, fizemos o clipe só com meninas cantando por esse motivo. “Countdown” é uma experiência pessoal, sobre um relacionamento antigo que tive. “Ex-machina” critica a manipulação das religiões, e “Lillies” é como alguém se libertando de amarras antigas.

– No EP dá pra notar muita influência dos anos 90. Que bandas vocês citariam como maiores influências para esse trabalho?

Mari: Anos 90! Nossa, que bom!

Bruno: As influências são Nirvana, Queens of the Stone Age, Muse, Red Hot Chili Peppers… Enfim, muitas outras coisas que não tem a ver com o estilo mas que compõem nossa bagagem…

– Quais vocês citariam como influências principais para cada membro da banda?

Mari: Nesse momento da vida? Billie Eilish! (risos) Brincadeira, mas é só o que estou ouvindo hoje!

Bruno: Queens Of The Stone Age, Nirvana, Foo Fighters, NOFX, Lagwagon. Os Saltimbancos! (Risos)

Michelle: Então, Macaco Bong é uma banda que me marcou muito. Melvins, John Frusciante, Peppers, Incubus, Primus.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Bruno: A gente nunca pensou num conceito pra seguir ou pra compor, mas acho que fica entre um grunge e um rock alternativo.

– Como vocês veem o rock hoje em dia?

Michelle: Eu posso falar de como eu vejo o rock no brasil hoje em dia, e eu AMO. A cena ta linda demais. Tem muita banda que admiro , só não vê quem não quer ver, pois tá tendo muito rock e de muita qualidade. E o melhor de tudo é que tá tendo muita mina no palco!

Mari: Sim, faz tempo que não via tanta mina tocando, tá muito foda a cena!

– O mainstream deixou de ser o objetivo para as bandas de rock? O lugar do rock é mesmo no underground?

Michelle: Eu acho que sim, o rock hoje dia ainda é sim um espaço de resistencia, e de encontro e isso muitas vezes acontece nos lugares underground das cidades, ou tá tendo muito festival com banda independente autoral foda no meio da natureza que mesmo assim lotam. A cena ta realmente linda, com bandas de todos os estilos mandando muito bem. Não sei se o mainstream deixou de ser um objetivo, mas você encontra mesmo muita qualidade se acompanha os line ups de festivais independentes.

– As bandas estão se unindo mais? Há um tempo atrás, a cena tinha muito “cada um por si”, o que dificultava a criação de um público maior.

Michelle: Então, eu sempre vi essa união. O que posso falar é que quem está se unindo mais somos as minas, sabe?
Tamos juntas.

Bruno: A gente em particular, sempre procurou se unir e se ajudar.

Michelle: Enche de orgulho ver uma mana quebrando tudo e chegando longe. Acho que temos mais consciência do que uma mina ocupando espaço num palco e quebrando tudo significa hoje.

Mari: Aqui em Floripa, pelo menos, eu vejo um grande círculo de bandas amigas que estão sempre juntas fazendo acontecer os shows e festivais. Fazia tempo que eu ano via uma união massa assim.

– Quais os próximos passos da banda?

Michelle: A banda sempre tem como proximo passo COMER e COMER e se juntar COMER (risos). Mas depois da sobremesa é só se manter ativo, apresentando as músicas por todo canto, fazendo novas parcerias e amizades.

Bruno: A gente tem vontade de fazer um live do EP como próximo material. Depois disso queremos gravar um proximo EP ou álbum, não sabemos ainda.

Michelle: A gente esta tocando praticamente todo fim de semana!

Mari: Esse live , que já estamos aprontando, provavelmente vai ser com a galera do Cigarkills, faremos um material junto mas separado pra cada banda. Junto mas separado, deu pra entender? (Risos)

– E já estão compondo novos sons?

Bruno: Sim, ja tocamos algumas novas no show e estamos compondo mais.

Mari: É legal porque essas são as primeiras composições com a Michu, o que dá uma cara diferente pras musicas. Estamos empolgados pra essa “nova” fase da banda.

– Podem adiantar alguma coisa?

Bruno: Bom, acho que as músicas continuam basicamente no mesmo estilo, mas a última que estamos fazendo já rolou um climinho latino e swingado (risos).

Michelle: A gente ta absorvendo muito da energia dos shows sabe, a gente vai se conhecendo no palco mesmo.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Michelle: Então tem muita coisa dessa energia que depois aparece na hora de compor, tipo ja pensando em qual momento da musica vai dar pra se exorcizar, pular, brincar com o publico, dançar, sabe. Amo essa ultima pergunta!!!

Mari: Eu amo Disaster Cities, Molho Negro. Daqui de Floripa tem Cigarkills, Orquestra Manancial da Alvorada, Cobalt Blue, Zoidz.

Michelle: Daqui da ilha sou muito fã da banda Quazimorto e Monte Resina e Skrotes. Só sonzeiras, iradas.

Mari: Boa, essas três são fodassas.

Michelle: Já do Brasil tou ouvindo muito mas muito mesmo John Filme. Cara, que banda! E Odradek, Boogarins, Aeromoças e Tenistas Russas… Bom, os brothers do Muñoz são de Goiás, mas estão morando na ilha também. É só quebradeira pesada, bandaça…

Mari: John Filme ❤ Tem as La Leuca também, que é uma banda só de minas e que esta ganhando um bom espaço nos festivais, eu acho.