Marcelo Gross lança o rock estradeiro e direto “Me Recuperar”; confira entrevista exclusiva

Marcelo Gross lança o rock estradeiro e direto “Me Recuperar”; confira entrevista exclusiva

16 de agosto de 2019 0 Por Karinna Fiorito

Nesta sexta-feira o músico Marcelo Gross, ex-guitarrista da Cachorro Grande, está lançando o seu novo clipe, “Me Recuperar”, parte do seu segundo álbum solo “Chumbo & Pluma”. Nós do Crush em H-Fi entrevistamos o cara sobre o seu mais recente álbum, sobre o final da Cachorro Grande e uma possível volta e muito mais. Confira:

Esta Semana você está lançando o clipe da música “Me Recuperar”, faixa do seu segundo álbum solo Chumbo & Plumas. Como é compor sozinho? É mais difícil?

Compor sozinho é diferente, mas não mais difícil. Normalmente acontece quando já tenho uma ideia preestabelecida do que quero dizer, ou do arranjo. Já compor em parceria tem que estar aberto para a canção seguir por caminhos os quais não imaginaríamos sozinhos, o que também é bom. Mas eu escrevi bastante material sozinho para a Cachorro, então as canções solo não deixam de ser uma continuação do que eu já fazia.

“Me Recuperar” fala de superação, mas é subjetiva, pode ser superação de um amor, pode ser superação de uma noite de bebedeiras… Ressaca.. Quem nunca teve que se recuperar, mais uma vez, não é mesmo? A música tem uma pegada que mistura Neil Young com Keith Richards e Mick Jones (quem me dera né, mas tentei), um rock estradeiro e direto.

E o clipe foi muito divertido de fazer, com a direção e edição do Jean Schwarz e fotografia do Marcelo Nunes, que já havia dirigido alguns clipes da Cachorro Grande, na Bandits Filmes em Porto Alegre. E tivemos a sorte de contar com a participação especialíssima da Glamurosa, Cecília Plentz representando a “ressaca” no clipe. Usamos a estética MOD, estilo que nos é bastante familiar e mandamos ver. Espero que gostem!

Você tem algum método de composição? Ao longo da sua carreira você sempre lança um novo álbum a cada dois anos, rola uma cobrança?

Eu costumo pegar o violão, daí vem uma sequência de acordes, às vezes um riff… depois vem uma melodia de voz em cima.. aí caderno, caneta e letra… A maioria saí assim, mas nem todas. As que ficam pela metade são as que a gente acaba buscando ajuda de uma parceria. Mas algumas vem inteiras, como se já existissem, e outras viram um jogo de quebra cabeças de palavras, no qual a gente vai mudando para ver o que fica melhor.

Depois costumo gravar uma demo caseira para mexer nos brinquedos, amo tirar as tralhas dos cases, espalhar guitarras pelo chão… e invariavelmente é aí que a canção toma forma. E normalmente de madrugada. Costumo escrever bastante então de dois em dois anos é um prazo bom para botar na rua a produção. A cobrança é mais de mim para comigo mesmo (risos). Não gosto de ficar muito tempo sem lançar coisa nova, tem que estar em movimento…

Qual a diferença sonora do seu trabalho solo para o seu trabalho com a Cachorro Grande? Os últimos dois álbuns da Cachorro tinham uma pegada mais moderna, foi uma volta as suas raízes?

A principal diferença está na pegada mais pessoal das canções. Em relação aos dois últimos álbuns mais modernos da Cachorro, o meu primeiro álbum “Use o Assento para Flutuar” foi sim uma volta às raízes, uma espécie de antítese dessa fase eletrônica que a Cachorro Grande estava passando. E no meu segundo e mais recente álbum solo, o duplo “Chumbo & Pluma”, eu ampliei a gama de influências e sonoridades e fiz um álbum duplo dividido em um disco de rock (Chumbo) e outro de folk psicodélico (Pluma). Então em um curto espaço de tempo fiz um disco eletrônico (com a Cachorro Grande), outro de rock’n’roll e outro de baladas folk, o que foi uma ótima experiencia porque eu amo muito essas três vertentes.

Seu último álbum é bem sessentista. Quais guitarristas te influenciaram na composição desse álbum? Tem algum guitarrista da atualidade que te inspire?

Essa pergunta é interessante porque normalmente me inspiro em compositores que também são guitarristas e que me influenciam indiretamente pela maneira como tocam suas composições na guitarra; caras como Lennon, McCartney, Neil Young, Keith Richards e Pete Townhshed sempre tiveram um estilo peculiar e particular de tocar guitarra nas suas composições. Daí na hora de gravar algum solo eu vou para a influência dos “Guitarreiros Soladores” e “Debulhadores” como Dave Davies, Jimmy Page, Mick Taylor. Às vezes gosto de fazer solos compostos também, como se se fosse outro tema, instrumental, dentro da mesma música. Dos guitarristas atuais gosto do Jimi James, de uma banda chamada True Loves e dos garotos do Ratatat, uma dupla de guitarristas franceses. Recomendo.

Você começou sua carreira como músico muito cedo, algum dia te passou pela cabeça não ser músico? Você conseguiria se ver sem música?

Realmente a música me tocou muito cedo, antes dos 10 anos eu já era louco por Beatles e Elvis.. o rock’n’roll fez tanto sentido que eu não lembro como era antes disso entrar na minha vida. Não viveria sem. Faz o sangue correr. Eu tentei não ser músico para agradar meus pais, mas não deu (risos). A paixão foi mais forte.

O que você anda ouvindo? Tem algum álbum lançado recentemente que te chamou atenção?

Tenho ouvido o Micheal Kiwanuka, o álbum “Love & Hate” , lindas canções, ele canta e toca muito bem, gosto do estilo; Tenho ouvido também uma banda nova instrumental que se chama The True Loves, o álbum deles de estreia chamado “Famous Last Words” é lindo. E um álbum do Kula Shaker que se chama “Strange Folk” que tenho furado de tanto ouvir ultimamente.

Ter uma banda que leva seu sobrenome é uma consagração da sua carreira?

Na verdade o nome da minha carreira solo é como me chamam, pelo sobrenome, então decidi usar como nome artístico. Mas também pode ser o nome da minha banda, toco com os mesmos rapazes a um ano, o Eduardo Barretto no baixo e o Alexandre Papel na bateria. Então tem esse lance de banda, de power trio também. Consagração é poder continuar tocando pra galera que curte e acompanha, é o carinho dessas pessoas que dão sentido ao que a gente faz. Porque fazer Rock’n’Roll nessa terra Brasilis de 2019 é cada vez mais um ato de resistência e heroísmo. So… We can be heroes, just for ALL days!

Falando da Cachorro Grande, como foi a turnê de despedida? Vocês ainda mantém contato? Haverá uma possível volta um dia?

Foi divertido. O show do Cine Joia em São Paulo foi memorável. Eu já tinha me despedido da banda a um ano atrás quando saí/fui saído. Então essa tour de despedida foi um momento de curtição, de saber que um ciclo importante das nossas vidas estava se encerrando e que tudo bem, a vida e o rock continuam de outras maneiras, porém com o entendimento de que já havíamos tido e dado o suficiente como banda. E a gente mantém contato sim, somos como Irmãos, foi muito tempo juntos, 20 anos, muitas coisas boas passamos e aprendemos. Acho pouco provável que a banda volte, mas nunca se sabe. Estou vivendo o “hoje” e feliz com o que está rolando, então eu não penso muito nisso, sigo em frente.

Em 2016 a Cachorro Grande abriu um show dos Rolling Stones em Porto Alegre, foi o maior show da sua carreira? Como foi essa experiência?

Foi com certeza o mais emocionante, por vários motivos. Estar no mesmo palco que nossos maiores ídolos, sendo esse palco no estádio que eu frequentei desde criança (o Glorioso Beira- Rio), na nossa cidade natal, jogando em casa com a torcida a favor, galera se emocionando com a nossa emoção de estar ali naquela situação de tocar no mesmo palco dos Rolling Stones. Depois ainda conhecemos eles e trocamos Abraços, drinks e sorrisos. Foi um momento realmente muito especial de varias maneiras, beijei as artroses do Keith Richards… Já estou com saudade daqueles velhinhos serelepes, louco para ver eles novamente em ação!

Sobre a cena de rock gaúcha, ainda existe? Qual sua opinião sobre a cena musical atual no Brasil?

Sempre vai ter uma galera indo e vindo, e se a pessoa procurar sempre acaba achando coisas legais. Agora cena ? Não sei se existe. Do Sul tem os Los Marias, a Yellow Boulevard, a Dóris Encrenqueira .. ótimas bandas ! Do resto do Brasil tem a My Magical Glowin Lens, a 8080, Da Parte, Veronica Magalhães… só procurar que acha coisa boa. Mas boa parte do público acaba optando por velhos dinossauros conhecidos porque tem preguiça do novo, preguiça de procurar. Muita gente prefere ir num show do Pearl Jam Cover do que apoiar uma banda local ou nova e assim criar uma cena. Mas é cíclico, logo o Rock vai voltar à evidência novamente e as coisas vão ficar melhores para os apreciadores do gênero. Quem gosta de verdade de Rock n Roll vai ouvir isso a vida inteira. Se boa parte da nova geração não se interessa, azar é o deles, não sabem o que estão perdendo (risos). Porém, sempre vai nascer pessoas para quem o Rock n Roll faz/fará o mesmo sentido que faz para a gente, aquela paixão indescritível, aquele som que faz o sangue correr mais quente pelas veias. É bom se identificar com quem também sente isso, se conectar com essas pessoas. Rock n Roll is here to stay.

Como foi a recepção do público com sua carreira solo?

Foi massa , já tenho a carreira solo a um tempo, funcionava paralela à banda, mas ano passado saí da banda e me dediquei tempo integral e está sendo bastante prazeroso. É como começar novamente, tocar canções as quais o público não está acostumado e sacar a reação das pessoas. A galera está conhecendo, se familiarizando e a gente também. E acho massa que o público dos nossos shows está pirando nos guris da banda, no Papel e no Barretto: a turma enlouquece vendo eles tocar, adoro isso.

Quais seus planos futuros? Um terceiro álbum solo está a caminho? O que podemos esperar?

Os planos futuros é continuar na estrada, nesse primeiro momento ainda divulgando o álbum “Chumbo & Pluma” através dos shows e clipes (além do clipe de “Me Recuperar”, está em andamento o clipe da música “Purpurina”).  Mas já estamos no estúdio preparando o meu terceiro álbum solo, que provavelmente vai sair em seguida, com 10 novas canções que expressam esse período maluco e intempestivo que passei de um tempo pra cá. Inclusive estamos testando algumas musicas novas nos shows e a galera tem curtido muito. Então em breve teremos muitas novidades.

 

Próximos Shows:
07/09 – Beco – São Paulo

20/10 – Sesc Interlagos – São Paulo