Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

Macaco Mostarda mostra toda sua energia e falta de limites no clipe de “Carranca”

26 de março de 2018 0 Por João Pedro Ramos

O trio Macaco Mostarda define seu som como uma mistura de punk com soul, ou jungle rock, indicado pelos próprios por falta de um nome melhor. Talvez a energia e falta de limites dos primatas seja a força motriz da banda de São Paulo, formada nas últimas horas de 2014.

Formada por Lino Colantoni (vocais e guitarra), Carlos Sanmartin (baixo) e Renato Murakami (bateria), a banda acaba de lançar o clipe de “Carranca”, um dos diversos singles que pretendem lançar este ano. “A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe”, conta Lino. “Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas”.

Conversei com ele sobre o clipe de “Carranca”, a carreira da banda e os planos de singles para 2018:

– Me conta mais sobre este novo clipe. Foi feito em casa?

Foi sim! A gente gravou na real na casa de uns broder. A gente ficou durante um mês mais ou menos só fritando em cima de uma ideia pra esse clipe, a gente queria algo simples, que fosse possível a gente mesmo produzir, e que remetesse a ideia do que é a banda ao vivo! Um dia eu tava com esses meus camaradas tomando uma breja nessa goma do clipe, e comecei a sacar que ali era o lugar ideal pra gente rodar! De cara eles ficaram meio receosos de deixar a gente rodar o clipe lá, porque a gente é realmente muito enérgico tocando e as vezes até perde um pouco o controle… Mas é uma galera muita parceira. No fim o prejuízo foi pouco, só um lustre arrebentado e umas almofadas furadas.

– Ah, são perdas tranquilas, até (risos). Como a banda começou?

Eu tinha umas composições engavetadas e queria levantar elas com uma banda, não sozinho. Eu sempre curti ter banda, tenho banda desde os 15 anos, só que eu estava sem banda a uns anos, e ali achei que era o momento de montar outra. Eu e o Carlos (baixista) já fazíamos um som juntos, a gente tirava uns covers, mas só de brincadeira, a Macaco Mostarda ainda não existia. Eu tentei montei essa banda algumas vezes, e foram muitas tentativas frustradas, até o dia em que eu tive que tirar o terceiro baixista da banda e eu pensei “Mas que porra que eu to fazendo? por que eu ainda não chamei o Carlos pra tocar comigo?” Ali eu conversei com ele e falei “Velho, tô de saco cheio de tocar cover, quero levantas uns sons próprios” e ele topou na hora! A gente já tinha o primeiro batera, e dali pra frente começou a brincadeira.

– E o nome Macaco Mostarda?

Foi inspirado numa música da banda Joe Strummer and The Mescaleros, chamada “Johnny Appleseed”. A gente pensou em dar o nome da banda de “João Semente de Maçã”, mas a gente descobriu que já tinha uma banda gospel com esse nome, até por se tratar de uma história biblica. Daí o itinerário de maçã pra mostarda e do João pro Macaco eu já não me lembro muito bem, mas sei que o ponto de partida foi esse (risos). Quando surgiu na mesa o nome Macaco Mostarda, a gente pirou na imagem e fechou a ideia! A gente escuta com frequência que a nossa performance ao vivo remete muito ao comportamento enérgico dos macacos, e por esse motivo muita gente acaba achando que o nome vem daí. Mas embora essa não tenha sido nem de longe a nossa intenção, até que fez algum sentido e a gente acabou gostando dessa associação.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram!

A gente tem uma demo, que foram as primeiras composições, aquele do disquinho de capa amarela e preta. Feito na independência total, a gente curte ele por ser o primeiro e tal, mas existem planos de regravar os sons que estão lá, até por conta da troca de baterista que a gente teve no ano passado, a banda mudou
muito de lá pra cá e a gente tem muita vontade de regravar com a mão do Renato (atual batera). Mas são músicas que a gente curte demais, toca todas nos shows ainda e foi uma demo gravada com muita raça e muita paixão. Temos o primeiro single que a gente lançou, chamado “Boca do Estômago”, totalmente independente também, mas esse com mais punch, mais qualidade e mais maturidade também. Foi uma composição minha que surgiu de repente, em uma hora e meia a música tava pronta, eu mandei mensagem pros caras e falei “vamo gravar?” e os caras abraçaram a ideia. Dois meses depois (corre independente é demorado) a gente tava lançando ela. E agora a gente lançou o single “Carranca”, que é nossa primeira faixa gravada com o Renato (atual batera), nosso primeiro clipe e nosso primeiro som lançado em parceria com nosso produtor, Guilherme Real. A composição é antiga, mas a música foi toda repensada em estúdio pra ter a cara da banda na fase em que ela tá mesmo. Esse single faz parte de uma série de singles que a gente deve lançar durante o ano.

– Pode me adiantar alguma coisa sobre estes singles que virão?

O próximo som a gente deve lançar em maio, se chama “Revoluções e Mentiras” e tem uma assinatura funk que a gente particularmente gosta muito, tem participação da Thai Borges nas percussões (que estão pesadíssimas por sinal), uma amiga nossa lá de Curitiba. E nossa primeira balada deve vir na sequência, mas não espere nada muito arrumadinho porque nosso negócio é um groove barulhento (risos). Tem mais som por vir, mas por enquanto, o que dá pra adiantar legal são esses. Os outros estão em processo e a gente tá trampando neles sem pressa.

– Como você definiria o som da banda?

Por mais clichê que isso vá soar, eu preciso dizer que essa é sem dúvida umas das perguntas mais difíceis de se responder sobre a Macaco. A gente tenta, no momento da criação, não definir uma sonoridade específica pra buscar, a gente simplesmente toca, e o que estiver soando no nosso inconsciente. Vai soar no som que a gente tá fazendo. Sei que é uma reposta vaga, mas se eu tivesse que definir o nosso som de alguma maneira, eu diria que a gente é uma banda punk que entrou disfarçada num baile soul. Punk porque a gente é barulhento e segue a risca o DIY e soul porque se tem um estilo que contempla a todos da banda é esse, e de alguma forma, ele tá sempre povoando nosso imaginário nos momentos de criação.

– Quais as maiores inspirações musicais da banda?

Cada um tem um gosto muito particular, mas a gente divide de algumas referências: Jimi Hendrix, Stevie Wonder, The Police. Nacional a gente gosta muito de Caetano Veloso, Tom Zé, Novos Baianos…
Eu principalmente, escuto muito rap desde muito novo. então acho que é uma das principais influências também.

– Como vocês veem a cena independente, tão prolífica hoje em dia?

A gente gosta muito da cena, principalmente porque o rock tá vivendo de novo um momento underground. Os grandes veículos não estão focados no rock agora, e isso é ótimo pra manutenção do gênero. As bandas podem explorar mais, ter mais autonomia de criação e muita coisa nova vai surgindo dessa experimentação. Eu diria que é um momento de reinvenção necessário pro rock que ficou durante um tempo cristalizado em fórmulas ultrapassadas.

– Ou seja: essa “baixa” do rock no mainstream é necessária pra uma possível volta à grande mídia/grande público?

Talvez sim, talvez não. Eu acredito que tudo é cíclico. Mas acho que o artista que escolheu o rock como plataforma tem que se preocupar em inovar, em buscar alguma originalidade, não se preocupar com a ascensão do gênero nem nada do tipo. O rock por ter sido mto bem tratado durante mto tempo entrou numa zona de conforto, e acho que o momento é bom pra que ele saia desse lugar. O momento tem que ser de união, as bandas precisam voltar a pensar de forma coletiva.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende começar a produzir o próximo clipe, continuar gravando novos sons e estamos produzindo uma nova edição da “Festa da Macacada”. É um festival que a gente faz com bastante artista parceiro pra arrecadar fundos pra alguma instituição ou algo do tipo.

– Fala mais dessa festa.

A gente gosta de colocar a banda a serviço de alguém ou de alguma coisa. E disso surgiu a ideia de fazer esse evento beneficente pra levantar fundos. Em 2016 trabalhamos com uma ONG que ajuda refugiados sírios, esse ano a gente queria trabalhar com eles de novo mas parece que a ONG fechou por falta de verba. Porém, algumas famílias ainda precisam de ajuda e a gente vai organizar outra festa pra levantar essa grana pra eles. Nossa vontade é fazer esse.tipo de evento com mais frequência, essa é o tipo de coisa que a gente tem muito tesão de fazer. Eu tô negociando com espaços pra ver onde e quando pode rolar. A princípio tenho uma data que é dia 21 de abril. Mas ainda pode mudar porque estou negociando com espaço e as bandas e artistas participantes. A ideia é sempre unir várias artes e fazer um evento divertido e com propósito pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sr. Apache. Eles e Anna Sátt, Malaguetas, João Perreka e os Alambiques, Picanha de Chernobill, Cankro, David Alexandre, tem dois caras de Guarulhos que eu acho que são fundamentais pra cena de hoje (junto com o João Perreka) que é o Victor Carvalho de Lima e o Guilherme Papini, Aláfia, Mutum, As Bahias e a Cozinha Mineira, Rincón Sapiência (que apesar de estar estourado ainda é independente). muita gente na independência mandando muito bem.