Londrinos do Oh! Gunquit não deixam pedra sobre pedra em seu primeiro disco de ‘rumble pop’, “Eat Yuppies and Dance”

Londrinos do Oh! Gunquit não deixam pedra sobre pedra em seu primeiro disco de ‘rumble pop’, “Eat Yuppies and Dance”

19 de março de 2015 0 Por João Pedro Ramos

unnamedO quinteto Oh! Gunquit define o som da banda em seu release como ‘rumble-bop trash blitz freak-a-billy’. Acho que talvez esta seja mesmo a melhor forma de descrever o barulho dos londrinos: é algo como se você colocasse o Cramps, o B-52’s, R&B dos anos 60 e um pouco de surf music cheia de monstros numa coqueteleira e chacoalhasse por alguns minutos.

A banda acaba de lançar seu primeiro disco “Eat Yuppies and Dance” pelo selo londrino especializado em garage rock Dirty Water Records. A banda está fazendo uma tour promovendo o disco, e já teve inclusive a presença ilustre de Adam Ant invadindo o palco de uma de suas apresentações. O álbum dos rockers ingleses foi gravado de forma analógica no Gizzard Studio no Leste de Londres.

Conversei com Tina e Simon, o duo que encabeça a banda, sobre sua trajetória, os Cramps e o tal “rumble-pop”:

– Como a banda começou?

O Oh! Gunquit começou em 2010. Nós (Tina e Simon) éramos vizinhos nos conhecemos em uma noite doida em que dançamos até amanhecer no porão deum pub do norte de Londres em uma casa noturna chamada Nitty Gritty e decidimos formar uma banda influenciada por garage punk, surf e o R&B dos anos 60.

– Como surgiu o nome Oh! Gunquit?

Nosso nome veio em parte de uma cidade no Maine, nos Estados Unidos, que tem sido uma colônia de artistas desde 1800, nomeada pela tribo de índios americanos Abenaki – gostamos de como o nome se parece com a ideia de todas as armas parando.

– Podem definir o “rumble-pop” de seu som?

Nós chamamos de “rumble-bop” porque isso mais ou menos representa os muitos estilos musicais que gostamos e misturamos e sacudimos até que entre em erupção como uma briga de gangues adolescentes com diversão em vez de violência!

unnamed2– Quais são suas principais influências?

Principalmente os renegados musicais, aberrações e renegados desde o final dos anos 50 até o punk dos 70 como The Fugs, Bo Diddley, B-52’s do começo, Fela Kuti, The Kinks, The Sonics, X-Ray Specs, The Monks, além de tanto outros artistas da época, surf music esquisistas dos anos 60, afrobeat dos 70s, garage psych nuggets, discos crus e selvagens de R&B… Nós pegamos ideias de músicas que descobrimos mais do que de bandas específicas, eu acho.

– Eu percebi que sinto algo meio “Crampsy” em suas músicas. A banda de Lux Interior e Poison Ivy é influência para vocês?

Sim, nós amamos os Cramps! Além de serem uma grande banda, eles eram verdadeiros amantes e colecionadores de música que ajudaram a trazermuita música underground que não havia sido descoberta para um público maior. Além disso, eles tinham um estilo único de rock’n’roll  e seu show na Napa State Mental institute é um dos melhores shows de todos os tempos!

– Como o som da banda evoluiu desde que começaram?

Começamos como um trio de bateria, guitarra e vocais. Depois adotamos o saxofone e algumas mudanças de formação (alguns bateristas!). Acrescentamos baixo, trompete e em alguns momentos, órgão. Nosso som ficou maior e mais cheio agora com nossa formação de 5 pessoas. Continuamos sendo flexíveis e constantemente tentamos novos sons e estilos para manter as coisas frescas e divertidas mas sempre com a atitude Oh! Gunquit!


– Vocês acabaram de lançar seu primeiro disco, certo?

Sim, nosso primeiro disco, “Eat Yuppies & Dance” acabou de sair pelo selo underground de garage-rock Dirty Water Records. Espero que gostem!

A capa de "Eat Yuppies and Dance"

A capa de “Eat Yuppies and Dance”

– E como é o processo criativo da banda?

Geralmente Simon (guitarra/vocais) aparece com um riff solto e Tina (vocal/trompete) trabalha na melodia e outras partes. Depois disso a gente pega o esqueleto da música e leva para o ensaio com o resto da banda, Alex, Kieran e VeeVee, e batemos nela até ganhar forma. Ouvimos de novo para ver o que funciona e o que não funciona e fazemos esse processo novamente até termos algo que gostemos e que faça nossos ossos se mexerem.

– Onde vocês veem a banda em 10 anos?

Continuaremos fazendo música que é exótica e excitante, que tenha energia, coragem e que continue surpreendendo a nós e ao público. Também gostaríamos de continuar na Gold Pony e continuar tocando ótimos shows no maior número de lugar possível!

– Que novas bandas chamaram a atenção de vocês ultimamente?

Aqui em Londres nós amamos o Fat White Family, Slaves, Phobophobes e PINS, e da Europa The Mentalettes, King Khan & The Shrines e The Jackets são grandes bandas pra se ver ao vivo.

– Podemos esperar uma visita do Oh! Gunquit no Brasil em breve?

Adoraríamos! Ainda não temos nada marcado, mas vamos ver a repercussão do disco novo!

Ouça mais do ‘rumble-bop trash blitz freak-a-billy’ do Oh! Gunquit no Soundcloud e no BandCamp: