List-O-Mania #3 – 5 Canções  sobre fases da vida

List-O-Mania #3 – 5 Canções sobre fases da vida

3 de novembro de 2015 0 Por Daniel Feltrin

List-O-Mania, por Daniel Feltrin

Acho que todos que leem este site cresceram ouvindo músicas. Eu posso dizer que, se não fossem certas músicas e certas bandas, não sei como teria aguentado certos momentos da vida. No post de hoje escolhi cinco canções que citam em algum momento alguma idade da vida, desde a adolescência até a “maturidade”. Coloquei maturidade entre aspas, pois esse é um termo polêmico que nesse post vêm com a idade simbólica de 33, cobrindo assim a faixa etária de 20 anos. Usei – como não poderia deixar de ser – um ponto de vista pessoal e as canções não tem relação entre si a não ser pela ordem cronológica.

Won’t you let me walk you home from school – Thirteen do Big Star é uma das canções mais bonitas de todos os tempos. Como uma bela balada poderosa ela abusa dos violões dedilhados e do vocal melódico e atormentado de Alex Chilton. Na versão que pus aqui a dramaticidade corre solta na voz do Elliot Smith. O sentimento é da nostalgia gostosa do tédio ansioso da adolescência. O primeiro amor, a primeira rebeldia, a primeira canção.

Is it because I lied when I was 17? – Why Does It Always Rain on Me não é só mais uma balada sensacional do Travis. O grupo escocês que desfila petardos pop pela carreira tem nessa canção seu melhor exemplo. Reflexiva, a canção faz um olhar retroativo para a vida. Penso nela hoje, aos 30 e a tenho ouvido mais do que ouvi há mais de 15 anos quando foi lançada. É o tipo de canção que a gente entende quando a idade e as porradas da vida vem e vão embora, deixando marcas.

Nobody likes you when you’re 23 – Se a canção anterior fala de uma idade do ponto de vista de alguém mais velho, essa canção do Blink 182 me lembra de um tempo em que ouvir esse tipo de canção descompromissada fazia sentido. What’s My Age Again é um questionamento bom quando a gente se sente o rei do mundo, mas no fim não sabe nem onde está. E no fim aos aos 23 ninguém gosta mesmo de você, a segunda adolescência dos vinte anos começou e você ainda não fez nada da sua vida a não ser requentar velhas canções.

You know I dreamed about you for 29 years before I saw you – Slow Show é uma das canções mais fantásticas do The National. O retorno de Saturno chega a todos e essa é a idade que a gente pensa que tudo que vivemos até agora vai passar. A canção tétrica e grave que fala sobre ansiedade e o conforto de ter alguém pra quem possa se fazer um show particular de amor, mesmo que esse show cause pânico. Mas de repente, assim como navida, tem uma mudança brusca de ritmo e termina com essa frase melódica mais serena e “madura” ao piano. Pessoalmente conheci alguém com quem sonhara depois de 29 anos de vida, mas gosto de pensar hoje nessa canção como uma reflexão sobre mim mesmo.

So I turn my colar up and face the cold – Thirty-three do Smashing Pumpkins acabou de completar 20 anos. A mesma distância etária que propus para este post, mas acreditem! não foi planejado, mesmo que tenha sido ela que me deu a ideai para o tema de hoje. Essa é uma canção que ultimamente vem me intrigando. Os 33 são estão perto, dia 21 faço 31 e esta talvez seja a última canção simbólica que quero cantar em um aniversário, depois não sei mais. É um mundo novo o da “maturidade” e é disso que a canção fala. 33 é uma idade simbólica. É a idade que Cristo morreu. Simboliza a morte e o renascimento em algo mais durador e eterno. Não é à toa que Tolkien usou essa idade para denotar que os seus hobbits se tornavam adultos. O Hobbit foi a inspiração de Billy Corgan, mas a canção também fala sobre o amanhã, o futuro e enfrentar o frio, sozinho. Mas não de uma forma pejorativa, mas como senhor de si mesmo e sem medo. O amanhã é apenas uma desculpa. Aos 33, então!