Letuce apresenta seu versátil terceiro disco, “Estilhaça”, produzido por João Brasil. E disponível para download gratuito!

Letuce

Capitaneado por Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, o Letuce lançou em julho seu terceiro disco, “Estilhaça”, gravado na YB Music, em São Paulo, com o DJ e produtor de primeira viagem João Brasil. O ex-casal preparou 11 faixas que passeiam entre o folk, o pop, o rock, o lounge e a MPB.

Com os discos “Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim” (2009) e “Manja Perene” (2012) na bagagem, o Letuce está na estrada desde 2007, quando Letícia e Lucas se apaixonaram e criaram a banda. Mesmo com a separação dos dois em 2013, a parceria musical permanece, embora um pouco deste fato acabe refletindo em algumas canções.  Em entrevista a’O Globo, Letícia falou que “as músicas novas não estão tão solares, mas também não estão de cortar os pulsos”.

Conversei com Letícia sobre o disco “Estilhaça”, a carreira da banda e o inclassificável som do Letuce:

– Como a banda começou?
Lucas e eu nos conhecemos em 2007, ele tinha a banda Binário, eu tinha uma bandinha de rock e de música eletrônica. Nos apaixonamos e foi muito natural começar a compor, aconteceu. Em 2008 fizemos nosso 1 show, e tudo fez muito sentido, tanto pra mim quanto pra ele. Nossa parceria musical tem um encaixe bem curioso e forte.

– Como vocês definiriam seu som?
O mais legal é quando as pessoas não sabem como definir nosso som. Quando a gente lê “a inclassificável banda Letuce”, a gente vibra. Maravilhoso isso.

Letícia Novaes, do Letuce

– Quais são suas maiores influências musicais?
Puxa, são muitas. Desde Bach, Beethoven até Led Zeppelin. Amo muito PJ Harvey também, Bethânia, existem todos esses grandes, que crescemos com eles, mas não penso neles na hora de compor, do tipo ‘AH, o que PJ faria…”, não é assim. Eles já estão dentro da gente, então flui.

– Me falem um pouco mais sobre o último disco, “Estilhaça”.
Foi um disco que demorou 2 anos para ser feito, desde a composição, até a elaboração, produção, gravação, mixagem. Demorou porque foi necessário, Lucas e eu nos separamos, então foi natural a gente ter colocado a banda um pouco em suspensão, cada um foi viver suas coisas, mas sempre com a ideia do 3 disco, de repente pintou um tempo em comum para todos, o que é bem raro e caímos dentro. Quis chamar o João Brasil, com quem já tinha trabalhado, para produzir, ele nunca tinha produzido um disco, mas isso não importava, porque ele é um DJ e músico maravilhoso. A energia dele foi bem solar, e isso nos ajudou muito. Foi maravilhoso.

– Como a banda evoluiu desde o primeiro álbum, “Plano De Fuga Pra Cima dos Outros e De Mim”?
Falando por mim, evoluí muito e hoje em dia tenho vergonha de ouvir minha voz no primeiro disco. Fui muito audaciosa, não me arrependo pois era um movimento especial e importante para a época, mas não consigo ouvir minha voz. Me desenvolvi muito mais, fiz aula de canto, fono, me descobri por dentro, por fora, estudei minha voz e me sinto bem melhor com ela agora. Cresci, né? Lucas também, virou um grande produtor e agora até bateria ele já toca e está estudando trompete, ele é um monstro, toca tudo. Os músicos também, hoje em dia, a participação deles é bem mais forte, chegam junto total. Somos muito amigos e isso aparece nos shows.

– O que vocês acham da música que faz sucesso atualmente no Brasil?
O que faz sucesso? Sertanejo universitário? Funk? Olha, não consigo generalizar pois rolam uns funks bem legais, e sertanejos idem (tem uma música do Luan Santana que eu gosto (risos)). Claro que já criaram um molde, vira uma máquina, tenho muita pena de uns guris do interior que ficam malhando braço e fazendo tatuagem e dizendo que querem cantar sertanejo universitário. Não é assim, né? Vai estudar violão, vai cantar sozinho num bar pra 6 pessoas, aprende-se muito assim. Vai ouvir músicas que você acha que não tem a ver com você, isso é impressionante também. A mistura, a contaminação que você pode ter, sem querer, com várias influências.Vez ou outra, ouço Paulinho da Viola, não tenho nenhuma música assim no meu disco, mas ouvir aquilo me causa um encontro que deixa marcas.

– Vocês já foram rotulados como “nova MPB”. Vocês acreditam que este rótulo é visto com desdém?
Tentamos não dar trela a isso, mas é meio lamentável a falta de atenção e valor que dão a alguns artistas hoje em dia, e continuam endeusando os deuses (claro) Chico, Caetano. Não há dúvida. Mas a música não parou ali. Tem muita coisa linda acontecendo agora, nesse exato momento.

Letuce

 

– O que vocês acham da explosão dos serviços de streaming e a “morte” das gravadoras?
Acho que tudo tem um ciclo e nada mais normal do que isso acontecer. E daqui a pouco as cias telefônicas também vão ter que rebolar por conta do Whatsapp, (já estão!), o mundo está em constante transformação e quem ficar defendendo o passado, vai se lascar.

– Quais são os próximos passos do Letuce em 2015?
Fazer muitos shows com o “Estilhaça”. A gente nunca conseguiu tocar no Nordeste e isso é muito triste pra gente, pois sabemos, através das redes que rolam vááários pedidos. Mas nunca casa de rolar. Passagens caras, pouco incentivo, muito complicado. Nosso sonho seria mesmo tocar no Brasil todo, mas mini turnê no Nordeste, aliviava minha alma.

 

– Recomendem algumas bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Séculos Apaixonados, Biltre, Mohandas, Duda Brack, Eu você e a Manga, Quarto do L.

Ouça o disco “Estilhaça” aqui. Pra baixar, é só clicar aqui:


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