LETO mostra seu pop divertido e versátil no colorido clipe do single “Johnny”

LETO mostra seu pop divertido e versátil no colorido clipe do single “Johnny”

1 de julho de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Filha de músicos eruditos, Letícia Cury, a LETO, cresceu com a música correndo no sangue, começando a compor desde os 10 anos. Porém, a carreira profissional veio anos depois, em 2017, quando trancou a faculdade de artes cênicas e foi com tudo atrás de seu sonho. Trocou a universidade pelo curso de produção musical, mergulhou na música eletrônica e aprendeu a criar bases instrumentais que casam perfeitamente com suas letras bem construídas e muito bem humoradas. Recentemente ela lançou o clipe da música “Johnny”, música que fará parte de seu primeiro disco, “Bad Chic”, gravado no Estúdio Freak e com previsão de lançamento pelo próprio selo do estúdio em breve, com produção de Nico Paoliello (Garotas Suecas, Mel Azul, VRUUMM, 2DE1), André Bruni (Mel Azul, Bruno Bruni, Cupin, Pessoas Estranhas) e Antonio Carvalho (Mel Azul, Cupin, 2DE1).

“Eu sempre vi Johnny um pouco como Jonah Hill em Superbad”. Minha ambição com o clipe era brincar com essa estética (apesar de no final ter ficado mais Pablo Escobar, rapper bicheiro-como descreveu meu pai)”. Quem faz o papel de Johnny no clipe é o próprio, amigo de LETO que inspirou a letra, que anteriormente era “secreta”. “Sentamos e mostrei a música, bem constrangida. No final, ele disse: “é isso? Pensei que era pior”’.

– Me conta mais sobre a música e o clipe de “Johnny”!

Johnny é meu melhor amigo e faz muito tempo que a gente se conhece. No início de 2017, quando eu comecei a produzir músicas, me veio a letra na cabeça com muita naturalidade e em 10 minutos a canção tinha nascido. Lembro de ser bem gostoso e divertido de escrever e, ao mesmo tempo, tinha um alto nível de identificação com grande parte das pessoas que fazem parte desse universo da playboyzada universitária no começo da vida adulta. Era pra mim, porém, uma coisa bem despretenciosa e eu não tinha pensado em torná-la pública em algum momento. Na época, eu colocava todas as minhas produções em um SoundCloud secreto, ao qual só tinham acesso pessoas muito próximas a mim. “Johnny”, porém, viralizou de alguma forma, até que chegou aos ouvidos do próprio Johnny. Eu lembro de ele aparecer em casa e me perguntar “que história é essa de uma música pra mim no seu soundcloud secreto?” Sentamos e mostrei a música, bem constrangida. No final, ele disse: “é isso? Pensei que era pior”. Foi então que ganhei o aval para lançar “Johnny”. Quando eu comecei a gravar meu álbum, fiz questão de colocá-la no setlist; não só por gostar do fato de ela ser bem construída e bem humorada, como também por ser musicalmente bem diferente do que eu vinha fazendo. Eu gosto que ela passa essa imagem do Johnny sem julgamentos: todo mundo tem um pouco dele. Todo mundo é um pouco ele; até na questão da persona, das máscaras e facetas que todo mundo carrega consigo. Eu sempre vi Johnny um pouco como Jonah Hill em Superbad”. Minha ambição com o clipe era brincar com essa estética (apesar de no final ter ficado mais Pablo Escobar, rapper bicheiro-como descreveu meu pai). No começo, nem perguntei pro Johnny se ele queria participar na certeza de que recusaria (apesar de eu querer muito e confiar que ele faria um ótimo trabalho). Minha diretora, no entanto, Anna Penteado, foi mais rápida do que eu e falou com Johnny, que topou e se revelou um belíssimo ator, de talento nato. Estamos vendo esse clipe como a entrada de Johnny no mundo do entretenimento.

– Já que você falou deste começo, como rolou usa entrada no mundo da música? Os sons deste Soundcloud secreto acabaram indo pro seu trabalho atual, além de “Johnny”?

Eu venho de uma família de instrumentistas, portanto a música sempre teve um papel muito grande na minha vida.
Desde pequena, eu sentava no piano, compunha canções e cantava; assim cresci. Quando eu percebi que não queria ser atriz (na época eu cursava faculdade de artes cênicas), passei por um pequeno breakdown e, ao reavaliar minhas escolhas, percebi que música era uma das únicas coisas que eu fazia por amor e não obrigação. Investi em um curso de produção musical e comecei com essas canções bem despretensiosas, que foram crescendo; as pessoas começaram a gostar e eu comecei a sentir muito prazer construindo essa atmosfera. Assim veio a forte sensação de que eu havia encontrado minha vocação (encontrado não, porque ela sempre esteve comigo). O meu professor na época era também produtor e me ofereceu gravar um EP, o qual passei produzindo pela segunda metade de 2017. Ele nunca foi lançado. Bem no início de 2018, quando tudo ainda estava um pouco nebuloso pra mim (eu sabia aonde queria chegar, mas não sabia muito bem como), conheci o Estúdio Freak. Foi amor à primeira vista e logo começamos a produzir meu álbum. Cheguei lá com todas as minhas produções bem capengas, gravadas com o microfone do meu fone, sem nenhum tipo de mix e alguns bons momentos de som estourado e coisas fora do lugar (todas as obras que habitavam meu soundcloud). Começamos a lapidar todo o material e, durante o processo e diante todas as possibilidades, fui trabalhando em novas músicas, novas pegadas e estilos. Eles me convidaram para fazer parte do selo e assim entrei nesse mundo do showbizz, comecei a me apresentar, conhecer gente e entender melhor como funciona tudo no mundo da música (no qual eu caí de paraquedas). Agora, depois de um ano e meio, acabamos de finalizar meu álbum de lançamento, que tem previsão para o final desse mês.

Leto

– Que bandas e artistas você citaria como suas principais influências?

Eu sempre gostei muito de rap e dentro dessa categoria sempre admirei o Kanye West por ser também um produtor. Gosto muito de Kendrick e sou muito fã de Tyler, the creator. Meu trabalho, porém, tem influência desde Erika Badhu até nomes mais recentes que se instalaram na categoria do avant pop como Kali Uchis, Nathy Peluso, Angele, ABRA, Sevdaliza e Yaeji. Tenho também um pezinho no jazz, sempre fui muito fã de Ella Fitzgerald, Billie Holliday e Amy Winehouse. Mas sou bastante pop também, adoro um hit anos 2000, uma Britney, Justin Timberlake, Black Eyed Peas e por aí vai…

– Me conta mais sobre esse EP que você falou!

O EP na verdade nunca foi lançado. As coisas tomaram outro rumo no processo e, quando vi, havia entrado em outro estúdio e já estava de olho em construir uma nova identidade com o álbum. Quando a gente estava terminando de gravar o disco, eu decidi colocar duas músicas desse EP fantasma nele. A gente regravou e reproduziu pra deixar com a cara do álbum. Eu tenho muita referência gringa, principalmente nessa escola avant pop que eu falei mais cedo. É uma área que fica bem entre o indie e o mainstream. Pelo movimento que eu observo no mundo e artistas que acompanho, percebo esse gênero pipocando e crescendo cada vez mais, criando esse novo pop. É esse o pulo do gato que eu quis pegar no Brasil. Ainda não vejo gente por aqui trazendo esse gênero musical, ou, se traz, não o faz em português. Não gosto muito de definir o estilo do meu trabalho, porque acho que ele transita por muitas esferas. Não é um pop, não é um trap, não é um groove ou um R&B. É tudo junto e misturado, criando essa atmosfera que acredito ter muito espaço a ser ocupado na música brasileira.

– Você acha que as pessoas têm medo de misturar?

Eu acho que aqui cabe aquela frase bem clichê sobre o medo do desconhecido. Eu acho que as pessoas se sentem mais seguras dentro de um gênero, dentro de um estilo. Acho que misturar é muito inovar, e inovar é difícil porque pode muito bem ser mal visto, escandaloso ou não aceito. A inovação abre muitas brechas, positivas e negativas, porque não se sabe como as pessoas vão reagir. Por isso é necessário muita coragem e auto confiança pra fazer uma coisa diferente, ousada, que as pessoas não viram/ouviram/sentiram antes. Elas podem pensar qualquer coisa. Mas na real, acho que esse é o verdadeiro sentido da arte. O que eu sempre admirei em artistas foi autenticidade. Eu gosto de gente autêntica, gente que fala o que pensa, gente que surpreende, gente que mistura, gente que não tem medo.

– E quando poderemos ouvir o disco e o que você pode adiantar dele?

O disco saiu hoje para masterização. Deve ser lançado no final desse mês ou começo de junho.
De “Sugar Mama” pôde-se esperar algo novo e o considero um statement musical e estético bastante forte.
É um trabalho original que transita por narrativas tanto sérias quanto bem humoradas, conta histórias de amor, de desamor, amor próprio, medo, autoconhecimento e auto aceitação, sempre numa linguagem acessível e até um pouco chicletosa. As batidas, produzidas inicialmente por mim e depois lapidadas no estúdio, mesclam bem o acústico e o eletrônico e carregam elementos que vão desde baixos 808- muita referência do rap, até instrumentos eruditos, como por exemplo fagote- gravado pelo meu pai. Contei com todo apoio dos meus músicos-produtores André Bruni (Bruno Bruni), Nico Paoliello, Antônio Carvalho e Pedro Luce, e assim fizemos um álbum com 12 músicas para se rir, chorar, dançar, beijar e cantar junto. Estou muito animada com o lançamento.

– O clipe de “Johnny” é sensacional, então só posso torcer para que façam mais clipes desse disco!

Que bom que gostou! E sim, temos muitos projetos e muito material audiovisual ainda por vir! Temos que ver se Johnny topa participar…

– Como você vê a cena independente hoje em dia?

Eu acho uma área bem difícil, pra ser sincera. Por isso mesmo tenho a ambição de levar minha música para muito além dela. A grande maioria de artistas brasileiros que admiro são também independentes e acho que nesse mundo as coisas precisam ser colaborativas, senão não flui. Acho que precisa se ter coragem para ser independente porque é isso; não existe garantia, não existe segurança e, como já disse um amigo meu “indie não paga as contas na maioria das vezes”. Acho que falta visibilidade, é difícil expandir, é difícil sair da bolha. Acho que as casas de show muitas vezes não oferecem um som de qualidade, não pagam no prazo, entre outros perrengues desse mundo.
E, ainda assim, acho que ainda existe muita panelinha, muita gente mal intencionada, muita competição e comparação. Mas isso que é o mundo da música. Quando comecei a fazer show, me senti mal muitas vezes por ser uma mulher no palco bancando uma coisa diferente; como se eu não pertencesse ali. Já fui destratada por técnico de som que me desprezou por ser uma mulher sozinha, já fui gralhada por outros músicos, sempre homens, logo depois de sair do palco. Por essas e por outras, acho que é um meio que deveria ser mais empático, por todo mundo estar na mesma luta. Acho São Paulo foda e sou muito feliz por estar nesse meio aqui, mas vejo como uma passagem pra lugares nos quais eu ainda quero chegar.

– Quais seus próximos passos?

Nesse um ano e meio gravando esse disco, não só fiz um álbum, como também cresci como artista. Sinto que agora começa meu desabrochar, me sinto pronta, me sinto disposta. Quero lançar esse álbum, fazer muitos shows e já estou com a cabeça em novos trabalhos. Tenho já um acervo com 20 musicas no meu computador e sinto que, ao perceber todas as possibilidades musicais que tenho frente a mim durante toda a produção do álbum, estou muito mais preparada para ousar mais e mais nos singles que estão por vir. Quero continuar fazendo música, quero arriscar no mainstream, quero fazer featurings, vídeos, mas, acima de tudo, quero proporcionar coisas novas ao público.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Cara, um dos melhores shows que eu já vi na vida foi o do Edgar, um rapper relativamente novo na cena.
Me fascina muito o trabalho também do Bruno Bruni, acho um som bem diferente, com muitas referências legais, um som novo no pedaço. Uma banda muito boa também que tenho acompanhado é Pessoas Estranhas, que estão lançando o primeiro EP logo menos, mas já estão quebrando tudo nos shows. Pra quem gosta de jazz instrumental, a VRUUMM é uma banda da qual eu sou bem fã. Tenho ouvido também Tuyo, Duda Beat, Clara Tannure e Jaloo!