Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

21 de maio de 2018 0 Por João Pedro Ramos

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.