Labirinto transcende o rótulo de post rock no álbum “Divino Afflante Spiritu”

Labirinto transcende o rótulo de post rock no álbum “Divino Afflante Spiritu”

28 de fevereiro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

A banda Labirinto lançou pelo selo Dissenso Records seu mais recente álbum, “Divino Afflante Spiritu”. No disco, eles continuam caminhando pelo post rock, mas aproveitam para explorar novos formatos e inspirações. Uma das novidades é a participação de Elaine Campos, veterana da cena punk brasileira, emprestando a voz para a faixa “Agnus Dei”, estreia dos vocais em uma composição da banda ao longo de treze anos de carreira. A produção do disco ficou a cargo da baterista da banda, Muriel Curi, com o apoio do produtor sueco Magnus Lindberg (Cult of Luna), sendo mixado e masterizado no Redmount Studios, em Estocolmo.

“Agnus Dei”, que em latim significa “Cordeiro de Deus”, é a música que mais sintetiza o conceito do álbum, apresentando linhas de sintetizadores junto aos riffs intensos e pesados de guitarra. Outros destaques são a mistura de bateria e percussão frenética em “Demiurge” e os cânticos e rezas praticadas por oradoras religiosas envolta por ambiências e ruídos fantasmagóricos da faixa “Vigília”.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem não conhece?

O som que fazemos é classificado por muitos estilos; post metal/rock, metal alternativo, doom, progressivo… Cada pessoas cria e usa uma nova denominação. Achamos bacana que as pessoas associem o Labirinto a diversos tipos de som e às referências musicais e culturais que cada um possui.

– A aceitação do público em bandas instrumentais têm aumentado nos últimos tempos?

Sim, aumentou bastante. Quando começamos havia um estranhamento muito grande por sermos uma banda sem vocais. Devido à internet e ao surgimento de diversas bandas instrumentais, houve um processo de naturalização do estilo.

– Como foi a decisão de incluir vocais em duas das canções do disco?

Foi um processo natural; quando finalizamos e escutamos a “Agnus Dei”, sentimos que com um vocal, a música ficaria muito mais forte, e expressaria melhor, o que sentimos, ao engendra-la. Na verdade, a consideramos como única música com vocal, pois a “Divino Affante Spiritu” possui frases declamadas, não linhas vocais elaboradas.

– Como a banda começou?

O Labirinto foi formado em 2005, após termos tocados em diversas bandas de hardcore e metal oriundas da cena underground brasileira. Sempre procuramos materializar nossos sentimentos e experiências cotidianas através das nossas composições.

– Quais bandas vocês citariam como influências de seu som?

Cada membro da banda traz consigo suas referências, que veem de diversos estilos musicais como metal, post rock, progressivo, trilhas de filme…

– Falem mais sobre o clipe que vocês lançaram.

Escolhemos fazer o clipe da “Divino Afflante Spiritu”, pois a música sintetiza todo o conceito e sentimento do disco. O vídeo e a composição foi elaborada sob um turbilhão de emoções, num momento muito difícil. Tentamos transmitir todos esses sentimentos no vídeo, de uma forma mais surrealista. Passamos o conceito e as ideias que tínhamos em relação ao vídeo para o diretor André Schutz, e ele conseguiu sintetizar tudo, de uma forma belíssima e cheia de metáforas, apesar de bastante sombria. E foi bem bacana que o video surgiu em cima da música, ele foi pensado de acordo com os momentos e sensações de cada parte, então, no final, não tivemos problemas em encaixar os riffs. Ficamos muito satisfeitos com o resultado.

– Quais os próximos passos da banda?

Fazer os shows de lançamento do álbum novo em algumas cidades. Vamos acompanhar a banda norte americana Rosetta (que estará em tour pela América do Sul) em algumas apresentações pelo Brasil, em março. Lançar um novo clipe e partir para uma nova tour internacional pela Europa, programada entre os meses de maio e junho.

– Como vocês veem a cena independente da música brasileira?

Existem excelentes bandas, produtores esforçados e alguns poucos espaços que realmente pensam nos artistas e no público do underground. As atividades culturais do underground no brasil são extremamente negligenciadas e marginalizadas pelo Estado, restando aos artistas, produtores e organizadores se unirem e engendrarem os eventos.

– O mainstream ainda é algo a ser atingido pelo rock?

Sinceramente, não deveria ser. No caso do Labirinto, nunca tivemos pretensão e aspiração a isso, até pelo tipo de som que fazemos. Nos preocupamos em elaborar músicas e sensações que nos agradem, e mostrem o que sentimos, vivemos e pensamos no cotidiano.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Existe muita coisa boa surgindo no meio do metal alternativo nos últimos tempos. Na gringa bandas já antigas, que temos como referência, como Yob, Amenra , Oathbreaker, The Ocean, Russian Circles, Cul of Luna, Sumac, que ficaram muito mais conhecidas e tocando em diversos festivais.