Italianos The Devils não economizam na blasfêmia e no rock’n’roll sujo no disco “Iron Butt”

A ala conservadora e recatada que têm ganhado as ruas do Brasil ia ficar bem brava caso o duo italiano The Devils realmente viesse para cá, como dizem querer. Formada por Erica Toraldo (voz e bateria) e Gianni Pregadio (voz e guitarra), a banda faz shows cheios de esculacho, vestidos de freira e padre, com um nada discreto consolo gigantesco preso à bateria, além de às vezes darem uns amassos nada comportados entre as músicas. Tudo isso ao som de muito rock’n’roll clássico, psychobilly e o fuzz abençoando o barulho.

Recentemente a dupla de Nápoles lançou seu mais novo disco, “Iron Butt”, pela Voodoo Rhythm Records. Produzido por Jim Diamond (The Dirtbombs, White Stripes), o disco mostra a parede monstruosa de fuzz, vocais primitivos e maldosos e uma barulheira que não deixa ninguém sentir falta de um baixo. O duo pecaminoso já tocou em festivais como Azkena Rock Festival, Cosmic Trip Festival, Munster Raving Looney Party, Subsonica Women In Rock, Beaches Brew e Clanx Festival, entre outros, e atualmente está em turnê, além de começando a maquina músicas para seu terceiro álbum. Quem se habilita a trazer os capetas italianos para o país tropical para chocar a família brasileira, hein?

– Me contem sobre o single que vocês lançaram recentemente, “Red Grave”!

Erica: “Red Grave” é nossa homenagem a Vanessa Redgrave, a linda estrela do filme “The Devils” de 1971, de Ken Russell, de onde tiramos o nome da banda. Ele fala dos eventos reais ocorridos em 1634, é um filme que faz você se perguntar como poderia ser possível que em 400 anos nada tenha mudado. Realmente nos impressionou porque é definitivamente realista, e ainda hoje um terço da população do mundo é manipulado por um estado soberano de 605 habitantes que usa um espantalho chamado Satanás para pegar todos pelas bolas e gerenciar seu poder. Sendo ateus e desprezando a educação católica depois de assistir a este filme, não poderíamos deixar de ficar muito animados com o single.

– E o último disco, “Iron Butt”?

Erica: O novo álbum é muito mais selvagem, alto, insano e bem tocado. É uma imagem mais clara do que fazemos, o primeiro registro foi mais uma “wild card”. Não foi tão difícil de conseguir… Na verdade, veio naturalmente. Nós tocamos tanto que as músicas surgiram facilmente. Durante passagens de som ou na estrada, escrevemos muitas idéias. Na verdade, já estamos fazendo algumas músicas para um terceiro álbum.

– E como começou a história do The Devils?

Erica: Nós crescemos em um orfanato católico, então um dia encontramos no porão o filme “The Devils” e desde então começamos a infernizar as irmãs. Então fomos enviados para um colégio interno, mas também fomos expulsos, então eles nos trancaram por muitos anos em uma câmara secreta do Vaticano, mas em 2015 nós saímos e decidimos que não queríamos trabalhar em uma Apple Store ou um bar para sobreviver, então nós apenas roubamos um violão e uma bateria.

– Quais são as principais influências musicais da banda?

Gianni: Sou muito influenciado por blues e pornografia, a Erica é mais influenciada pelo rock’n’roll e pela violência deste mundo.

– Conte-me mais sobre o material que você lançou até agora.

Erica: No início, ‘Sin You Sinners’, nosso primeiro disco, foi mais uma demo registrada em nossa garagem com apenas dois microfones. Então decidimos fazer um álbum real, conhecemos Jim Diamond e, depois de o subornar com algumas garrafas de vinho, ele aceitou trabalhar conosco.

– Como é seu processo de composição?

Gianni: Não temos um processo de composição definido, é algo mágico. Às vezes, apenas assistimos a um filme, lemos um poema, olhamos desenhos ou ouvimos a Radio Maria da Itália ou, obviamente, ouvimos mais músicas. A melhor faísca para criar algo vem quando menos esperamos.

– O que vocês acham da cena musical independente hoje em dia?

Gianni: Somos muito sortudos porque temos o prazer de trabalhar com pessoas que dedicaram todo o seu tempo ao rock’n’roll, ao custo de suas próprias vidas. É autêntico, porque não há negócios de grande dinheiro, então é uma cena feita por pessoas com uma grande paixão por rock’n’roll.

– Qual a sua opinião sobre o mundo musical baseado em streaming?

Gianni: Streaming é uma merda, é o pior áudio de todos os tempos. Mas é útil na estrada, durante a turnê, para que possamos ouvir tudo o que queremos durante algumas viagens infinitas.

– Conte como é um show da banda pra quem ainda não viu. Talvez algum dia possamos ver vocês no Brasil?

Erica: Nosso show consiste em 2 caras que gritam da maneira mais violenta possível seus problemas psicológicos para o universo, até que suas cabeças explodam. Definitivamente, não podemos esperar para ir ao Brasil! Também porque ouvimos dizer que os homens brasileiros são bem dotados e as mulheres brasileiras possuem as bundas mais bonitas do mundo…

– Quais os próximos passos da banda?

Gianni: Estamos fazendo uma turnê européia para o lançamento do próximo álbum e quando ninguém mais quiser entrar em contato para shows e acabarmos sem dinheiro, faremos nossos votos de verdade para que o Vaticano providencie a nossa manutenção.

– Recomendem bandas ou artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Erica: Eu estou apaixonada por uma banda espanhola chamada Guadalupe Plata. Eles são tão maus, um som incrível!


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