HL Arguments lança o single “Trust Me” e prepara terceiro álbum com influências do rock alternativo noventista

HL Arguments

Formada por Helio Lima (vocal e guitarra), Marcos Cesar (bateria), Amanda Labruna (vocal), Fernando Silvestre (guitarra) e Wesley Lima (baixo), a banda HL Arguments começou sua carreira lançando em 2011 seu álbum auto-intitulado lançado de maneira independente e com uma proposta mais plural de som. Com o tempo o grupo começou a lapidar e dar um novo direcionamento, mais coeso, a seu trabalho, o que pode ser notado em “HL Arguments II”, de 2013, em canções como “Hook”.

Agora, após o lançamento de um disco e DVD ao vivo com reinterpretações de quase todas músicas de sua carreira, a banda trabalha em um novo disco e acaba de lançar o primeiro single do trabalho, “Trust Me”, que mostra um direcionamento para o rock alternativo dos anos 90. Confira o bate papo que tive com Helio sobre a banda e o novo álbum:

– Como a banda começou?
Entre 2007 e 2009 eu trabalhei com a banda Flat’n Sharp. Lançamos o álbum “Change a Plan” e foi ótimo. Ao término da temporada de shows, eu segui com a HL Arguments, que já tinha em época uma proposta mais plural.
A chegada do Marcos Fernando e Amanda foram naturais já que todos eles de alguma forma já tinham passado pela Flat’n Sharp, em shows pontuais. Só decidimos seguir em frente e fazermos a banda, que ficou um bom tempo sem baixista fixo, até chegar o Wesley, depois de uns 2 anos.

– E porque o nome HL Arguments?
Desde o início gostamos da fonética. Da possibilidade de dar ênfase ao que estamos dizendo, como argumentos.
O HL que outrora era algo sobre meu nome, nem é mais. Ficou algo institucional.

HL Arguments

– Mas ele significa alguma coisa ainda?
Gostaria que significasse várias variáveis, e que todas elas levassem ao que temos por mensagem, como argumentos. Posso dizer que inicialmente, eram as iniciais do meu nome. Já não gosto de pensar assim. A banda ou as músicas já possuem a personalidade de todos os envolvidos. Mas seria definitivamente estranho seguir com Our Arguments (risos).

– Agora me fala um pouco desse single que vocês acabaram de lançar!
Essa música foi um pesadelo pessoal. Mas não só pra mim, para o Fernando também. Ela existe há uns três anos. Tocamos em alguns shows. Jamais, em tempo algum, gostávamos dos resultados. O Fernando não gostava do solo e eu da letra. Ficamos anos nisso. E honestamente, a dúvida permaneceu até o último momento, quando finalmente ela chegou já masterizada e com um trabalho notável do Marcelo (produtor) nas guitarras finais, teclados e trompete. E aí, aconteceu. A recepção dela foi incrível. Ainda estamos comemorando os elogios múltiplos, plurais…
Foi uma grande surpresa. Até pra nós.

– Ela já mostra um pouco o que podemos esperar do novo disco?
Sim, absolutamente! À exemplo dos dois anteriores, ainda variamos em temas mais introspectivos e agressivos. E ela representa bem essa alternância.

– E como vai ser esse novo disco?
Denso. Intenso. Ele olha pra tudo o que nos trouxe até aqui. Foram muitas brigas, momentos muito dificeis, ao passo que foram muitos momentos incríveis e inesquecíveis. Tocamos e levamos nosso show exatamente onde queríamos. E essa bonita história está nessas canções. Seria uma bonita despedida.

– Quais as principais influências musicais da banda?
Somos uma banda grande, no número de integrantes. E definitivamente, cada um olha pra uma direção.
Mas não seria possível montar um quebra cabeça com peças iguais, certo? Então eu olho pra Queen, Simon And Garfunkel, FacesRadiohead. Entre Marcos, Wesley e Fernando há Metallica, OasisDream Theater… A Amanda é mais Motown. E assim vai.

– Me fala um pouco dos trabalhos que vocês já lançaram.
“HL Arguments” em 2011 e “HL Arguments II” em 2013. Do primeiro trabalho, “Hopes and Dreams” e “New Direction” Foram destaques absolutos…. E no segundo, “#JC1”, “Who Can Wait For This” e “Hook”, sendo “Hook” um clássico definitivo em nosso repertório. Em 2015 lançamos um DVD com shows que trouxeram 90% dessas músicas ao vivo em vários shows que fizemos por são Paulo.

– Como você vê a cena independente hoje em dia?
Bem plural, ativa, importante e rica. Acho completamente limitado o papo que “o rock morreu” ou “não há mais bandas como antigamente”. Isso é completamente preguiçoso. A própria HL Arguments é uma das provas que você pode fazer um trabalho honesto, sem querer o tempo todo ser uma banda de massa. E não quer dizer que não queremos que nossa música seja conhecida, só quer dizer que não somos afetados por isso. E eu vejo as bandas unidas também. Eu mesmo participo de festivais organizados por outras bandas, assim como já organizamos o nosso.

– Essa união entre as bandas é a chave para o fortalecimento que tem acontecido? Hoje em dia vejo muito mais shows independentes rolando aqui por SP, todo dia tem algum acontecendo…
Absolutamente. E não é uma questão passageira. É definitiva. São Paulo é uma força da música independente, assim como Rio, Curitiba e outros e outros exemplos. E também é preguiçoso pensar em aproximações por aderência de estilo. Eu já produzi um show com bandas acústicas, eletrônicas e roqueiras, na mesma edição.

– Então hoje em dia essas barreiras de “cena rock”, “cena rap” e etc estão sendo derrubadas.
Com absoluta certeza! Musica é música e acabou. Anos atrás alguém com muitíssima preguiça nos perguntou porque cantamos em inglês, sendo que temos músicas em português, citações em italiano e instrumentais.
Nós fazemos música. Não fazemos estilo ou cena. E de um modo geral, tenho visto esse tipo de movimento.

– E você acha que faz sentido essa cena se tornar algo mais mainstream?
Acho que o que é bom merece espaço. Porque não colocar a música de uma banda independente como um tema de uma novela, uma série, ou um comercial? Acho que os produtores e grandes empresas, podem usar muito mais a cena independente e todos são beneficiados. O problema pra mim é quando o motivo pelo qual a banda existe é esse resultado. Quando o motivo não é a arte e sim a massa. Aí você compromete tudo. E vira uma bosta.

HL Arguments

– Quais são os próximos passos da banda?
Depois de lançar o álbum em poucas semanas, começarmos a produção de um vídeo para o YouTube que traremos todos os temas do álbum em versões ao vivo. Queremos tocar o álbum completo. E em 2018 divulgá-lo nos shows novos, com foco nesse repertório.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Louye, que é a banda do nosso produtor. O Fernando também participa. Ossos de Marfim tem um som mais pesado, enérgico. Eu mesmo (se me permite) indico a Critical Soul Band, que é um projeto que eu tenho com um show mais ao estilo southern rock…. E algumas outras loucuras…. E uma banda que eu gosto muito, que é a UDJC. Som foda!


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