Her Name Was Fire mostra que o stoner rock também vive em terras lusitanas

Her Name Was Fire mostra que o stoner rock também vive em terras lusitanas

5 de julho de 2017 2 Por João Pedro Ramos

2016 foi o ano do primeiro grito stoner lisboeta do duo Her Name Was Fire. Das mentes de João Campos (Gula, ex-Rejects United, ex-Summer of Damien) e Tiago Lopes (ex-Rejects United, ex-Witchbreed, ex-Parasomnia Noise) surgiu o duo que enche seu stoner rock de groove, grunge e pitadas de blues em seu som garageiro.

Em fevereiro deste ano eles lançaram seu primeiro disco, “Road Antics”, que gerou dois belíssimos clipes: “Way To Control” e “Gone In A Haze”. Gravado, mixado e masterizado no G Spot Studios por Miguel Camilo, o disco tem 10 faixas que geraram na página do bandcamp da banda comentários como “uma paulada bluesy Black Keys-meets-QOTSA absolutamente incrível. Esta dupla absolutamente manda ver!”.

Conversei com a dupla sobre seu primeiro trabalho, sua carreira, a vida de banda independente hoje em dia e não traduzi nenhuma das expressões lusitanas utilizadas:

– Como a banda começou?

Eu andava com vontade de fazer um projecto diferente de tudo o que tinha feito até ao momento, porque não tentar fazer uma banda de rock só com um baterista? Numa noite de copos perguntei ao Tiago se ele estaria interessado em experimentar e passado uns dias fizemos a primeira jam sem compromissos. A química foi imediata, tanto é que algumas das ideias que saíram dessa primeira jam viriam a ser músicas do “Road Antics”.

– De onde surgiu o nome da banda?

Tínhamos varias possibilidades em cima da mesa mas Her Name Was Fire foi o nome que transmitia mais o que queríamos passar com a música…aquele lado sexy, sleazy e perigoso. No fundo o nome é uma homenagem à femme fatale, intensa e destrutiva, o tipo de mulher que todos nós numa altura ou outra já tivemos na nossa vida.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Bem entre nós os dois há uma panóplia gigante de influências, mas falando das influências comuns penso que será justo falarmos de bandas como Queens of the Stone Age, Alice in Chains, Led Zeppelin, Black Sabbath, All The Witches, Rival Sons, Sleepy Sun…só para falar de algumas.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Em fevereiro de 2016 lançamos o nosso EP de apresentação com 3 músicas que nos permitiu dar vários concertos de Norte a Sul de Portugal inclusive festivais, este ano em Fevereiro lançamos o nosso longa duração, “Road Antics”, do qual estamos bastante orgulhosos pois foi fruto de muito trabalho e que pensamos ter ficado como queríamos. Com o álbum também lançamos 2 videos que revelam o universo da banda, o primeiro para o tema “Gone In A Haze” e o segundo video lançado à uns dias que é um misto de curta e videoclip para o tema “Way To Control” sendo uma verdadeira tripe visual, que pode ser visualizado no nosso canal de youtube.

Her Name Was Fire

– Como vocês definiriam o som da banda?

Bem isso é sempre uma pergunta ingrata que provavelmente alguém externo à banda poderá responder melhor, mas tentando dar uma resposta simples, somos um duo de rock, que se move entre o stoner rock, grunge e algum psicadelismo.

– A internet ajudou a unir a cena independente mundial ou atrapalha por oferecer muitas opções para quem quer ouvir música?

Penso que é exactamente essa moeda com 2 lados, por um lado as bandas hoje em dia não precisam das antigas estruturas colossais que eram as gravadoras para mostrar o seu trabalho, por outro lado com a “liberalização” de lançamentos, acaba por haver tanta coisa a sair ao mesmo tempo que às vezes, é mais difícil de encontrar as bandas que realmente valem a pena no meio de tanto “ruído”. Para mim pessoalmente, com todos os prós e contras acho que a internet veio ajudar a cena independente sem dúvida.

– A mudança na forma das pessoas ouvirem música, preferindo serviços de streaming à discos físicos, ajuda ou atrapalha a música, na sua opinião?

Tendo eu crescido na época pré-internet, penso que se perdeu algo no sentido de apreciar um álbum como um todo, realmente dedicar tempo para ouvi-lo duma ponta à outra. Parece que demos a volta completa e voltamos à era do single como era nos anos 50, mas duma forma digital e ainda mais efêmera. Outra coisa que se perdeu a meu ver (e este ponto a mim toca-me bastante pois sou designer e ilustrador de formação) foi a importância do artwork. Já não se passa horas a tentar decifrar o artwork, ler a letras etc…para mim os álbuns são esses os 2 mundos, a parte musical e a parte visual. Felizmente parece-me que a recente re-aparição do culto ao vinil está a balançar isso.

– Como a mídia poderia ajudar a dar mais força para a cena independente hoje em dia, com a queda das grandes gravadoras?

Penso que quando falas de mídia, falas dos novos meios possíveis através da internet (blogs, facebook, instagram) pois os meios tradicionais como a tv e imprensa ainda continuam apenas acessíveis a bandas e estruturas (gravadoras) com poder monetário…Penso que até nisso a internet proporcionou às bandas a possibilidade de se promoverem de forma autônoma, sem precisar de gravadoras ou agências.

Her Name Was Fire

– Quais os próximos passos da banda?

Assim no topo da lista é tocar o máximo possível fora e dentro de Portugal para mostrar a nossa música…a nossa ambição é tornar-nos realmente uma banda internacional e quem sabe um dia se não iremos tocar uns shows no Brasil? seria ótimo. De resto é continuar a fazer a música que nós gostamos, esperamos em 2018 estarmos a lançar um novo trabalho assim como novos videos.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Podemos falar de de algumas bandas portuguesas, dos nossos amigos e excelente banda Souq, do irmãos Correia ou dos L Mina que acabaram de lançar um excelente álbum, procurem todos eles porque vale a pena!