Gwyn Ashton faz blues de raiz e deixa sua paixão pela guitarra ser a guia em seus diversos projetos

O guitarrista e compositor galês Gwyn Ashton foi para Adelaide, Austrália do Sul, na década de 1960, e logo começou sua jornada musical. Passou por diversas bandas, gravou muitos discos solo e dividiu o palco com gente como Mick Fleetwood, Hubert Sumlin, Marc Ford e Canned Heat e abriu para Rory Gallagher, Ray Charles, Robin Trower, Vanilla Fudge, Wishbone Ash, Van Morrison, Jeff Healey, Tony Joe White, Johnny Winter Mick Taylor, Peter Green, John Hammond e Pat Travers.

Este ano, Gwyn lançou “Solo Elektro”, seu primeiro disco como one man band, além de já estar trabalhando em muitos outros projetos, indo da psicodelia ao blues de raiz, passando pelo garage rock e muitos outros estilos. Conversei com ele sobre sua carreira, a paixão pelo blues e como ele vê a música nos dias de hoje:

 

– Como começou sua carreira?
Eu tinha cerca de 16 anos e entrei na minha primeira banda em Adelaide, Austrália do Sul. Não gostava de escola e tudo o que queria era tocar violão. Eu respondi um anúncio para um guitarrista no jornal local e conheci essas pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu. Comecei a escrever músicas e eventualmente me mudei para Sydney, onde entrei em outra banda. Depois de alguns anos tocando com várias bandas, acabei mudando-me para Melbourne e gravando meus dois primeiros álbuns. Sou obcecado com música e a guitarra e isso é tudo o que sempre quis fazer. Eu não queria estar em uma banda cover, o que às vezes significa que sua área local nem sempre é o melhor lugar para trabalhar, então você precisa estar preparado para se mudar um pouco. Foi o que eu fiz e ainda faço.

– Você toca blues e rock old school. Como você se sente sobre o futuro desses gêneros?
Eu tento não apenas ser só um artista retro, é importante manter-se fresco e desenvolver novas idéias. Não é tão saudável como já foi, tantos locais estão fechando em todo o mundo. A internet paralisou muitas coisas, incluindo o valor das pessoas na música. Todo mundo quer isso de graça, então precisamos criar maneiras de ganhar dinheiro com isso. É um negócio difícil de entrar. Eu tento escrever e tocar música que é relevante para os dias de hoje e ainda há pessoas que querem boa música honesta. Você normalmente precisa viajar e levar a música para eles.

– Quais as suas principais influências musicais?
Basicamente todo mundo que toca ou tocou guitarra e gravou discos. Gosto de Son House, Lightnin’ Hopkins, Muddy Waters, Hank Marvin, mas também dos Beatles e muita coisa das bandas de pop e rock dos anos 60. Hendrix, Gallagher, Marriott – Gosto de músicas com melodia e poder. Gosto de compositores como Tom Petty, Steve Earle, Lennon/McCartney. Também gosto de Kenny Burrell, Miles Davis, Buddy Guy e Bob Dylan. É tudo música para mim.

– Me conta mais sobre o material que você lançou até hoje.
Sempre fiz rock com forte influência de blues, embora eu também tenha gravado dois álbuns acústicos, meio “raízes”. Meus dois primeiros álbuns foram feitos com músicos australianos locais, mas aí me mudei para a Inglaterra e me juntei a um grupo de instrumentistas que estiveram em alguns dos meus discos favoritos e já tocaram em meus álbuns. Eu sou extremamente sortudo por ter gravado com músicos das bandas de Rory Gallagher e Robert Plant e junto com caras do The Fabulous Thunderbirds, Deep Purple, Whitesnake e Rainbow.

– Está trabalhando em novas músicas?
Estou sempre escrevendo e gravando e muito preocupado em manter minha música atual. Meu último projeto é meu álbum de one man band ‘Solo Elektro’ e eu estou tocando esse projeto na Europa e Austrália por cerca de cinco anos. Eu toco violão e canto enquanto toco as linhas de baixo com o meu polegar e piso em um kick drum. Eu desenvolvi um show em torno das limitações de ser solo, mas acho mais gratificante e satisfatório fazer isso do que ter uma banda. Eu posso ser mais experimental e porque escutei muita música diferente, posso misturar elementos de muitos estilos e lugares, incluindo dança e música psicodélica com blues e criar algo mais contemporâneo do que se eu ficasse mais em um ambiente de banda tradicional. Estou vendo muito mais jovens indo aos meus shows e isso é bom.

– Como é seu processo criativo?
Varia. Normalmente eu tenho um riff de guitarra e começo a escrever a partir daí. As letras são importantes. Eu tento não ser muito previsível, mas ainda mantê-las simples o suficiente para as pessoas se relacionarem, especialmente porque muito da minha audiência não fala inglês ou é uma segunda ou terceira língua para eles. Eu tenho um parceiro de composição (Garry Allen) em Melbourne e jogamos muitas idéias no mesmo quarto quando estou na Austrália ou pela internet.

– O que você acha da cena musical independente hoje em dia?
Há música excelente por aí, e na superfície parece saudável, mas muitas bandas jovens são forçadas a fazer muitos shows de graça ou “pagar para tocar”, então a realidade é que eles estão sendo roubados. Isso também não ajuda todos nós que estamos na estrada tentando sobreviver, quando o lugar sabe que eles podem conseguir uma banda de graça. Por sorte, eu tenho um bom público em muitos países, que eu tenho desenvolvido lentamente por muitos anos, mas não ajuda as jovens bandas que querem ganhar a vida com a música deles. Existem mais estações de rádio comunitárias que tocam músicas não convencionais e acho que mais pessoas estão dispostas a aceitar diferentes estilos de música do que no passado. Eu acho que as pessoas estão se tornando mais abertas à música e à arte.

– O que você acha da explosão do streaming no mundo da música?
É um mal necessário. Se você não estiver nos servidores de streaming ninguém vai descobrir você, mas eles não pagam bem. Os principais selos controlam o que todos escutam de qualquer maneira, então as chances de se tornar viral são pequenas se você não estiver sendo promovido por um selo.

– Conta pra gente como é o seu show.
O mais importante é ter uma boa música que as pessoas vão embora cantando em suas cabeças. Eu também sou influenciado por tantas músicas baseadas em guitarra e gosto de pensar que isso está nas minhas músicas, seja um som de slide no estilo delta blues ou um  rock and roll mais pesado. O tom de guitarra e os efeitos sonoros também são importantes para mim. Eu gosto de mexer em alguns sons para se encaixar no material, então meu pedalboard tem uma montagem bastante divertida. As raízes do meu show são blues, mas eu passo através de música elétrica psicodélica com um segmento acústico. Eu uso um monte de guitarras no palco em diferentes afinações. Eu tenho guitarras elétricas, algumas slide, acústicas, 12 cordas, lap slide Weissenborn e instrumentos de ressonância. Eu quero manter as raízes intactas e expandi-las, conhecendo as regras antes de quebrá-las. Eu tento manter as coisas interessantes, seja pensando em Son House, Ry Cooder ou em Black Sabbath no momento.

– Quais os seus próximos passos?
Meu foco principal agora é no meu álbum “Solo Elektro”. Estou trabalhando em alguns projetos, incluindo um álbum novo deste projeto. Eu também tenho um álbum acústico como compositor na minha cabeça agora. Garry e eu temos tantas músicas, estamos apenas ensaiando para ver qual formato elas soam melhor – solo ou como banda. Estou prestes a lançar um álbum acústico de world music que gravei com alguns amigos na Austrália, além de ter um álbum de blues e garage bem bacana pronto pra sair, com Garry Allen nos vocais e o baterista que tocou com o Bon Scott em 1970, John Freeman. Não há escassez de música aqui.

 – Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Eu não vou atrás de ouvir muitos artistas modernos hoje em dia, já que minhas influências são realmente das décadas de 30 a 60, então me vejo mais ouvindo músicas antigas para evitar copiar mais escritores e artistas contemporâneos. Eu tenho que roubar da fonte! Para blues puro, há vários artistas ótimos por aí. Na Califórnia, eu realmente gosto dos The 44s, Kid Ramos, Junior Watson, Chris Cain. Ledfoot (Tim Scott McConnell) é um artista poderoso, meu amigo e ocasional parceiro de jams, e Marc Ford é um monstro. Há tantos grandes compositores e guitarristas em toda a América do Norte, tocando em bares e clubes que ninguém provavelmente nunca ouvirá, o que é um crime. Na Austrália, temos muitos grandes artistas – Chris Finnen, Jeff Lang, Kevin Borich, Ian Moss, Shannon Bourne, Dusty Lee Stephenson, Stefan Hauk podem escrever uma ótima música e tocar para caramba.


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