Garrafa Vazia lança seu primeiro vinil 7¨ encharcado de álcool e distorção

Garrafa Vazia

O trio de punk rock e hardcore da roça Garrafa Vazia acaba de lançar seu primeiro play oficial. Prensado na Europa, o compacto 7′ “Corotinho” foi lançado pela Neves Records e traz um pouco do punk ébrio do trio, formado por Mariones (baixo e vocal), HB (guitarra e vocal) e Vadio (bateria). “Pessoalmente, acho que o vinil é outra pegada. “Disco é cultura”: a gente cresceu no meio deles, com esses quadros sonoros, e o ritual de se ouvir um disco é sagrado, né não? E o som – bom, a pegada é outra, basta ouvir o disco: puta som mais cheião, vivo, mais rock, mais nossa praia”, disse Mário em entrevista ao site Papo Alternativo.

Conversei com ele sobre o novo compacto, a predileção pelo vinil, o álcool no rock e a cena independente brasileira:

– Primeiramente, fala aí do novo disco do Garrafa Vazia!

É nosso primeiro play oficial, prensado na Europa! Devido ao “sucesso” de “Corotinho” e nossa constante correria (tocamos em 4 estados, estamos sempre tocando os sons, a galera colando junto, cantando nossas músicas como “Cirrose”, “Back to Bacana”, a Neves Records nos deu 100% de suporte e somos o décimo lançamento do selo!

– E vocês quiseram lançar em vinil, né. Porque isso?

A Neves Records é especializada em lançamentos em vinil, em edições ultra caprichadas, numeradas. Eu particularmente, que sou de 81, e cresci no meio dos discos  – percebo no vinil uma pegada mais fodona, som do vinil mais encorpado bem mais “redondo”, tem um grave especial. A durabilidade e arte gráfica são pontos fortes também.

Garrafa Vazia

– Como a banda começou?

Em 2009 eu decidi montar o Garrafa Vazia, influenciado pelas bandas da região, como o Muzzarelas (Campinas) e o Dezakato (Rio Claro). Buscamos nossa própria linguagem, no escracho e na ironia, sem deixar de lado o “faça você mesmo”, e a postura crítica contra preconceitos e babaquices. Mas o intuito sempre foi fazer rock and roll do nosso jeitão. Em 2011 a formação fixou-se comigo na voz e baixo, HB na guitarra e o Vadio na bateria

– E porque o nome Garrafa Vazia?

Durante a Copa de 90, na Itália, o Osmar Santos disse antes do jogo válido pelas oitavas de final Colômbia X Camarões : “agora eu quero ver quem tem garrafa vazia pra vender!” Nos identificamos com o espírito de não se levar a sério e tem o lado bebum, da embriaguez dos dias.

– Sim, vocês falam bastante de álcool nas músicas, como os Muzzarelas. Pra vocês, qual a relação entre o rock e a cana?

Acho que muitas vezes a cana proporciona o calor da convivência, dilui o superego da turma, e o rock é a trilha sonora dessa bagunça toda.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Mariones: Punk 77, Gories, Cramps e bandas brazucas como Cólera, Muzzarelas, Ovos Presley, Merda, Evil Idols, Wander Wildner, Dezakato.
HB: Smiths, Olho Seco e Adelino Nascimento.
Vadio: hardcore old school e Miles Davis. Eu gosto muito do Millôr Fernandes e do Stanislaw Ponte Preta, além do Chico Bento e do Mussum. Ah, Adoniran Barbosa também! Gosto das marchinhas do Lamartine Babo.

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Acho que há uma grande quantidade de bandas boas e muito espaço para intercâmbio, várias pessoas somando. São bons tempos!

– Mas muita gente diz que tem pouco espaço para música autoral e quando têm, o público ainda é pequeno em relação ao público das “baladas” e das bandas covers. Você discorda disso?

Aqui no interior de SP as coisas vão muito bem, só na cidade de Rio Claro temos mais de quinze bandas fodas, de variadas vertentes, estilos. Acho que com uma boa produção e cooperação, com uma divulga firmeza o público cola sim. O espírito faça você mesmo é a chave! Mesmo assim às vezes há rolês no mesmo dia então há fragmentações, né? Mas sempre fomos 100% otimistas, o rock não para ?

– Assim que se fala. Pra vocês, o lugar do rock é mesmo no underground? Esse negócio de o rock ter saído quase totalmente das paradas faz alguma diferença?

Eu acho que o rock é para todos. Porque ficar muitas vezes “confinado” em um gueto, em uma espécie de “clube para iniciados” é algo não construtivo, o movimento tem que ser inverso: o rock é construção, movimentação, as pessoas tem que conhecer, por isso é tão legal tocar em lugares públicos: em praça, coreto, pista de skate, na rua… O fato do estilo ter saído das paradas traz uma espécie de “porra, o rock virou jazz agora”. Acho que isso só dá mais gás e força pra continuar criando e fazendo mais barulho por aí!

– Então você acha que o rock deve se reestabelecer também nas paradas de sucesso? Isso é importante? Chegar mais ao mainstream, ao “povão”?

Eu acho importante o resgate da canção, das pessoas cantando um bom refrão, o povo se identificando. Acho que ao invés da polarização mainstream x underground as bandas deviam se unir cada vez mais pra tomarem todos os espaços possíveis, mas sem pisar na cabeça de ninguém;

– Qual o processo de composição da banda?

Geralmente eu chego com um esqueleto do som, a melodia e a letra e apresento pro HB e pro Vadio, e cada um coloca sua mágica ali. Em outros casos, com na música “Back to Bacana”, o HB veio com o riff e eu coloquei a melodia e letra, e o Vadio o batuque. É uma democracia sambarilóvi, a gente se diverte demais, é só risada, incrível, nunca brigamos ao longo desses anos.

– Quais os próximos passos da banda?

Esse ano vamos tocar ao lado das bandas parceiras, vários shows já marcados. E vamos gravar nosso próximo álbum, estamos em fase de pré produção. Se der tempo, uma possível tour está nos planos.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer!

Algumas das que tem feito minha cabeça:
Head Bones (punk rock com muita alma, muita gana, Head fuckin’ Bones), Braincrusher (crossover antifascista mais veloz que a luz), On Crash (hardcore kafkaniano, muito original, com destruidor vocal feminino e uma levada pra lá de chapação), Aborn (metal, só de mulheres, devastador), Romero (punk rock/hardcore pra empolgar junkie noitadas!), Alerta Mental (letras inteligentes, hardcore punk com um vocalista que voa durante os shows), Inocoops (duo rock garageiro de responsa. ouça “Leaving Town” novo disco dos caras!), Funeral Sex (stoner rock ultraviciante, trio do capeta!), Focalada (dona do hit “Tudo Explode”, pra quem gosta de rock direto, sem firulas), Úlcera (thrash metal cearense, muito punch , personalidade total!), Violent Illusion (eles estão de volta! rock veloz de São Carlos, animal!) Lomba Raivosa (eles estão de volta: barulhentos e irreventes, uma puta banda!), Krokodil (noise rock todo quebrado, inclassificável. dopadão rock pós rótulos), Grotesque (punk rock “raiz” de Mogi Mirim/Mogi Guaçu, letras conscientes e postura idem), Mandriões (punk rock 77 de SP, muita energia, grande banda!), Bloqueio Mental (crossover de Curitiba, com influências metalpunk old school, porrada na orelha!), Sociopata ( peso pesado, clorofórmio e metalpunk na alma) e Hellside (de Araraquara, desde 1989 fazendo um crossover destruidor com letras inteligentíssimas).


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