Gangstagrass coloca a improvável mistura de bluegrass e hip hop no liquidificador

Gangstagrass coloca a improvável mistura de bluegrass e hip hop no liquidificador

16 de abril de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Talvez bluegrass e hip hop nunca deveriam ser misturados, e talvez eles não devessem combinar. O Gangstagrass, do Brooklyn, porém, mostra que os estilos não só combinam como parecem feitos um para o outro. A ideia veio do produtor Rench, que toca violão e canta no grupo, que já era fã de hip hop e percebeu que existia algo ali que combinava com os discos de bluegrass que ele ouvia às vezes. A banda principal também é formada por Dan Whitener (banjo e vocal), Brian Farrow (violino) e os MCs R-SON e Dolio The Sleuth.

Além desta formação, a improvável banda também conta com músicos convidados, como Landry McMeans (dobro, vocal), Dave Gross (bandolim), Tina Lama (baixo), Melody AllegraJon Westover e Jason Cade (violinos), Ellery Marshall (banjo), Todd Livingston (dobro) e Brandi Hart, Jen Larson, Alexa Dirks, Samantha Martin, Delta Sugar e Megan Jean (vocais). Não podemos esquecer também dos MCs convidados:  T.O.N.E-z, Nitty Scott MC, Smif N Wessun, Kool Keith, Dead Prez, Tomasia, Liquid, David E Beats, Aint No Love, Soul Khan, 5 One e Brooklyn35 Collective são alguns dos que já emprestaram as rimas para o grupo.

A banda aponta como influências gente como Ralph Stanley and the Clinch Mountain Boys, Jay-Z, Bill Monroe, Biggie Smalls, Jimmie Rogers, Missy Elliott, Ricky Skaggs, Outkast, Old Crow Medicine Show, Kanye West e muitos outros. Até o momento, eles lançaram quatro discos: “Lightning On The Strings, Thunder On The Mic” ‎(2010), “Rappalachia” (2012), “Broken Hearts and Stolen Money” (2014) e “American Music” (2015), além do recém lançado disco ao vivo “Pocket Full Of Fire: Gangstagrass Live” (2019). Conversei com Rench sobre a inusitada mistura e a carreira do Gangstagrass:

– Como a banda começou?

Eu tive uma ideia. Eu já estava misturando honky-tonk country com hip-hop, mas quando ouvi discos do Ralph Stanley e dos Clinch Mountain Boys, achei que uma mistura de hip-hop e bluegrass seria incrível, então eu fiz primeiro como um projeto de estúdio. Quando isso decolou como fogo, comecei a recrutar músicos.

– Então você acabou criando uma mistura incomum de gêneros. Como surgiu essa ideia?

Música country e hip-hop sempre foram minhas influências desde pequeno – eu estava na terceira série quando o hip-hop realmente se tornou popular em todo o país, com filmes de breakdancing e tudo mais. Eu passava o recreio dançando breakcom meus amigos, ouvindo a trilha sonora de “Beat Street” e Run-DMC e etc. Meu pai é de Oklahoma e quando eu estava em casa, sempre tinha muita música country no aparelho de som. Eventualmente, quando comecei a produzir música, os dois sons faziam parte do que eu queria criar.

– Quais são suas melhores influências musicais?

Eu sempre amei os inovadores, aqueles que levam um gênero ou um novo som para lugares que as pessoas nunca ouviram antes. Eu adoro a produção de Dan The Automator (Dr. Octagon, Deltron 3030, Gorillaz, etc.) e adoro as formas como Missy Elliott e Outkast usaram batidas e estilos realmente diferentes para impulsionar o hip-hop em novas direções. As influências do country vêm dos pioneiros fora da lei como Johnny Cash, Merle Haggard e Willie Nelson, e também sou inspirado por Gram Parsons e o que ele fez para combinar música country com o rock psicodélico da época. As pessoas não estavam prontas para aquilo!

– Hoje em dia, a maioria das músicas pop apresenta um rapper fazendo uma aparição. O rap é um gênero obrigatório em um hit hoje em dia?

Eu não sei o que faz sucesso hoje em dia, mas o hip hop se tornou uma força cultural dominante, então ter um rapper em sua faixa é algo popular de se fazer.

– Vocês só tocam composições originais ou algumas covers também?

Nós fazemos algumas cover, especialmente em nossos shows ao vivo. Nós amamos tocar algumas tradicionais antigas como “I Am A Man Of Constant Sorrow” ou “Will The Circle Be Unbroken” e fazê-las ao estilo Gangstagrass – adicionando batidas e deixando os rappers fazerem alguns versos nelas. A maioria dos nossos shows ao vivo são originais, nós estamos focados em criar músicas originais como um novo som, e manter os holofotes sobre a nossa ideia como uma banda ao invés de quais músicas nós fazemos covers.

– Como as pessoas respondem quando veem seus shows? Algum grande rapper conhece a banda e comentou sobre vocês?

Eu não sei isso sobre grandes rappers. Ouvimos dizer que o Taj Mahal nos deu alguns elogios públicos, o que é realmente emocionante. As pessoas respondem muito bem aos nossos shows, descobrimos que há tantas pessoas por aí que apreciam vários gêneros e ouvem country e hip-hop, de modo que estão prontas para ouvi-las juntas. A mídia nos dá essa sensação de separação entre gêneros e mercados, mas quando tocamos fica claro que o maior mercado são as pessoas que estão ouvindo o que é bom.

– Você pode me falar um pouco mais sobre o material que vocês lançaram até agora?

Lançamos quatro álbuns de estúdio explorando a fusão bluegrass-hip-hop de diferentes maneiras, apresentando muitos convidados incríveis. Em fevereiro, lançamos nosso primeiro álbum ao vivo oficial, capturando a energia de como nos apresentamos, o que é muito diferente do som dos álbuns de estúdio. Aproveitamos o fato de que o hip-hop e o bluegrass têm fortes elementos de improvisação e somos muito espontâneos, então você não ouvirá as coisas da mesma forma que no álbum.

– Quais são seus próximos passos? Estão trabalhando em novas músicas?

Agora que lançamos o novo álbum, estamos fazendo muitas turnês nos EUA para promovê-lo. E vamos começar a desenvolver novos materiais que estamos escrevendo e testá-los em shows ao vivo para se preparar para o próximo álbum de estúdio.

– Recomende algumas bandas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Nós estamos curtindo Tyler Childers, Whiskey Shivers e Michaela Anne, e nos deparamos com tantas bandas independentes talentosas em festivais e nos shows que tocamos! E também rappers, cruzamos com Nitty Scott MC e Shatora Lane, Akua Naru. Tantos talentos incríveis por aí!