Gabriela Garrido expõe suas forças e fragilidades em seu segundo EP, “Entre”

Gabriela Garrido expõe suas forças e fragilidades em seu segundo EP, “Entre”

15 de março de 2018 0 Por João Pedro Ramos

A cantora e compositora carioca Gabriela Garrido traz para suas letras toda sua carga emocional, seja ela cheia de força ou mostrando suas fragilidades. Isso fica ainda mais evidente em seu segundo EP, “Entre”, lançado este ano, explorando novas linguagens sonoras e o vai e vêm das emoções humanas em busca de um equilíbrio.

Seu EP de estreia, “Mergulho”, foi lançado em 2016 e contava histórias de amor e entrega, além de experiências pessoais que mostravam a aventura que é entrar no mundo da música. “Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc”, conta.

– Me conta um pouco mais sobre o “Entre”, que acabou de ser lançado!

O “Entre” é meu segundo EP, que traz algumas canções antigas e novas, bem diferentes entre si em questões de arranjo, mas que têm um tema similar: elas falam sobre forças e fragilidades, sobre abraçar ou negar as nossas emoções. Por isso o nome, como se fosse a busca de um equilíbrio no meio disso.

– E isso também se mostra na capa, né. De quem é a arte?

Sim, super! Na capa, na verdade, a gente quis fazer uma alusão ao “Entre” de “meio” e ao “Entre” de “entrar” mesmo – já que se tratam de letras bem íntimas – por isso as portas. Quem fez foi uma grande amiga, designer e artista, Clarisse Veiga.

– E como foi a composição dessas músicas?

Acho que algo que elas têm em comum no quesito composição é o fato de que todas foram escritas bem rápido, na maior parte em madrugadas de insônia (comigo costuma ser assim, haha). Acho que “Helena” foi a única que durou mais tempo, até por ser uma música mais relaxada. As outras realmente pareceram que tinham que ser colocadas pra fora logo, sabe. Passei um tempo tocando essas composições bem como elas nasceram, de forma bem simples, com voz e violão, mas foi fazendo os arranjos com a banda que eu realmente pude dar a força que eu queria!

– Aliás, me conta mais do clipe! A ideia foi muito boa, ficou sensacional!

“De Bicicleta” foi a típica ideia doida que eu achei que não daria em nada e acabou ficando muito legal, hahah! Eu tive uma sorte enorme de ter amigos que compraram muito essa viagem e toparam fazer aquilo comigo. Fomos em lojas de festa no centro da cidade e compramos vários acessórios, decoramos uma sala da clínica do meu pai – que é fisioterapeuta – e pegamos emprestado a bicicleta ergométrica de lá. Deu nisso! Foi super divertido e custou muito pouco. Tenho orgulho do que fizemos com poucos recursos!

– E como esse EP se difere de “Mergulho”, seu primeiro trabalho?

Acho que, com o “Entre”, eu já me senti mais “por dentro” do que é gravar músicas e pude ter mais paciência e experimentar mais nos arranjos. Na época do “Mergulho” eu estava muito ansiosa pra fazer aquilo, e muito impressionada com tudo, também. O “Entre” foi todo mais planejado, mesmo que o orçamento também fosse curto. Pude olhar com mais carinho pra cada canção, para o lançamento, clipes, etc.

– Quais as suas maiores influências musicais em sua carreira?

Minhas influências vão mudando muito com o tempo, mas existem artistas que com certeza contribuíram muito para que eu começasse na música, como Tegan and Sara, Paramore, Cássia Eller e Cazuza. Esses eu sempre cito. Mas no “Entre”, por exemplo, tive referências como Courtney Barnett e Johnny Hooker. É sempre uma mistura doida mas que me ajuda muito, hahah. Falei bastante sobre isso na coluna “Construindo” aqui do site, acho legal conferir!

– Como começou sua carreira?

Na época da escola eu tive uma banda com amigos, tocava nos saraus, e foi aí que eu me apaixonei por cantar e compor. Fiquei um tempo parada depois que nos formamos e pude perceber que não podia deixar a música de lado e que não tocar me deixava bem triste. As músicas do “Mergulho” já existiam nessa época, e fui aos poucos me convencendo de que eu precisava lançá-las, até que finalmente consegui, e estamos aqui. Mesmo com todas as dificuldades, eu não me perdoaria se parasse de fazer música.

– Como você tem visto a cena independente? E mais que isso, como você se vê nesse mundo?

Eu me surpreendo mais a cada dia com os artistas independentes brasileiros! Por mais que seja muito difícil alcançar o mainstream, eu vejo que estão se formando muitos nichos de pessoas que consomem/alimentam a música independente, e isso porque temos muitos artistas de qualidade, de diversos gêneros musicais, para todos os gostos. O que eu acho incrível da cena hoje em dia é a criatividade desses músicos para driblar as dificuldades comerciais. A galera se vira sozinha e faz coisas incríveis. Além disso, sinto as pessoas mais abertas a não ouvir só o que está em alta nas mídias tradicionais também, isso é ótimo.

Quanto a mim, acho que estou aprendendo a conquistar meu espaço, aos poucos. Sinto que o segredo é não parar, sabe. E sempre tentar crescer musicalmente, conhecer pessoas novas, tomar nossas próprias iniciativas. Fico genuinamente feliz a cada nova pessoa que conhece meu som, e com certeza é a partir desse carinho que ele vai se expandir por aí. Sei que ainda tenho muito a alcançar pra fazer o barulho que os artistas independentes maiores fazem, mas já fico feliz de ser uma pequena parte desse movimento aqui no Brasil.

– Mas você acha que o mainstream ainda é o objetivo ou hoje em dia isso já não é algo tão importante?

Então, ao meu ver, estamos caminhando numa direção em que as alternativas ao mainstream estão cada vez mais fortes e viáveis. Ele continua sendo importante, principalmente por esse reconhecimento ajudar muito o artista a conseguir viver da própria música, mas sinto que, pra muita gente, ele não é mais o objetivo principal. O principal, pelo menos pra mim, é conseguir ter um público que seja “fiel” (não gosto muito dessa palavra, mas é mais ou menos isso). Independente do mainstream, é assim que a música pode se sustentar.

– Quais os seus próximos passos, musicalmente?

Quero fazer shows fora do Rio com o “Entre”, para mim isso é o fundamental agora. E ainda ir à fundo nesse EP, com mais bons clipes, versões, etc. Acho que ele tem muito a oferecer! À longo prazo, quero que meu próximo trabalho não seja outro EP, e sim um primeiro álbum.

– E já tem planos para esse álbum?

Ainda não, tô tentando ter calma e curtir o EP novo!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tenho escutado bastante Xênia França, o disco dela é sensacional! Tem também Letrux, que conquistou meu coração no ano passado e ainda não consigo largar aquelas músicas. Também tô amando o novo álbum do Rubel!