G.G. Allin: a vida e obra do rei da sujeira ultraviolenta

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Você já deve ter ouvido falar de G.G. Allin. O “roqueiro cocô” (como o Notícias Populares o batizou) seguia lema “live fast, die young” à risca com seus atos inconsequentes e shows completamente escatológicos, violentos e descontrolados.

G.G. nasceu Jesus Christ Allin em 1956. Até o os dez anos de idade, morou em uma cabana de madeira sem eletricidade ou água corrente, a muitos quilômetros de lugar nenhum. Seu pai dormia direto por vários dias, sem permitir qualquer conversa ou acender velas após o escurecer, tapando todas as janelas por fora. O cara também era conhecido por cavar as covas para a própria família no porão, xingar sua esposa e destruir as coisas de que ela gostava. Certa vez, pôs fogo em sua própria cama quando ela não quis se deitar com ele. Allin desenvolveu tanto paranoia quanto egomania, e aos poucos começou a achar o comportamento de seu pai algo normal.

Assim, G.G. cresceu e se tornou um rocker perturbado. Ouviu rock’n’roll pela primeira vez no rádio de sua vó e sua vida ganhou um rumo. Mas seus ídolos o decepcionavam: mesmo tendo fama de bad boys, até Rolling Stones, Stooges e Sex Pistols seguiam certas regras. G.G. foi mandado para uma escola especial. Em sua primeira apresentação, em um baile do colégio, ele mordeu, arrancou e destruiu a decoração do salão no meio de uma música. Os professores tentavam impedir o monstrinho, enquanto os alunos iam ao delírio.

Daí pra frente, Allin foi fazendo shows com suas várias bandas de apoio, mal sobrevivendo com o que ganhava. Dormia onde dava, passava os dias onde fosse. As músicas de G.G. refletiam tudo que sua mente deturpada pensava: “Needle Up My Cock” (Agulhe Meu Pau), “I Wanna Piss On You” (Quero Mijar Em Você) e “Fuckin’ The Dog” (Comendo O Cachorro) eram apenas algumas das diversas letras “poéticas” de G.G. Dee Dee Ramone chegou a fazer parte da banda de Allin, mas abandonou em pouco tempo: nem ele aguentou o comportamento do vocalista.

Os shows eram um caso à parte. G.G. chegava de tapa-sexo e coturnos, geralmente. Logo quebrava uma garrafa na cabeça, o deixando cheio de sangue. Pegava os cacos de vidro e se cortava um pouco mais. Na maioria das vezes, mandava uma suntuosa cagada no palco e comia, às vezes obrigando a plateia a participar. Espancava quem estivesse perto: fãs, banda, seguranças, homem, mulher, quem fosse. As apresentações costumavam durar no máximo 15 minutos, até a polícia chegar ao local e encontrar o bar em frangalhos e recheado de dejetos e sangue por todo lado. O show quase sempre acabava na rua, com pessoas correndo da polícia e G.G. batendo a cabeça em postes…

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G.G. Allin anunciava sempre que se suicidaria no palco, mas sempre calhava de ele estar preso no dia planejado. Não foi necessário: G.G. morreu de overdose de heroína em 1993, logo após um de seus mais violentos shows. Um velório no estilo G.G.: o cadáver estava lá, deitadão, de cueca e jaqueta, com um microfone numa das mãos e uma garrafa de whisky na outra. Os presentes pegavam a garrafa, bebiam um pouco, faziam G.G. de marionete, desenhavam nele com pincel atômico… Um fã mais exaltado chegou a praticar sexo oral no defunto.

Para saber mais sobre G.G. Allin, assista o documentário “Hated: GG Allin and the Murder Junkies”:

(texto originalmente publicado no blog Contraversão)


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