Fluhe prepara para julho o EP “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, com influências de soul, trip hop e música africana

Chico Leibholz já passou por diversos projetos musicais, mas o Boom Project foi o pontapé inicial para o seu trabalho mais autoral e pessoal, o Fluhe, que lançará seu primeiro EP, “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, em julho pela Alcalina Records.

Com influências de soul, trip hop, música africana, glitch e muito mais, ele compôs as canções do projeto sem muita pretensão para extravasar noites de insônia, depressão e ansiedade que lhe acometiam há algum tempo. Daí saíram músicas dedicadas às suas filhas, Luna e Helena, em um estilo que ele define como instrumental trip noise.

– Como surgiu esse novo projeto e como seus projetos anteriores influem no som?

Cara, surgiu de uma forma muito despretensiosa. Eu havia feito os rascunhos das músicas durante a segunda gravidez da minha esposa, e a princípio iria deixar no meu HD. Tirar a depressão, noites sem dormir e fadiga mental da minha cabeça. Nesse meio tempo fui chamado para tocar bateria em dois projetos, um com o Jimi Arrj e outro com o Rafa Bulleto. Basicamente juntei todos pra formar minha banda. O único projeto anterior que de fato influencia a Fluhe é a Boom Project, que era instrumental. Na real foi com a Boom que aprendi a fazer música instrumental, que hoje é o que (acho) (risos) sei fazer.

– E de onde surgiu o nome?

O nome é uma homenagem bem paternal. Fluhe é “for Luna and Helena “, que são minhas filhas.

– Pelo que entendi, elas são basicamente o motivo do projeto existir, certo?

Diria que o motivo é minha esposa. Elas são as melhores consequências disso tudo.

– E como você definiria o som desse projeto?

Instrumental trip noise. Peguei influências de soul, trip hop, música africana, glitch e fiz músicas sem pretensão. O noise vem de noites sem dormir e muita estafa.

– Me fala um pouco sobre as músicas desse projeto que você tem e como foram compostas. Pode ser tipo faixa a faixa, se quiser.

Massa!

01 – “Além das Bandeiras” – Numa dessas buscas infinitas madrugada adentro sobre eu mesmo caí em uma entrevista do John Lennon, de 1968. Ele fala como via o mundo naquela época, e basicamente parece semana passada. Fiquei com aquilo ecoando na cabeça e fiz um sample e depois criei a estrutura inteira.

02 – “Soturno Soturno” foi uma das músicas mais dolorosas durante o processo de gravação do EP ”Leve Devaneio Sobre Ansiedade” que sai em julho, via Alcalina Records. É a faixa que expressa um momento entre a véspera do nascimento da minha segunda filha, uma estafa mental, cansaço, noites sem dormir e um círculo vicioso com álcool.

03 – “A Segunda Casa” – Eu me mudei para São paulo em 2006 e fiquei até 2016. Essa música reflete tudo o que vivi na cidade. O caos, a solidão, aquele medinho que todo mundo que sai de uma cidade do interior e muda para a capital sente. O lance de estar solteiro, suscetível a conhecer alguém, de conhecer. Passar perrengue, se foder, Casar, ter filhos, crescer, sofrer, resistir, e se ludibriar. Esse é um leve devaneio da minha relação com sp. Pra mim é um trip hop gordo com sobras.

04 – “O Golpe” – Não sei para você, mas pra mim desde o golpe piorou. O sample é um trecho de uma entrevista do Tim Maia. Graças à Boom Project aprendi groovar com distorção..

05 – “874 C” – Essa é uma demo resgatada de um dos últimos ensaios com a Boom Project. Foi quando eu havia engrenado a tocar com dois guitarristas. Quase a melhor formação, e a que menos durou. Era o Nirso no baixo, André Zaccarelli na guitarra, Lucas Oliveira (Vitreaux, Maglore) na outra guitarra e eu na bateria. Perguntei se podia torná-la minha e eles liberaram. Groovão. Regravei a versão da demo mudando algumas coisas.

06 – “Alone and Empty” – o riff veio de alguma das vezes que tocava violao para minha filha mais nova, depois que ela nasceu. Foi a última música a entrar no EP. Essa música sintetiza minha compreensão sobre depressão. Você sempre se sente só e vazio entre momentos caóticos quase felizes. Ela conta com a participação de Luka Funes nas guitarras.

– Você pretende continuar com o projeto ou foi algo pensado apenas para o EP?

A partir do momento que essas músicas viraram parte de um todo, e um projeto meu virou uma banda, o plano é continuar. Tenho rascunhos de um próximo ep e de um primeiro full.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos temspo!

Confesso que tenho escutado muito menos que que gostaria, mas é pelo fato de eu estar morando no interior de São Paulo e a grande maioria dos rolês aqui é de banda cover. Mas o que me mostraram e eu curti bastante foram: o duo Antiprisma que é folk psicodélico, a Leza que além de ser do brother Gustavo, pra mim é um stonerzão bem psicodélio, mais pra psico que stoner, mas é chapado. O disco “Vol 2” da Sheila Cretina também é fodão. Indico também as meninas do Obinrin Trio e o som do Giovani que nem é tão mais independente assim.

Ouça o single “A Segunda Casa”:


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