Fêmur estreia com brado contra o tratamento desigual e a meritocracia em “The King Has To Die”

Fêmur estreia com brado contra o tratamento desigual e a meritocracia em “The King Has To Die”

23 de julho de 2019 0 Por João Pedro Ramos
Lo Fi, Neo Soul, Psicodelia e Latinidades são as forças motrizes da banda Fêmur, que lançou recentemente seu primeiro single e clipe, “The King Has To Die (aka Rei da Balbúrdia)”, endereçada diretamente a alguns poderosos que não preciso nem citar. “O início da musica, “escopetas pro norte, violetas pro sul”, fala um pouco da diferença de tratamento dado pela polícia/exército no Rio de Janeiro: na Zona Sul quando vão prender alguém vão com rosas e na zona norte é sempre com muito tiro”, conta Zé Roberto, guitarrista do trio. “Essa foi a ideia inicial, aí fui ligando alguns pontos, como não acreditar na sorte de quem tem sangue azul, que é basicamente falando sobre a meritocracia e a galera que acredita que trabalhar na empresa dos pais é algo que fez por merecer. Até chegar à critica mais direta ao presidente e seus fãs, que agem como se fossem reis do país”. Em breve a banda, também formada por Luana Karoo (Voz) e Pedro Guinu (Synth/Programação) lançará seu primeiro EP, “As Bocas do Tempo Contam a Viagem”. “Temos mais 3 músicas prontas. Uma delas tem bastante synth e elementos psicodélicos e de noises, outra vai pra um lado mais do groove com elementos de funk americano dub e musica eletrônica misturada com algo da Bahia, e tem uma versão de “Prato de Flores” da Nação Zumbi que o Guinu fez numa onda bem neosoul/lofi”.
– Bom, dá pra sacar o endereço da letra de “The King Has To Die”, mas eu queria que vocês me contassem um pouco mais sobre como ela foi composta.

José Roberto: Eu quem escrevi a letra. A ideia veio inicialmente quando estava me preparando pra ir em uma festa. Comecei a cantarolar uma melodia que viria ser a estrofe. Fui lembrando das coisas que me rodeiam, como por exemplo o início da musica, “escopetas pro norte, violetas pro sul”, fala um pouco da diferença de tratamento dado pela polícia/exército no Rio de Janeiro… Na Zona Sul quando vão prender alguém vão com rosas e na zona norte é sempre com muito tiro… Essa foi a ideia inicial, aí fui ligando alguns pontos, como não acreditar na sorte de quem tem sangue azul, que é basicamente falando sobre a meritocracia e a galera que acredita que trabalhar na empresa dos pais é algo que fez por merecer. Até chegar à critica mais direta ao presidente e seus fãs, que agem como se fossem reis do país. Nisso, fui linkando as coisas que mais chamaram atenção até então, como o golden shower, as fakes news, e fazendo o elo com os reis europeus do passado.

Pedro: A gravação foi toda no meu homestudio no Andaraí, Zona Norte do Rio. O Zé chegou com o groove de guitarra e uma ideia de beat, eu criei essa linha de baixo no Moog e fomos desenvolvendo a ideia. Foi bem natural, tudo soava bem. Ao final chamamos a Luana, que arrebentou no vocal.

– E como rolou o clipe?

José Roberto: O clipe veio aos 45 do segundo tempo, como é o nosso single de estreia achamos melhor vir aliado a um vídeo pra nos apresentar visualmente, então o clipe foca bastante nos rostos, principalmente da Luana, que é quem canta e leva a mensagem. Dentro do clipe a ideia era de colocar elementos que subliminarmente desse a entender que quem iria matar o rei estava no grupo: o capuz, a máscara…

– Pode me falar mais das músicas que vem por aí após este single? Como definiriam o som da banda?

José Roberto: Temos mais 3 músicas prontas.Uma delas tem bastante synth e elementos psicodélicos e de noises. Outra vai pra um lado mais do groove com elementos de funk americano dub e musica eletrônica misturada com algo da Bahia. E tem uma versão de “Prato de Flores” da Nação Zumbi que o Guinu fez numa onda bem neosoul/lofi. O som da banda está bem dividido mas se fosse pra definir seria neosoul psicodélica.

Pedro: Para mim a Fêmur passeia entre o indie rock, hip hop, neosoul, rock progressivo e boas doses de musica brasileira. As outras músicas reservam boas surpresas.

– Como a banda começou?

Pedro: Eu conheço o Zé daqui da ZN, toco teclado na Zé Bigode Orquestra e produzo algumas coisas pra ele aqui há um tempo. Ficamos conversando em montar um projeto menor, alternativo e com vocal. Continua aí Zé…

José Roberto: Sim, estava pensando em fazer algo com voz e mais enxuto do que na Zé Bigode Orquestra, na qual sou guitarrista também, e comecei a produzir com o Pedro o que viria ser a Fêmur. Aí estávamos pensando em quem poderíamos chamar pra cantar e apareceu a Luana Karoo, que eu já estava ligado no trabalho dela. Tava ligado no som dela, chamei pra participar de uma gravação quando ainda não tinha ninguém fixo, aí fluiu legal e rolou o convite pra ela entrar.

– E como chegaram no nome da banda?

Pedro: Foi ideia do Zé!

José Roberto: O nome veio por acaso também, estava pensando em um nome pro projeto e nada me vinha à cabeça, até que em um momento veio esse nome. Fêmur, que é o nosso maior osso, e que é uma parte super importante do nosso corpo, aí curti a ideia de colocar esse nome.

– E vocês têm planos de lançar um EP ou disco no futuro?

José Roberto: Sim, está previsto pra sair esse ano nosso EP de estreia, que se chamará “As Bocas do Tempo Contam a Viagem”, influenciado por um livro de contos do Eduardo Galeano.

– Pode contar mais do que terá no EP?

José Roberto: Além da “The King Has to Die”, rolarão mais 3 músicas, sendo uma delas uma versão de “Prato de Flores” da Nação Zumbi.

Pedro: A versão de “Prato de Flores” está com uma sonoridade bem interessante uma onda downtempo, neosoul, etc.

José Roberto: Que por sinal foi feita de forma bem espontânea.

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências da Fêmur?

Pedro: São várias, algumas mais fortes como Chico Science e Nação Zumbi, Gilberto Gil, Hiatus Kayote, Hermeto Pascoal, Kamasi Washington, Herbie Hanckock, Louis Cole.

José Roberto: The Internet, Anderson Paak, Glue Trip, Baiana System… As clássicas Erykah Badu, Lauryn Hill.

– Recomendem artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Vou citar o que eu ando ouvindo mais ultimamente mesmo… Tagua Tagua, Mombojó e Mahmundi.

Pedro: Russo Passapusso, Orquestra Rumpiless, Pedro Martins (estou ouvindo esses).