Fãs de O Terço, austríacos do The Heavy Minds injetam psicodelia no seu garage rock

Fãs de O Terço, austríacos do The Heavy Minds injetam psicodelia no seu garage rock

15 de maio de 2019 0 Por João Pedro Ramos

The Heavy Minds, banda da Áustria, é um trio de garage rock psicodélico que abusa dos riffs pesados e cheios de fuzz e das melodias e solos espaciais, emulando o som dos anos 60 e 70 e entrando na neo psicodelia de bandas como Tame Impala e King Gizzard and The Lizard Wizard. Formada por Christoph Hofer (bateria), Lukas Götzenberger (guitarra, vocal e baixo) e Tobias Toto Standard (guitarra), a banda prepara agora seu segundo disco, “Second Mind”, gravado entre julho e novembro de 2018 no norte da Áustria e em Viena. O disco promete trazer o som cru e garageiro da banda, sem deixar de lado as jams psicodélicas pelas quais eles tanto prezam.

Uma curiosidade é que o trio de austríacos admira muito uma banda vinda diretamente do Brasil. Ao serem perguntados sobre o que eles conhecem de nosso país, rapidamente eles elogiam muito a obra da banda O Terço, frisando que a psicodelia da banda é uma das melhores que já ouviram. “Tem umas jams pesadas ali”, elogiam.

– Como a banda começou?
Bem, Chris, Tobi e eu começamos a fazer música antes do surgimento de The Heavy Minds. Nós fomos para a mesma escola e eu estava procurando pessoas para tocar. Então eu coloquei um panfleto no quadro negro e de alguma forma nos reunimos. Nós tínhamos aproximadamente 15 naquela época. Depois de alguns experimentos, mudanças de programação e coisas assim, finalmente nos encontramos e formamos o The Heavy Minds em 2013. Até este ano, nós éramos um trio, mas devido ao fato de nosso novo material dificilmente pode ser feito ao vivo corretamente sem um baixo, estamos gratos por ter nosso amigo Benedikt Brands do nosso lado agora! Bene toca em um monte de outras bandas como High Brian, The Hair e também tem um projeto solo brilhante chamado My Friend Peter. Então sim, é basicamente a nossa história.

– Como surgiu o nome da banda?
Essa é difícil (risos). Acho que precisávamos de algo esquisito, abstrato, mas que ao mesmo tempo soasse clássico, se é que isso faz sentido.

– Quais são suas principais influências musicais?
Provavelmente seria mais apropriado afirmar que somos principalmente influenciados por um enorme caldeirão musical de sons dos anos 60 e 70, garage rock, prog, krautrock, lo-fi, neo-psicodelia e todos os tipos de crueza underground.

– Como você definiria o som da banda?
Eu diria que é cru, sujo, cheio de delay, às vezes pesado, às vezes sonhador. É difícil descrever sua própria música. Mas eu acho que posso definitivamente dizer que nosso primeiro álbum foi mais do lado do blues, enquanto o novo será um pouco mais experimental em certos aspectos.

– Como está a cena do rock independente em sua área hoje em dia?
Eu diria que de fato existe algum tipo de cena aqui na Áustria, embora não seja de longe tão extensa quanto em outros países. Para mim, pessoalmente, significa muito poder se comunicar, tocar e trabalhar com pessoas criativas e apaixonadas dentro de uma determinada rede, embora seja bastante pequena. Nós ainda curtimos muito isso.

– Você pode me falar um pouco mais sobre o material que vocês lançaram até agora?
Lançamos nosso primeiro álbum “Treasure Coast” em 2015 no StoneFree Records. Em 2016 colocamos um single no Bandcamp chamado “Footpath To Fortress” que também aparecerá no nosso próximo disco, “Second Mind”, que será lançado em julho também via StoneFree. Todo o nosso material foi gravado na casa de Chris sozinho, mixado por Marco Kleebauer (Leyya) e masterizado por Alpha Mastering.

– Quais são os próximos passos? Vocês estão trabalhando em novas músicas?
Sim, nós estamos! Mas é difícil para nós ensaiar continuamente devido ao fato de que Chris está trabalhando como médico agora, Tobi é uma enfermeira e eu estou estudando e tocando em duas outras bandas em Viena.

– Como você se sente sobre a era da música streaming?
Como tudo mais, tem seus prós e contras. Mesmo que os benefícios para os músicos reais devam ser muito maiores, é uma boa maneira de divulgar sua música.

– Vocês planejam vir para o Brasil e conhecem alguma música brasileira?

Infelizmente, isso não será possível em um futuro próximo, eu acho. Mesmo assim, adoraríamos tocar aí! Em relação à música brasileira, tenho que pensar em O Terço imediatamente! Algumas jams bem pesadas ali …!

– Recomendem algumas bandas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!
Sempre há muito para ouvir, mas se eu tivesse que escolher algumas bandas mais recentes, aqui estão algumas favoritas: The Oh Sees, Brian Ellis Group, DanavaPsicomagia, Kikagaku Moyo, Astra, ORB, Useless Eaters, Chicago Odense Ensemble, Zig Zags, Babe Rainbow, Ovvl, King Gizz, Odd Couple, Khruangbin, GØGGS (basicamente tudo relacionado a Ty Segall!).