[Exclusivo] Pedro Bala e os Holofotes cria viagem psicodélica sessentista no single “Nuvem Cinza”

[Exclusivo] Pedro Bala e os Holofotes cria viagem psicodélica sessentista no single “Nuvem Cinza”

24 de maio de 2019 0 Por João Pedro Ramos

A banda Pedro Bala e os Holofotes mergulhou seu power pop na psicodelia sessentista no novo single, “Nuvem Cinza”, lançado com exclusividade aqui no Crush em Hi-Fi. O grupo, formado por Mateus Cursino (vocal e guitarra), Pedro H. Alves (baixo), Júlio Dias (bateria) e Caio Rennó (guitarra) traz nesta música mais uma de suas reflexivas letras em português, acompanhada por um instrumental que remete aos momentos mais viajantes do Clube da Esquina com um quê de Mutantes, duas de suas maiores influências.

A faixa fará parte do disco “Apartamento 17”, que contará com 9 faixas e tem a produção de Davi Bernardo (experiente músico guitarrista, hoje no programa Conversa com Bial – Globo, Bárbara Eugênia e Mallu Magalhães), além da participação do produtor Renato Cortez (Baixista e fundador da banda Seychelles, ex- Bárbara Eugênia). Cinco faixas foram gravadas no Estúdio Toca (Pouso Alegre – MG), de propriedade do Maestro José Roardo e as demais no estúdio Mato Records (Carmo de Minas – MG), do produtor Renato Cortez. O álbum contará também com a participação especial de Pedro Pelotas, tecladista da banda Cachorro Grande.

Ouça o single “Nuvem Cinza”:

Youtube: https://youtu.be/UUjUh1Zr8GU
Spotify: https://spoti.fi/2X3Uv5C
Deezer: http://bit.ly/2HOx0at
Google Play: http://bit.ly/30DVDPJ
iTunes/Apple: https://apple.co/2Hz7jM3
Tidal: http://bit.ly/2JYGsuA

– Como a banda começou?
Mateus Cursino: A banda começou em 2009, Paraisópolis, sul de Minas Gerais. Até então eu tinha uma banda grunge, mas estava a fim de fazer rock psicodélico que ao mesmo tempo incorporasse influências brasileiras como Mutantes, Clube da Esquina e Jovem Guarda. Procurei três caras que possuíam mais ou menos as mesmas influências sonoras que eu tinha e encontrei o Paraná, Tomás e Fernando (todos beatlemaníacos). A partir daí começamos os ensaios para trabalhar exclusivamente em canções autorais, e a primeira música que gravamos foi “Poetas Transcendentais” que está na coletânea “Contém Oito Doses” em todas as plataformas de streaming. A formação inicial acabou quando Paraná e Tomás resolveram se dedicar aos estudos e por isso se mudaram de cidade. Eu segui a vida tocando em diversos outros projetos até que retomamos as atividades no final de 2017.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Mateus Cursino: O nosso som é um power pop fortemente influenciado pelo rock psicodélico dos anos 60 com letras que retratam paisagens bucólicas sul mineiras e também nossas desilusões amorosas, todas escritas em português. O último lançamento da banda foi o EP “O Dia Já Começou”, de 2016. Esse trabalho tem melodias e refrões marcantes, com arranjos e letras simples. O disco que vai sair esse ano está mais rock’n roll que os anteriores. Nós trabalhamos com bastante calma nos arranjos e todos os integrantes colaboraram com as composições.

– Como surgiu o nome da banda?
Mateus Cursino: O nome “Pedro Bala” veio do livro “Capitães de Areia” do Jorge Amado. E “Os Holofotes” veio de uma “piração” minha com o meu primo Felipe José. Esse lance quase rural e meio “dupla caipira” foi intencional (risos)… Afinal, somos de uma cidade do interior do sul de Minas Gerais com pouco mais de 20 mil habitantes.

– Quais são as maiores influências do som de vocês?
Pedro H. Alves: As raízes da banda tem muita influência de Júpiter Maçã, toda Tropicália e Psicodelia, Syd Barrett e os Beatles, ah, e claro, Clube da Esquina; é o jeito de fazer música aqui no sul de minas. Agora a banda tem diversas influências, de sons que estamos escutando ultimamente, e de outras coisas que gostamos.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram.
Pedro H. Alves: Bom, nosso último trabalho lançado foi: “O Dia Já Começou”, em 2016, um EP com 5 músicas que remetem bem a cidadezinha que vivemos. Ele tem um ar mais bucólico, com um rock mais cru, já os outros trabalhos mais antigos da banda são psicodélicos. Então, com essa nova fase da banda, estamos empenhados em lançar esse novo trabalho, que será nosso primeiro disco cheio mesmo.

– Quais os próximos passos da banda?
Pedro H. Alves: Terminamos há pouco tempo de gravar parte do LP com o Davi Bernardo (Barbara Eugênia, Mallu Magalhães, “Conversa com Bial”) no Toca Estúdios. E outra parte do disco no estúdio Mato Records, do produtor Renato Cortez (Baixista e fundador da banda Seychelles, ex- Bárbara Eugênia). Então nosso empenho agora é lançar e divulgar esse material, o primeiro passo vai ser o lançamento do primeiro single “Nuvem Cinza” dia 24 de Maio. E trabalhar na promoção do novo disco que se chamará “Apartamento 17“.

– O mainstream ainda é o objetivo para as bandas do underground ou isso não existe mais?
Caio Rennó: Todo mundo espera o melhor resultado possível do seu projeto, mas não acho que mirar somente na maior fatia de mercado seja algo positivo para a criação musical. Até porque, para isso, a criação deve ser moldada de acordo com a expectativa desse mercado mainstream generalista, ou seja, a música tem que ser fundamentalmente fácil de digerir. O mercado da música tem diversos fluxos, ou ‘streams’, cada um com sua importância cultural e econômica. Descartar todos em favor somente do fluxo principal, me parece ingenuidade. Quando criamos, nossa intenção é a de nos comunicar com um público específico que não está satisfeito com o que nos está sendo empurrado goela abaixo todos os dias. Queremos ser o grito da galera que não se encaixa no perfil da maioria. Nosso público são pessoas que não consomem só a farinata das grandes mídias pois procuram exercer sua autonomia na hora de escolher o que escutar.

– O rock ainda deve voltar ao mainstream ou seu lugar é no underground?
Caio Rennó: Acho estranho pensar no público de ‘rock’ como uma coisa só. Dentro desse estilo tem música pra todo tipo de gente, é abrangente demais pra pertencer a um nicho só. Algumas das milhares de vertentes podem se encaixar melhor em cenas underground, mas isso não anula o fato de que o rock em geral é um dos estilos de música mais populares desde a década de 60. Não dá pra se limitar ao ‘8 e 80’.

– Como vocês veem a geração streaming que vive hoje em dia? O fácil acesso é bom ou ruim para a música?
Caio Rennó: Desatrelar a publicação de conteúdo da mídia física é um alívio pra quem faz música independente, é um obstáculo a menos. Além disso, música é cultura e quanto mais fácil o acesso melhor. A cultura dá voz a quem não tem.

– Como vocês veem a efervescência da cena independente?
Júlio Dias: Ficamos felizes que a cena independente tenha crescido em setores diversos da arte no Brasil. Hoje já é possível ver muita gente vivendo da sua própria música. Apesar dos obstáculos, que são muitos, os próprios artistas se fortalecem entre si, criando agências, produtores e estúdios onde os valores são menores e a qualidade tão boa quanto a de grandes gravadoras. É uma troca que possibilita o acesso, não só dos artistas, mas também de quem consome, já que nessa permuta o artista se aproxima cada vez mais do seu público, seja através das redes, seja presencialmente. É um mercado ainda em expansão.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Júlio Dias: Aqui podemos falar de inúmeros amigos que fizemos durante essa trajetória de 10 anos de banda. São artistas que dividimos os palcos e fortalecemos muito a amizade. A Carcadia (Santa Rita do Sapucaí – MG) é uma grande parceira. Já fizemos diversos eventos juntos e sempre que possível a gente toma uma cervejinha. Outro grande parceiro é a galera da King in The Belly (Santa Rita do Sapucaí – MG/Austrália). É outra grande banda que pudemos ter a oportunidade de dividir palcos e copos. Também temos Os Gringos (Itajubá – MG), Mamamute (São Paulo – SP) e Cigana (Limeira – SP). Essa é a galera da cena do rock. Pra além dele, Giovani Cideira, Daniel Chimp (Paraisópolis – MG) e Cristaniel Silva (Paraisópolis – MG), da chamada nova MPB e hip hop, respectivamente. Não dá pra deixar de falar também dos produtores do nosso disco, Davi Bernardo (Pouso Alegre – MG), que possui um trabalho autoral muito bacana e do Renato Cortez (Carmo de Minas – MG), da banda Seychelles, muito forte na cena dos anos 2000.