[Exclusivo] Pata libera toda sua tormenta de cansaço e raiva no single “Downer”

[Exclusivo] Pata libera toda sua tormenta de cansaço e raiva no single “Downer”

8 de abril de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Uma pulsão de cansaço e raiva. Foi daí que surgiu “Downer”, novo single do agora trio de Minas Gerais Pata, lançado hoje com exclusividade aqui no Crush em Hi-Fi. A faixa, que fará parte do disco “Shit & Blood”, carrega em si um peso que casa perfeitamente com a letra, um desabafo sobre frustração e a felicidade plástica que existe hoje em dia. Dá pra ouvir claramente as influências de L7 e Bikini Kill correndo pelas veias de “Downer” e em cada grito de Lúcia Vulcano (vocal e guitarra) você percebe que Kathleen Hannah fez um estrago ali.

A banda, hoje também formada por Luís Friche no baixo e Beatriz Moura na bateria, conta que o novo trabalho terá 10 músicas e que conseguiram chegar em uma identidade musical muito própria neste disco. “Vai ter muita sujeira, muito drive, muito ódio e muito amor também (risos)”, conta Lúcia.

Ouça “Downer” aqui:

– Como surgiu “Downer”? Do que fala a música?

“Downer” surgiu de uma pulsão de cansaço e raiva. A música fala sobre não estar nada bem, em contraponto dessa felicidade plástica que existe quase como um produto que nos é empurrado goela abaixo, quase uma obrigação de estar feliz, mesmo estando tudo uma bosta.

– Como surgiu a ideia de fazer a introdução no som? Ela pega o ouvinte pelo pescoço!

Imaginamos que seria muito divertido abrir o CD (“Downer” é a primeira faixa) com a frase: “I hate every single day I’ve lived so far”!

– Você acha que as redes sociais são parte desta felicidade plástica ser cada vez mais explícita nos últimos dias, em contraponto a termos pesquisas dizendo que esta geração é a que mais tem ansiedade e depressão?

Nossa, demais. Acaba que viramos um avatar de nós mesmos. uma dupla persona do que queremos que os outros nos percebam. esse gap que cria da realidade e desse avatar virtual é bem tenso.

– Essa música fará parte de um novo trabalho. Pode adiantar um pouco de como ele será?

Claro! O álbum se chamará “Shit & Blood” e terá 10 músicas. Gravamos ele entre dezembro/18 e fevereiro/19 no Estúdio Motor aqui em BH. Acho que conseguimos chegar em uma identidade musical muito própria. Vai ter muita sujeira, muito drive, muito ódio e muito amor também (risos). Da 1ª faixa até a 10ª, construímos uma narrativa uma meio taciturna, com momentos distintos que se conectam entre si.

– Quem você citaria como influências para este novo trabalho?

Minha mãe, meu pai e a Xuxa. Mentira (risos). Tem muito de Soundgarden, L7, Babies In Toyland e até uns momentos de experimentalismo. Mas procuramos não viver em uma época específica, tentando mostrar o que somos e o presente em que estamos inseridos.

– A formação também mudou desde o primeiro EP. Como isso rolou e como isso desenvolveu o som da banda?

Vamos colar na bunda da Bê o adesivo “Deus Que Me Deu” (risos)! Ela é uma fofa e era o que faltava para a banda. Encaixou direitinho – tento musicalmente, quanto pessoal também. Mudou que agora eu não preciso ficar escrevendo a bateria e fritando muito em todos os instrumentos. Eu só falo para ela o que to pensando e ela faz muito melhor do que eu tinha pensado!

– Pretendem fazer clipe para esse som?

Sim! Já fizemos, inclusive. Vai rolar uma premiere no dia 14/04 e vamos lançar nas redes no dia 15/04. Gravamos no parque municipal aqui de BH e em um lixão. Produzido pela Tesoraria.

– Pode adiantar um pouco sobre ele?

Vai ter aquela atmosfera nossa tragicômica, uma criança mau humorada com corpse paint, a gente tocando num lixão cabuloso e muita merda e sangue!