[Exclusivo] Pata lança clipe noventista para “Monster”, faixa do EP “Wild and Cabeluda”

Acaba de ser lançado o videoclipe da música “Monster” do trio Pata, com imagens gravadas durante o show de lançamento do primeiro EP da banda, “Wild and Cabeluda”, na Casa do Jornalista em Belo Horizonte. Misturadas à imagens do filme “Yongary” de 1967, dirigido por Kim Ki-duk, a obra oferece, segundo a vocalista e guitarrista Lúcia Vulcano, “uma analogia para os sentimentos evocados na música, que em em alguns momentos parecem conjurar a forma primitiva monstruosa que nos habita, única capaz de exteriorizar toda nossa opressão. Mas até o monstro destruidor, pode demonstrar ternura. Mas só depois do caos. E não por muito tempo”.
Assista:

– Vamos logicamente começar falando do clipe de “Monster”! Como foi que rolou esse clipe tão noventista?

Acho que foi uma estética um pouco natural quando pensamos em fazer o clipe, já que o som da banda é bastante influenciado por essa década. Quando o Fábio Belotte (diretor do clipe) veio com as ideias, fomos caminhando meio que naturalmente para isso.

– E, é claro, o clipe tem um monstro.

(Risos) Sim! É a Yongari, uma monstra (!!) do filme do sul coreano Kim Ki-duk, “Monster From the Deep”. Na época (1967), era um filme concorrente do Godzilla.

– Me conta mais sobre a letra de “Monster”. Tem uma pegada bem L7, né.

Tem bastante influência, mas acaba que a abordagem da letra é um pouco diferente. A nossa “Monster” fala mais de um conflito interno, de uma coisa que foi se construindo ao longos dos anos e subjugando a pessoa aos poucos – um tipo de hospedeiro, um verme que suga o hospedeiro e, de certa forma, rouba a forma da pessoa se transformando nela.

– Esse som faz parte do primeiro EP da banda. Como rolou esse trabalho?

Eu tinha algumas músicas compostas e queria dar um corpo para esse projeto com essas composições. Acabei criando a pata para dar vazão a essas músicas. Decidi grava-las para ter um registro e colocar o trabalho para frente. Gravei tudo em casa, eu mesma – com a ajuda de alguns amigos. Acho que o “wild and cabeluda” foi uma das coisas mais desfiantes que fiz na vida.

– Então na real o Pata é mais um projeto solo do que uma banda, certo?

Não, é uma banda mesmo. Somos um trio – Eu, o Lulu e a Beatriz. Eu só dei o primeiro passo para a tirar a pata do papel – hoje temos muito mais um pensamento coletivo na criação dos arranjos. As músicas novas estão vindo a partir dos nossos ensaios e de longas conversas.

– Aliás, me explica o nome do EP, “Wild and Cabeluda”.

Bom hehe o nome da banda, pata, veio a partir da expressão pata de camelo, ressignificando-a como um símbolo de resistência das mulheres – uma subversão da noção que o corpo da mulher deve ser escondido. Apesar de que não é preciso ter uma pata de camelo para ser mulher, existem outras formas de ser. Daí o nome do EP, selvagem e cabeluda, que confirma essa ideia de subversão.

– Como você vê o crescimento dessa onda conservadora no mundo e como isso está servindo de combustível para o contra-ataque de quem vai contra esse pensamento?

É assustador. Eu não diria que é um combustível, pois a gente funciona bem sem essa onda conservadora, mas é definitivamente um alerta.

– Seria ótimo não precisar contra-atacar, né…

Com certeza!

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas?

Sim! Estamos idealizando o nosso primeiro álbum e tem sido bem divertido.

– Dá pra adiantar alguma coisa sobre ele?

Estamos no processo de escolher as músicas e ver o que funciona em cada uma. Já temos o nome! Mas é segredo, por enquanto (risos).

– E vocês já estão fazendo shows de divulgação do EP? Como estão rolando?

Estamos sim, inclusive nossa próxima data é no dia 30 de março aqui em BH no Saramandaia.

– Recomendem bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tem a Whatever Happened to Baby Jane que é muito massa, a Bertha Lutz daqui de BH, Charlotte Matou um Cara, Demonia, Lava Divers!


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