[Exclusivo] Muff Burn Grace deixa múltiplas personalidades tomarem conta no clipe de “Alterego”

[Exclusivo] Muff Burn Grace deixa múltiplas personalidades tomarem conta no clipe de “Alterego”

15 de agosto de 2018 0 Por João Pedro Ramos

“Alterego” é o mais recente single do quarteto Muff Burn Grace, que acaba de ganhar um clipe produzido no esquema Do It Yourself entre amigos pela própria banda com a ajuda dos amigos Camila Caballero e Rodolpho. “Compramos cerveja e dá-lhe produção (risos)”, conta o guitarrista e vocalista André. Com forte influência do rock alternativo dos anos 90, o som fala sobre uma visão pessimista da vida, sem perspectivas para o futuro. O clipe mostra os membros da banda sendo substituídos por seus alteregos em uma marcenaria, com o peso e o fuzz comendo soltos. Entre os “substitutos” da banda, estão os Dum Brothers Raul ZanardoBruno Agnoletti, a Daniely Simões, baterista da The Mönic, e Rodrigo Schiavon, baterista da finada Neoprimatas. Assista aqui ao lançamento exclusivo deste videoclipe:

Conversei um pouco com André e Roberto (bateria) sobre o novo clipe e os próximos passos da banda:

– Me contem como foi a produção deste clipe!

André: Total Low Cost! Como todas as bandas independentes do underground, a gente não tem um caixa muito bom pra essas coisas, então acabamos sempre tirando do bolso ou ajustando os custos. O local foi uma marcenaria, do pai da Camila, que é namorada do nosso guitarrista Felipe. Inclusive foi o mesmo local que gravamos nosso primeiro clipe, de “Shake It All”. A ideia era a banda tocando e simultaneamente outras pessoas em nosso lugar. Depois, já que o nome da música é “Alterego”, pensamos em apenas uma pessoa substituindo cada integrante, ou seja, nosso suporto alterego. (Tudo bem que o Roberto tá com dois alteregos neste clipe, mas o que vale é a intenção!) Para iluminação alugamos Fresnéis, para a edição chamamos nosso amigo Rodolpho, que cria conteúdo para um canal de games do YouTube, o Mondo Rake. Produção e Filmagens ficaram por conta da própria banda com a Camila Caballero, o próprio Rodolpho e o Ian, que atualmente é o baixista que substituiu o Ricardo. Compramos cerveja e dá-lhe produção (risos), em um dia conseguimos finalizar a filmagem.

– O clipe tem participações bem especiais de membros de outras bandas sensacionais. Podem me falar de como rolou o convite?

André: Como a ideia era que outras pessoas nos “substituíssem” tocando os nossos instrumentos, pensamos em amigos que pelo menos tivessem intimidade com instrumentos. Na verdade eu acho que isso seria consequência, já que vivemos rodeados de amigos que tocam em bandas. Chamamos os Dum Brothers, que até então era um Duo, com o Raul (Vocal/Guitarra) e o Bruno (Bateria/Vocal), a Daniely Simões, que é baterista da The Mönic, o Rodrigo Schiavon, que tocava bateria na finada Neoprimatas, e o Ian Caesar, que hoje é o atual baixista da Muff e na ocasião já estava sendo xavecado por nós. Também participaram do clipe a Camila Caballero, que ajudou na produção e é namorada do Felipe, o Rodolpho, que ajudou a produzir e editou o clipe, e a Jessica Cestariolli, que é amiga do Roberto.

– Como vocês veem a cultura do videoclipe hoje em dia, com toda a força do Youtube e a ausência de um veículo que leve os clipes para a grande massa, como a Mtv antiga, por exemplo?

Roberto: Assim como a própria distribuição das músicas, as ferramentas de streaming tem o potencial de levar seu conteúdo para um público muito maior. O que não acaba acontecendo dada a enorme quantidade de material lançado. Então, tem muita coisa boa que se perde. O retorno, no fim, acaba sendo baixo. O que leva com que bandas sem condições de investimento alto (como é o caso da Muff Burn Grace e da grande maioria das bandas do underground) dependa muito mais de criatividade e jogo de cintura para encontrar soluções que transmitam esse visão artística. Os clipes são importantíssimos para dar mais profundidade e abrangência a uma música, mostrar mais um pouco da história que ela conta. Quem sabe com isso ganhar algum destaque e chamar atenção para nossas criações que a gente tanto se orgulha.

– Voltando ao som: do que se trata “Alterego”?

Roberto: Vou deixar o André responder essa, que a letra e música são dele.

André: Eu não gosto muito de falar sobre o conteúdo das músicas, porque eu acabo nunca criando um conceito muito forte nas letras que eu faço (risos). Olha a Síndrome de Cobain. A letra tem uma forte influência do rock alternativo dos anos 90, que é o que eu cresci ouvindo, principalmente de Alice In Chains. Uma visão meio pessimista da vida, quando e pra quem ela não é muito boa. Ela é cantada em primeira pessoa, direcionada para um alterego, já que coisas neste nível não é fácil de falar pra qualquer um. Um desabafo mesmo.

– Já que falou nisso: contem um pouco mais sobre as influências musicais do som da Muff Burn Grace.

André: Na antiga formação da banda, eu posso dizer que o rock alternativo dos anos 90 dominava como influência. Em paralelo com isso a gente tinha o Black Sabbath e o Led Zeppelin, de onde veio essa veia riffada. No início da banda, ali em 2012, tava surgindo muita banda de stoner rock, então acabamos ficando com esse “rótulo”, mais pela similaridade do som, já que Sabbath, uma das nossas maiores influências, é o grande pai do Stoner.

Roberto: Desde que entrei na Muff, com a difícil missão de assumir as baquetas do Juninho, a gente tem tentando explorar novas sonoridades e até fugir um pouco de estilos que a gente já estava começando a considerar meio batido. Aproveitei a oportunidade para acrescentar uma batida mais forte, com mais pressão, que é mais a minha característica de tocar. Vejo um paralelo com os últimos bateristas do Queens of The Stone Age, que trouxeram essas mudanças para as diferentes fases da banda. Isso sem contar com o fato de ser uma banda que tem sua origem com um som próximo ao que nos influenciou, como Kyuss, e hoje procuram explorar uma gama sonora muito mais ampla. Me identifico muito com a pegada do Joey Castillo e sempre me pego colocando levadas dele nos sons. E sempre fui muito fâ do John Theodore! Desde o primeiro disco do Mars Volta, do One Day As A Lion (projeto irado com o Zack de La Rocha) e estou adorando o que ele trouxe recentemente para o QOTSA.

– Esse som é parte de um EP ou disco que vem por aí ou foi pensada como single mesmo?

André: A princípio como single. Íamos gravar apenas “Alterego”, mas aproveitamos a viagem até Volta Redonda/RJ no Estúdio Jukebox e gravamos mais 2, que também serão lançadas como single. Com esses lançamentos a gente dá uma estudada nas possibilidades.

– Vocês acham que o formato disco ainda é algo interessante hoje em dia, com o streaming e as playlists sendo o novo meio de se ouvir música?

Roberto: Sim, para mim continua sendo importantíssimo! Sempre tive o costume de ouvir discos completos e ficar curtindo o encarte. E até hoje eu sigo essa tradição. O streaming, como disse antes, facilita o acesso e talvez até a divulgação, mas se não há um trabalho conciso, um disco que reúna as músicas de um período da banda dentro de um contexto, músicas vão para um playlist e se perdem. Fica quase irrelevante. Reconheço, no entanto, que a mídia física faz mais sentido para bandas com agenda ativa e extensa de shows. Você podendo levar esse material para outros lugares fora da sua cena local instiga um público conhecer seu som, leva a venda de um merch e paga a coxinha com café para aguentar mais um dia de estrada! (Risos)

André: Complementando… Lançar um disco é um grandíssimo desgaste físico, mental e principalmente financeiro, mas acho necessário porque é um trabalho completo. Dar atenção só pra uma ou duas músicas de um artista é como assistir capítulos avulsos de alguma série.

– Uma curiosidade minha: de onde surgiu o nome Muff Burn Grace e o que ele significa para a banda?

Roberto: Xi! Ai é com o André mesmo! Fiquei sabendo o significado do nome só recentemente! (Risos)

André: No início da banda a gente não tinha muita cautela com algumas coisas. (Risos) Tô rindo de nervoso! Queríamos algo com o nome Muff, pra fazer referência ao pedal Big Muff. Pesquisamos algumas expressões com este nome e encontramos “Muff Burn”. Complementamos com o “Grace”. Muff Burn é como se fosse uma queimadura que fica na língua, lábio, queixo, nariz, etc. de alguém que faz sexo oral em alguma mulher. Parece nome de banda Glam dos anos 80. Desculpa aí, galera. (risos)

Roberto: É queimadura de pentelho! Muff Burn Grace recomenda: pratiquem mais sexo oral! (risos)

– E quais os próximos passos da banda?

André: De 2 anos pra cá mudou totalmente a formação. A banda começou como um trio, depois do lançamento do Urbano resolvemos chamar o Felipe pra segunda guitarra. Há um pouco mais de um ano chegou o Roberto pra assumir a batera e em seguida o Ricardo foi pra Irlanda, dando lugar pro Ian no baixo. Tá tudo muito novo. Em paralelo com os lançamentos que já temos engatilhado, queremos compor novas músicas para materiais futuros, que ainda não sabemos o formato, se é EP, Full ou mais singles. Temos alguns rascunhos, mas sem composições prontas para gravações. A ideia por enquanto é divulgar os sons novos e o videoclipe de “Alterego”. Em paralelo fazer shows. O importante é não parar!

Roberto: Em breve, após o lançamento do clipe de “Alterego”, vamos lançar nosso próximo single, a ser anunciado. E ainda temos mais um nos planos (da primeira música composta nessa nova formação e que já temos tocado ao vivo). Para cada um desses singles também temos planejado um clipe para acompanhar.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Roberto: Estive no show de lançamento e acompanhei um pouco da produção do Anticore!, disco do Danger City. Sensacional. Realmente impressionante. Recomendo fortemente.

André: Rapaz, tem muita banda boa! Acho que das bandas que tocam com a gente por aí, as que eu mais ouço são Mudhill e Mary Chase (que é a antiga banda do Roberto). O Corona Kings manda benzásso também e vê-los ao vivo é sempre bem intenso.

Roberto: O trabalho do Gabriel Vendramini também acho muito bom! Uma lição de DIY! Além da banda que entrega o melhor show da atualidade no BR: Molho Negro! Dá gosto vê-los tocar.