[Exclusivo] Lo Fi reforça o peso de seu “rock regressivo” no single “Trouble”/”Magic Boy”

[Exclusivo] Lo Fi reforça o peso de seu “rock regressivo” no single “Trouble”/”Magic Boy”

8 de fevereiro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

O trio de São José dos Campos Lo Fi costuma definir seu som como “rock regressivo”. A explicação ao rótulo é devido à colocarem em muitas de suas músicas as partes psicodélicas em camadas, como dita a enciclopédia do rock progressivo clássico, mas também inserem nelas a pulsação do punk, a sujeira do garage rock e até mesmo a aura da roça da cultura interiorana paulista, resultando em uma sonoridade única e bem autêntica.

O 12º registro fonográfico da banda, a ser lançado em 2019, agregará o passado, presente e futuro do power trio. Uma amostra deste disco pode ser conferida no lançamento exclusivo para o Crush em Hi-Fi do single “Trouble”/”Magic Boy”, em parceria com o selos Abraxas, Laja Records e a Karasu Killer. O single é o primeiro lançamento da banda após a comemoração de 10 anos na estrada, com 11 álbuns e incontáveis shows nacionais e internacionais.

Ouça:

“A gravação foi feita na minha casa”, conta o guitarrista Thiago Roxo. “À princípio com uma interface de quatro canais, poucos recursos. A bateria de ‘Trouble’, por exemplo, foi feita com 4 microfones, sendo 2 daqueles muito ruins, mesmo, do camelô, e desse modo também gravamos a bateria de uma outra música que vai entrar pro álbum. Aí, depois, o Marcelo viajou pra fora e trouxe mais equipamentos, o que possibilitou a gravação de uma bateria mais completa. Mas, a princípio, a proposta era essa, mesmo, gravar com o que tínhamos”.

A capa do single também remete ao contexto do gênero moldado pelo trio. Segundo o baixista Rogério, é uma homenagem a bandas dos 60s e 70s “de um álbum só”, como Clear Blue Sky e Caravan. “A foto representa a banda conversando sobre bandas nada mainstream, lado C, D e E destas décadas, que são a nossa pira e responsáveis pela invenção do rock regressivo. Tinham o formato de jam banda, mas o virtuosismo era um progressivo bem mais cru”.

“‘Magic Boy’ é violão, fuzz barulho e emoção˜, conta Thiago. ˜’Trouble’ é confusão, tanto em relação a letra quanto a música, foi a primeira que gravamos e experimentamos um monte de coisas assim como o disco que é um conjunto de experimentos de uma banda livre, gravamos sem produtor nenhum, então ele é Lo-Fi escarrada, tanto nas coisas boas quanto nas ruins. É verdadeiro como as músicas”. Sobre a criação das músicas, o guitarrista diz que “nossas composições sempre partem da ideia inicial minha ou do Rogério, com isso trabalhamos juntos no estúdio. A diferença dessa vez é não ensaiamos as musicas antes de gravar. Fomos descobrindo elas ao longo da gravação, que foi outra coisa nova que experimentamos dessa vez. As letras tratam da realidade que vivemos, pessoas que conhecemos e, às vezes, sobre a gente mesmo. Mas cada um interpreta como quiser”.