[Exclusivo] Livres, leves e polêmicos, banda SAUNA quebra tabus com lançamento do clipe de “Pintinho & Peitão”

[Exclusivo] Livres, leves e polêmicos, banda SAUNA quebra tabus com lançamento do clipe de “Pintinho & Peitão”

27 de julho de 2018 0 Por João Pedro Ramos

A banda SAUNA é uma divertida incógnita. Com membros que preferem se manter anônimos (e durante a entrevista inventaram as alcunhas de Xis, Ypsilon e ), o grupo investe em um som que mistura pop, tecnobrega, dance music, funk, new wave e tudo mais o que vier na cabeça para demonstrar sua veia libertária e sem medo de falar o que querem. “Somos uma banda virtual de seres pixelados que, quando no real, somos todo mundo”, conta Xis. Isso já chegou a render um certo ódio (como já era esperado) do povo mais conservador, que arrancou os cabelos com o primeiro clipe da banda, “Cu Doce”, falando sobre como o homem (inclusive o hetero) pode ter prazer anal.

Agora, a banda retorna com o terceiro single, sucessor de “Cabeluda”, “Pintinho & Peitão”, com lançamento exclusivo pelo Crush em Hi-Fi. Parte do disco “No Fundo We Like to Funk”, a música faz um convite a botar o corpo no sol sem medo de ser feliz. O clipe, inspirado em Chaves em Acapulco, foi gravado somente no celular no Posto 9, no Rio de Janeiro. “É um convite aberto, uma ida à praia: uma ode à liberdade de volumes e tamanhos numa prazerosa contemplação”, explicam. Assista e leia à entrevista com a banda:

– Bom, primeiramente eu queria saber o porquê do anonimato dos membros da banda?

Xis – A ideia é se afastar do indivíduo, pensar como grupo, como coletivo LGBTQ+ e como nossas causas se somam e se transformam numa coisa só.
Ypsilon – Somos corpos agindo na virtualidade, e não tem como esperar que sejamos reais ou pessoas identificáveis, a ideia é que somos todo mundo que se identifica com a mensagem. Através da música a genty quer ultrapassar as ideias de filosofia nesse laboratório formato banda, como forma de luta contra os conceitos já estabelecidos e muito fincados na sociedade.
– A genty é meio brincalhão, fincar mesmo é só o dedo, né?

– E vocês começaram já sofrendo uma censura no Facebook, né… Mostrando que as coisas ainda não estão tão livres quanto deveriam.

Xis – Pois é. quando lançamos o primeiro clipe, “Cu Doce”, com gifs roubados da internet, não imaginávamos que faria o barulho que fez. Muitos homens heteronormativos se sentiram ofendidos e foram nossos principais haters. Graças a eles atingimos 35 mil views de forma orgânica já que o youtube censurou o vídeo. Veja só que absurdo falar que um homem pode sentir prazer anal.
Ypsilon – A música fala de peggin, um conceito importante dentro da desmistificação sexual principalmente heterossexual, claro que repele também pra comunidade LGBTQ+, todos temos que quebrar conceitos ainda. Mas falar de penetração masculina é necessária. A gente pensa muito na ideia do pós pornô, a música tem disso, através do humor a gente contesta algo muito entranhado na sociedade.
– Loucura o que um dedinho pode causar!

– Me conta um pouco mais dos sons que vocês já lançaram.

Xis – A gente faz música como quem faz amor, por isso nossas músicas falam de sexo e aceitação. Já lançamos “Cu Doce”, “Cabeluda” e agora a gente vem com a “Pintinho & Peitão”, um convite pra praia sem medo de por o corpo no sol.
Y – Pegging, liberdade aos pelos e agora aceitação do corpo em suas mais variadas formas, volumes e tamanhos. A ideia é tentar abordar sempre assuntos que consigam penetrar tabus.
Z – Penetrar, estamos sempre tentando, parece até que só falamos disso. Mas música é também penetração, não? Entra no corpo e faz saltitar até o mais sério; a gente quer além de tentar fazer dançar, tentar fazer rir. Mas rir seriamente.

– Já tem alguma música nova em produção?

X – Lançaremos ainda este ano nosso disco de estreia, “No Fundo We Like to Funk”. Estamos já finalizando, nos aguarde.
Y – Um sintypop que extravasa as barreiras do som. Do axé ao funk eletronicamente num beat, esse será nosso disco.
Z – Em breve a gente penetrando ainda mais, formato CD, redondo e com furo no meio.

– E podem me contar mais sobre o que teremos no “No Fundo We Like To Funk”?

X – O disco é uma ode ao sexo livre de pudores, um convite à uma experiência sonora que atinja o corpo e dê prazer.
Y – Prazer pros ouvidos e pro corpo. Três músicas do disco já estão nas plataformas para ouvir online. O disco segue essa linha, muitos sintetizadores e mensagem pós pornô.
Z – “No Fundo We Like To Funk” já fala tudo nesse título. No fundo, bem no fundo, a gente só quer funk e fuck. A gente tá falando novamente de penetrar, fazer dançar, rir; dar prazer.

– E nos shows então dá pra ver ao vivo todo esse senso de liberdade, sem vergonha e sem medo de ser feliz? Quando vocês vão se apresentar, já tem datas?

X – Nosso show de lançamento foi em pleno Rio de Janeiro, foi pleno. Estar na cidade maravilhosa já é um show. Quanto ao figurino, dá pra conferir no lyric vídeo de “Cabeluda”. Claro que nossos corpos são desimpedidos e, somado ao figurino, nossa mensagem fica mais redonda.
Y – Somos uma banda virtual, show é um evento muito real pra Sauna. Já fizemos e faremos, mas o lance todo é tentar ser mais virtual que presencial. Nossa música é pra tocar na balada sem ou com show nosso, e nossa presença em formato show talvez não seja o que estamos mais em busca e sim o contrário, a diluição da nossa realidade pra dar lugar e voz à virtualidade.
Z – A gente faz show mas o engraçado e diferente seria a gente não fazer, não é? Tem show em breve sim, mais próximo do lançamento do disco, nossos corpos estarão lá. Agora se estarão livres e isso aí que você perguntou, eu não sei, vai ter que conferir!

– Quais são os próximos passos da banda?

X – O lançamento do disco, nosso primeiro, é nosso grande próximo passo. Tocar na rádio também, na balada, na despedida de solteiro.
Y – O disco é nossa meta de agora, esse último vídeo é nossa forma de convite pra chamar todo mundo pra esse lançamento.
Z – Penetrar os corpinhos suados, esses que dançam e gostam de dançar. Acho que é isso, nosso próximo passo, nossos próximos, sempre vai ser fazer dançar.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Xis: A Banda Uó é a nossa maior inspiração. Agora o Mateus Carrilho com a carreira solo também. Amamos K-Sis, as irmãs gêmeas que abalaram a MTV nos anos 90 também.
Ypslon: Tem o Jalloo maravilhoso.
Zê: Gab, lésbica futurista.