[Exclusivo] “Conversations” marca a volta do Rocket Bugs cheia de influências do rock alternativo noventista

[Exclusivo] “Conversations” marca a volta do Rocket Bugs cheia de influências do rock alternativo noventista

31 de julho de 2019 1 Por João Pedro Ramos

A Dinamite Records lançou hoje o novo single do trio da Zona Leste paulistana Rocket Bugs, “Conversations”, parte do álbum “Seat Belts On“, a ser lançado no final do ano.O single “Feel At Home” (2018), lançado ano passado, também fará parte do novo álbum. Totalmente DIY, as baterias e vozes de “Conversations” foram captadas no estúdio Gelatina Trêmula, enquanto baixo e guitarra foram gravadas em casa pelo vocalista Rodrigo Leite, responsável também pelo processo de mixagem e masterização. Vocais melódicos, guitarras sujas e uma pitada de anos 90 com muitos backing vocals a la The Vines, o single retrata a confusão mental que a comunicação frenética e caótica dos dias de hoje causa na mente.

A banda foi formada em 2012 em São Paulo e atualmente é formada por Rodrigo Leite (guitarra e voz), Bruno Leite (baixo e voz) e Gilson Ramos (bateria e voz). O trio carrega influências da cena alternativa americana dos anos 90 de bandas como Pixies, Sonic Youth, Pavement e Yo La Tengo.

Ouça “Conversations” e confira uma entrevista com o trio:

– Me contem mais sobre o novo single!

Rodrigo: “Conversations” é o 2º single do nosso álbum, previsto para esse ano. Ela marca a volta da banda com essa nova formação. Começamos em 2012 e tocamos até 2014, retornamos esse ano. A letra fala sobre a confusão mental que a comunicação caótica de hoje causa na nossa mente.

– Com a chegada das redes sociais, né. Mudou tudo, inclusive o jeito de se ouvir, divulgar e distribuir música.

Rodrigo: Total. E como de 2014 pra cá mudou muita coisa ainda, estamos nos readaptando nesse cenário. Mas acho que a maioria das mudanças/evoluções são benéficas para a cena como um todo.

– Me conta mais sobre o primeiro single, que veio antes desse.

Rodrigo: “Feel At Home” foi uma música que eu compus e gravei praticamente em casa, ainda pouco tempo antes do retorno do Rocket Bugs. Queria a época um riff simples de fácil assimilação, com melodia forte. A letra. apesar de ter duplo sentido com as gravações caseiras (sentir em casa), é sobre um relato de relacionamento casual.

– Esses singles estarão no próximo trabalho da banda? Podem me adiantar algo sobre ele?

Rodrigo: Sim, estarão! Serão 10 faixas, com previsão de lançarmos no final do ano. A ideia é depois desse lançarmos ainda mais um ou dois singles antes do álbum. A sonoridade do album continua com a mesma vibe dos singles, guitarras altas, bateria com overhead alto, bastante influência de rock alternativo americano 80/90.

– Quais as maiores influências do som da banda?

Rodrigo: São várias, mas principalmente nas composições são Pixies, Yo La Tengo, Sonic Youth, Nirvana, Husker Du, por aí…

Bruno: Nas linhas de backing vocal tenho muita influência de The Vines.

– Como vocês definiriam o som da banda pra quem nunca ouviu?

Bruno: 90!

Rodrigo: Complementando… Som clássico de power trio, canções com foco na melodia, guitarras sujas. Vocais médio agudos, com muito, muito backing vocal (risos). Gostamos bastante de harmonizar as melodias nas faixas de vocais.

– Como surgiu essa preocupação com os backings?

Rodrigo: Não é necessariamente uma preocupação… e mais um desejo natural de completar/engordar as linhas do vocal

Bruno: Antes do Rocket Bugs eu tinha outra banda cujo eu era o vocal principal. Na época eu sentia que faltava complemento vocal nas músicas. Quando o Rocket Bugs nasceu e eu assumo os backing vocals percebi que aquilo se encaixava perfeitamente com a sonoridade da música. Hoje com nosso novo baterista pensamos que poderíamos enriquecer ainda mais. E assim ele também canta com a gente.

– E como a banda começou?

Bruno: O Rodrigo e eu nos conhecemos em 2005. Eu tinha a minha banda e ele tinha a dele. Costumávamos fazer shows juntos. Quando a banda dele acabou e a minha também decidimos montar juntos uma banda nova. Muita gente achava que éramos irmão por conta do mesmo sobrenome Leite.

– Como anda a cena independente na sua região? Como vocês se enxergam nela?

Rodrigo: Ultimamente temos visto várias boas bandas novas surgindo, isso nos deixa muito animados e com esperança que essa cena possa crescer para além do underground. Bandas como Color For Shane, Sky Down, Violet Soda, The Monic

– Como vocês veem o futuro dessa cena underground?

Rodrigo: Não tem como falar do futuro da cena sem falar antes de como a indústria musical como um todo está se transformando… A facilidade de produzir e distribuir música hoje em dia, sem dúvida beneficia muito a cena underground. De todo o modo não é necessariamente mais fácil atingir um determinado público. Acredito que a cena pode se fortalecer conforme as bandas forem atingindo seus públicos e houver um intercâmbio entre esses públicos. Outro ponto importante… Noto que a maior parte das bandas que se destacam sozinhas (sem ter toda uma cena em que ela faz parte do contexto) não tem necessariamente um mercado sustentável no futuro. É triste quando uma banda boa se torna um ‘one hit wonder’. Isso pra mim é o mais importante da cena, ela transforma boas músicas, bons riffs, boa ideias em algo muito mais duradouro e significativo, um movimento mesmo.

– Quais são os próximos passos da banda?

Rodrigo: Prioridade agora é tocar o máximo que pudermos… Passamos o primeiro semestre compondo e arranjando as musicas, no segundo semestre queremos colocá-las em prática, testar ao vivo com o público mesmo.
Pro ano que vem já temos várias ideias de música que poderiam virar outro álbum já. Mas vamos trabalhá-las somente a partir de 2020 mesmo, ou pelo menos esse é o plano.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Rodrigo: Sky Down e Color For Shane como falei, além de Mieta, Bad Canadians. Outra banda que eu conheci esse ano e pirei no som é o Noid.

Gilson: Eu fui no show da Bizibeize com o Rodrigo e tô pirando até hoje!