Exclusivo: assista “Volta Pra Casa”, o novo videoclipe do projeto Massimiliano

O álbum “Briza”, de Massimiliano, lançado este mês, passeia entre o rock, mas sem deixar de lado o rótulo de gaúcho por mesclar gêneros regionais, em especial a saudosa milonga. O próprio cantor e compositor, Alex Vaz, que chega ao seu terceiro álbum, também abre a possibilidade ao post rock, por conta da estrutura das canções, mas talvez também noise, por conta da sonoridade. Tudo isso já nos mostra o quão diverso e único é o projeto que ele desenvolve desde 2010.

Confira o clipe da música “Volta pra Casa”:

Com uma narrativa em tom de desabafo, ele alia amor e revolução, questionamentos existenciais e políticos, em 12 faixas, que foram gravadas no A Vapor Estúdio, em Pelotas/RS. A masterização foi realizada por Lauro Maia, vencedor do Grammy Latino pelo disco Derivacivilização (2016), de Ian Ramil.  Ao vivo, o projeto Massimiliano se concretiza com uma banda de apoio formada por Daniel Ortiz, Alércio PJ (do Musa Híbrida) e Vini Albernaz (também do Musa Híbrida).

Confira nossa entrevista com Alex, sobre a construção do projeto e seu mais novo lançamento:

Como foi e quanto tempo durou o processo de composição do álbum? 
O álbum começou a ser concebido em 2014. Nesse ano, compus as músicas e delimitei a narrativa do disco. Em 2015, gravei uma pré do mesmo no meu home studio e em 2016 comecei o processo de gravação num estúdio profissional. Entretanto, veio a crise, faltou grana e eu segurei essa etapa. No final do mesmo ano fui convidado para fazer parte do Escápula Records.  Em março de 2017 entrei em estúdio para gravar as guias e em junho do mesmo ano estava entregando o disco para a etapa de mixagem. Apesar de angustiante, foi um processo tranquilo para mim, porque entrei em estúdio já sabendo o que queria fazer.

Quais as suas maiores influências musicais?
Sempre difícil falar sobre isso, portanto vou falar sobre os nomes que usei como referência para gravar esse trabalho. Nomes como Serge Gainsbourg, Chito de Melo, Júpiter Maçã, Jards Macalé, Arrigo Barnabé, Rogério Skylab e Nação Zumbi deram o norte para esse trabalho e posso colocá-los no rol das minhas influências gerais.

Qual a origem do nome Massimiliano para o projeto? 
Massimiliano foi inspirado no personagem do romance “O Ganhador”, do escritor Ignácio de Loyolla Brandão, por quem nutro sincera admiração. No livro, Massimiliano é um suposto ganhador de festivais – que na verdade nunca ganhou nada –  que viaja o Brasil profundo, vivendo situações típicas da vida de músico.

Podes contar um pouco mais sobre os dois álbuns lançados anteriormente? E como começou sua carreira?
“Descontrução” e Orleanza” são dois trabalhos do ano de 2013. “Orleanza” foi lançado primeiro. Gravei o disco de maneira analógica, com produção conjunta do Guilherme Ceron, que hoje trabalha com o Ian Ramil. Na época, juntamos alguns músicos amigos, microfones e uma mesa de fita. Registramos o álbum de 4 canções em uma noite, gravando tudo ao vivo. “Desconstrução”, também do mesmo ano, teve um processo bem diferente. Eu comecei uma campanha que consistia em compor, produzir, gravar e publicar uma música no espaço de uma semana. Fiz isso uma vez por mês, entre março e novembro do mesmo ano. No final do mesmo ano, o disco ficou pronto, como nove canções  e saí em turnê pelo Uruguay para divulgar o trabalho.

Minha carreira começou tocando em bandas do circuito underground aqui de Pelotas. Em 2006, comecei um trabalho junto com outros amigos que durou até 2012 e que foi base e escola para mim e para eles, a banda Canastra Suja, no durante sua existência lançou 2 discos de estúdio, um ao vivo e dois EPs, além de 3 vídeo clipes. Da banda Canastra Suja derivaram o projeto Massimiliano e a banda Musa Híbrida.

Conta mais sobre a ideia e execução do clipe “Volta pra Casa”. De onde surgiu o anseio de dar visibilidade ao estado do Teatro Sete de Abril? 
A ideia do clipe era fazer um audiovisual sobre a canção mais calma do “Briza”. Uma canção que fala sobre partida e o sentimento de ausência e fragilidade que uma despedida bruta causa. Conversei muito com o Felipe Yurgel – videomaker e diretor que já havia dividido a produção do clipe da música O pampa não tem culpa comigo – e chegamos no conceito estético de trabalhar com uma imagem que dialogasse com o resto do álbum. Como locação escolhemos a frente do Theatro Sete de Abril.

Teatro histórico no Brasil. Foi o primeiro teatro construído no Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do Brasil (1834).  Recebeu, nomes importantíssimos da arte e cultura nacionais e internacionais, além de ser um aparelho cultural imprescindível para a comunidade gaúcha e pelotense.  Até o seu fechamento – em dezembro de 2010 – era o Teatro público mais antigo do país em atividade. Por conta disso, o vídeo também vem fazer uma denúncia e um apelo pela volta do palco mais importante do Sul do Brasil que está criminosamente abandonado pelas gestões municipais desde então.

Ouça o disco “Briza” aqui:


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