“Era Uma Vez” (2008), um “Romeu e Julieta” carioca com trilha de Luiz Melodia

Era Uma Vez

Era uma Vez
Lançamento: 2008
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade e Domingos de Oliveira
Elenco Principal: Thiago Martins, Vitória Frate, Rocco Pitanga e Cyria Coentro 

“Meu nome é Thiago Martins. Nasci numa favela, na zona sul do Rio de Janeiro.Moro lá até hoje. Faço parte do grupo de teatro Nós do Morro. Eu batalhei muito pra fazer esse filme, porque essa história, podia ser a minha.Nessa guerra não tem vencedor. Rico, pobre, todo mundo sai perdendo. Eu não sei se essa cidade tem solução, não sei, mas se as pessoas olhassem com mais cuidado uns pros outros, acho que seria diferente.”

A última fala do filme antes dos créditos, um depoimento de Thiago Martins, o ator que interpreta o protagonista.

Porrada. Muito porrada. E fofo, muito fofo.

A versão moderna de Romeu e Julieta dirigida por Breno Silveira tem um revestimento de contraste social bem mais intenso e violento que em Shakespeare. Dé (Thiago Martinsé um moleque do morro do Canta Galo que perdeu um dos irmãos quando era pequeno, morto por um cara que tava entrando no tráfico e outro irmão pra cadeia, preso inocente. Sem nunca ter conhecido o pai e sempre sendo companheiro fiel pra mãe, ele trabalha numa barraca de cachorro quente na praia de Ipanema e desafiando o dizer da mãe de que “pobre é pobre e rico é rico”, se apaixona pela Nina (Vitória Frate), a menina rica que o Dé fica espionando: ela na janela do condomínio, na orla da praia e ele no quiosque.

Dé criança e o irmão mais velho

Dum jeito bem fofo, a história se desenrola até eles ficarem juntos e aí surgem as mil tretas. O pai da Nina (Paulo César Grande), superprotetor, se opõe a relação dizendo que tem medo do que pode acontecer com a filha entrando no morro, que aquele não é lugar pra ela; a mãe do Dé (Cyria Coentro) também entra no jogo: diz que não quer polícia vasculhando filha de rico na casa dela, que aquilo ia ser problema. Óbvio que, no melhor esquema shakespeariano, os dois continuam juntos. A coisa é que além dos pais existem outras coisas… As complicações que surgem com a polícia e com os traficantes ao longo do longa, denunciam dum jeito lindo, e sempre acompanhado de Luiz Melodia, uma realidade que parece proibir em constituição legal, que a história seja fofa.

Ipanema vista do Canta Galo “- Nossa, é perto, né? – Acho longe…”

Aproveitando o gancho da última frase, já entro na parte musical. A trilha tem do batidão à Luiz Melodia, passando por Mart’náliaMartinho da Vila e Marisa Monte, fazendo um panorama no mínimo interessante da música brasileira.

A inspiração para a trilha sonora de “Era Uma Vez…” nasceu da trajetória do personagem Dé, o protagonista do filme. Surgiu, então, a idéia de compor e escolher canções em primeira pessoa, tornando-as mais intimistas. “O fio condutor da trilha original era passar ao espectador o que estava na cabeça do Dé, e não deixar a música como algo apenas decorativo”, revela o produtor Berna Ceppas, autor da trilha original do longa-metragem.”

É a partir desse relato que fica clara a importância da trilha no filme e o valor a ela atribuído pelos produtores. Foi composta exclusivamente para o filme, a música “Uma Palavra” da Marisa Monte em parceria com o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes.

Foi ideia também da Marisa a inserção da música que eu entendo como sendo o carro chefe da soundtrack: “Minha Rainha”, no filme com a voz do maravilhoso Luiz Melodia, arranca suspiros de qualquer um e obriga um sorriso.

Ah, e outra que também não pode ficar pra trás é a composição do Carlinhos Brown, “Vide Gal”, no filme cantada pela Mart’nália e Martinho da Vila.

Trailer:

Filme:


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