Emicida traz palavras de força e leveza em seu primeiro disco solo em 4 anos, “AmarElo”

Emicida traz palavras de força e leveza em seu primeiro disco solo em 4 anos, “AmarElo”

1 de novembro de 2019 0 Por Vinicius Kdalm

Capa do álbum “AmarElo” do rapper paulistano Emicida.

Open in Spotify

O rapper paulistano Emicida lançou o disco “AmarElo” essa semana, contando com participações especiais das mais diversas: Nave, Fernanda Montenegro, Drik Barbosa, Thiago Ventura, MC Tha, Fabiana Cozza, Pastoras do Rosário, Pastor Henrique Vieira, Pabllo Vittar, Majur, Papillon, Jé Santiago, Ibeyi, Larissa Luz, Zeca Pagodinho e a Tokyo Ska Paradise Orchestra. Com toda essa mistura, até é capaz de se duvidar da qualidade do disco. Porém, pelo contrário, o disco é uma verdadeira obra prima.

O sucessor do álbum “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…” tem músicas revigorantes que soam como o tipo de música que conversa com nós mesmos, principalmente em momentos como o final de “Principia”, em que o Pastor Henrique Vieira recita um monólogo maravilhoso sobre amor. A primeira música do álbum também conta com a participação das Pastoras do Rosário e da cantora Fabiana Cozza. Sem dúvidas, uma das músicas mais emocionantes do álbum e uma das mais faladas nas redes sociais.

A segunda música do álbum, “A Ordem Natural das Coisas” , é uma verdadeira poesia representando a luta diária do povo, além de ser uma das músicas mais calmas do álbum. Bem parecida com as músicas do álbum anterior do rapper. A terceira, “Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, uma das músicas mais alto astral do álbum, misturando um pouco do samba com um som mais pop e finalizando com um áudio do comediante Thiago Ventura contando uma história sobre um conhecido dele no final da faixa.

“Quem Tem Um Amigo (Tem Tudo)” é a quarta música do álbum e uma das que mais se destaca, sendo fruto de uma parceria entre o rapper e o sambista já falecido Wilson das Neves. O samba pode ser considerado um hino para diversas amizades, além de contar com a participação espetacular do sambista e cantor Zeca Pagodinho com instrumental da Tokyo Ska Paradise Orchestra.

Na sequência chega “Paisagem”, um pop com toques de guitarra e um beat relaxante, além de uma letra bem alto astral. O início de “Cananéia, Iguape e Ilha Comprida” é a conversa do rapper com sua filha, algo até engraçado de se escutar quando começa a faixa. “Será que o Brown passa por isso?”, ele se pergunta. A sexta faixa é uma das faixas mais calmas do álbum, um pop que se encaixaria perfeitamente em qualquer playlist good vibes no Spotify.

A sétima música é “9nha”, uma parceria entre Emicida e a rapper Drik Barbosa, uma love song que mescla o rap, o pop e o samba no refrão onde o ritmo fica perfeitamente em sintonia com os versos “Oh, meu bem, a gente ainda vai sair nos jornais…” cantados pela rapper.

“Ismália”  quebra  o clima em uma das músicas mais pesadas do álbum, fazendo uma dura crítica ao racismo estrutural e trazendo um início potente quase que a capella e trazendo no meio da música a atriz Fernanda Montenegro recitando o poema “Ismália” de Alphonsus de Guimaraens, tornando a obra do disco muito mais complexa e genial. Sem sombra de dúvidas, uma das músicas mais complexas do álbum.

As últimas três faixas do disco já haviam sido lançadas como single: “Eminência Parda” traz a participação do rapper português Papillon, instrumental de Nave, a voz única da diva do carimbó chamegado Dona Onete, participação de Jé Santiago e um beat que, ao mesmo tempo que traz ares de hip hop, também tem em alguns efeitos utilizados nas vozes um pouco de trap. O tema, novamente, é o racismo estrutural que toma conta do Brasil (e do mundo).

A penúltima música do álbum é “AmarElo”, a música-título do álbum, que começa com um sample da famosa “Sujeito de Sorte” do já falecido cantor Belchior. A faixa conta com a participação das cantoras pop Majur e Pabllo Vittar e com uma das estrofes mais belas do álbum sendo fruto do poema “Permita Que Eu Fale”, lançado por Emicida um pouco antes do lançamento da música. Uma das músicas mais belas do álbum e com uma mensagem potente.

“Libre” fecha o álbum com a parceria do rapper com o duo franco-cubano Ibeyi, numa música que mescla ritmos latinos com rap e com o funk brasileiro. Música feita para o show dos dois artistas na edição desse ano do Rock In Rio, foi lançada como single na semana anterior ao festival e é uma das únicas que destoa das outras músicas do álbum.

O disco “AmarElo” tem tudo para ser considerado um dos melhores do ano e um dos melhores da carreira do rapper. O álbum que, após os 48 minutos gastos para escutar todas as faixas, faz você se sentir revigorado e com um sorriso no rosto, pronto para dar o play novamente. Emicida surpreende com esse novo álbum e com tantas parcerias interessantes, afinal, não é qualquer um que consegue botar de forma harmônica uma mistura que envolva Fernanda Montenegro, Thiago Ventura, Zeca Pagodinho e Drik Barbosa no mesmo trabalho. O álbum foi lançado na melhor época para se escutar as músicas do disco: o verão. “AmarElo” é recheado de músicas que se encaixam perfeitamente com a estação e com todas suas mensagens potentes de força e perseverança, pode (e deve) ser ainda um sucesso radiofônico.