Elza Soares lança o terceiro disco em 4 anos, “Planeta Fome”

Elza Soares lança o terceiro disco em 4 anos, “Planeta Fome”

13 de setembro de 2019 0 Por Vinicius Kdalm

Capa do novo álbum da cantora Elza Soares

Pare tudo que está fazendo e vá escutar o novo disco da cantora carioca Elza Soares. “Planeta Fome” é sem dúvidas um dos melhores discos do ano. Com participações de Russo Passapusso (BaianaSystem), Orkestra Rumpilezz, Virgínia Rodrigues, Pedro Loureiro, BNegão e Rafael Mike, o disco foi produzido por Rafael Ramos e teve a capa assinada pela famosa cartunista Laerte Coutinho.

O disco soa como uma carta aberta aos brasileiros e ao mundo, tecendo duras críticas a situação atual do país e a questões importantes como o racismo, o preconceito, a luta por direitos e o desejo de um país melhor.

O álbum tem início com a música “Libertação”, escrita por Russo Passapusso, a música tem músicos do BaianaSystem, Orkestra Rumpilezz e a cantora Virgínia Rodrigues em seu instrumental. A música já havia sido lançada como single no dia 16 de agosto. Tanto o BaianaSystem quanto a Virginía Rodrigues poderiam ser melhor aproveitados nessa música, apesar de ainda assim ser uma canção muito boa.

A canção “Menino” é a segunda canção do disco e possui apenas 46 segundos. Mesmo com curta duração, é uma música de forte impacto, sendo de autoria da própria cantora. A música apresenta um apelo por mais união dos jovens, além de até certo trecho a música ser a capella.

“Brasis” é a terceira canção do disco, escrita por Gabriel Moura, Seu Jorge e Jovi Joviano, com ritmo que lembra um pouco do rock característico do manguebeat, além de elementos do carimbó. A música apresenta em sua letra os diversos “Brasis” que temos em nosso país.

A quarta canção do disco se encaixaria perfeitamente em um disco do BNegão. “Blá Blá Blá”  traz um mash-up com a música “Me Dê Motivo” de Tim Maia e de “Chega”, do Gabriel O Pensador e apresenta uma parceria perfeita entre Elza e BNegão, fazendo duras críticas a situação atual do país.

“Comportamento Geral”, a quinta faixa do álbum, é uma regravação de uma composição de Gonzaguinha de 1972, mas que reflete claramente também na situação atual do país. Uma das músicas mais calmas do álbum.

A sexta faixa do álbum é “Tradição”. Escrita por Paulo Miklos e Sérgio Britto, a faixa possui uma orquestra acompanhando a letra e a voz de Elza se entrelaça de forma maravilhosa com os sons do violino regidos por Felipe Pacheco.

A faixa “Lírio Rosa” de Pedro Loureiro e Luciano Mello é a única que destoa do resto do disco, apresentando certa paixão e um relato apaixonado, contrastando totalmente com as outras faixas do disco. Ainda assim, sem sombra de dúvidas, uma das melhores faixas do álbum.

Em seguida, temos a melhor faixa do álbum, “Não Tá Mais de Graça”, uma resposta perfeita a um dos maiores sucessos da carreira de Elza Soares – “A Carne” – que em seu refrão-resposta afirma que “A carne mais barata do mercado não tá mais de graça,/O que não valia nada, agora vale uma tonelada”. A parceria ainda possui o rap de Rafael Mike que completa de forma perfeita uma exaltação ao valor da cultura afro.

“País do Sonho”, escrita por Chapinha da Favela e Carlinhos Palhano, aparece com um peso de guitarra com um instrumental mais próximo do eletrônico e uma música que clama pelo encontro de um país melhor para todos e que segundo Elza, esse país se chamará Brasil.

A décima faixa do disco é “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória”, escrita por Gonzaguinha, que Elza canta majestosamente com o acompanhamento de Jessé Sadoc no trompete e da bateria de Pupillo, em uma canção que exalta os que batalharam e batalham por um país melhor. A música, em certo ponto, também flerta com o samba.

“Virei o Jogo” é a penúltima faixa do disco com um ritmo dançante e com um instrumental bem desenvolvido, apesar da letra ser uma das mais simples do álbum. A última faixa é a – já conhecida – “Não Recomendado” de Caio Prado que ganhou um peso maior nessa versão bem mais próxima do rock, que além de ter ganhado um peso extra em uma música que já possui uma letra forte, ainda há citações a “Comida” dos Titãs e a “Geni e o Zepelim” de Chico Buarque.

Elza Soares consegue manter a potência na sequência de discos espetaculares que começou com o lançamento de “A Mulher do Fim do Mundo” em 2015, teve sequência com “Deus É Mulher” em 2018 e agora com “Planeta Fome” em 2019. A cantora se mantém mais atual do que nunca e fazendo uma referência ao disco anterior da cantora: nosso país é o seu lugar de fala, Elza.

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