Elogiado por Shirley Manson, do Garbage, BBGG planeja dominar o mundo com seu rock cru

foto por Santiago Liniers

O BBGG tem uma ótima carta na manga: já receberam elogios de ninguém menos que Shirley Manson, a vocalista do Garbage. Ótima maneira de começar uma carreira, não? Formado por Ale Labelle (voz e guitarra), Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (baixo) e Mairena (bateria), o grupo aposta na mistura do som do movimento riot grrrl dos anos 90 com guitarras grunge e uma cozinha de respeito.

Além de ser uma ~girlband~, a maioria das letras do quarteto falam sobre garotas. “Quase todas as nossas músicas são sobre uma garota. Pode ser uma homenagem, uma bela xingada, um xaveco furado”, conta o baterista Mairena, a “máquina de composição” do grupo. Ainda sem disco lançado, o BBGG pretende gravar mais músicas e lançar um clipe ainda em 2015.

Conversei com a banda sobre sua carreira, o significado da sigla BBGG e o mundo das bandas formadas por garotas:

– Como a banda começou?

Mairena: Eu comecei a tocar bateria e tive a ideia de montar uma banda só de meninas, para a qual eu pudesse compor e produzir o som. Eu sabia que o compromisso em ter uma banda ia fazer eu me dedicar mais ao instrumento.

– Me contem como surgiu o nome da banda.

Mairena: Eu tenho um amigo que eu chamo de Bebê Gigante porque ele é barulhento e enorme, já chega sempre esperneando todo. Resolvi homenageá-lo.

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– Quais são suas principais influências musicais?

Mairena: Difícil dizer, eu gosto de música boa de um modo geral, qualquer coisa que me soe honesto e verdadeiro. Gosto de Frank Sinatra a Slayer.

Ale Labelle: Eu sou uma amante das bandas de rock femininas, sempre fui, sempre serei. Desde as mais antigas como The Distillers, Hole, Garbage, Runaways, até coisas mais atuais como a Courtney Barnett, Le Butcherettes, entre outros. Não é mera coincidência que toco em uma girlband hoje em dia…

Dani Buarque: Queens of The Stone Age, Faith no More, No Doubt, Reignwolf (OUÇAM!!!), Muse, ah, várias…

– Como é o processo de composição da banda?

Mairena: Cada música surge de um jeito, mas no BBGG eu tenho feito cada música com um tópico bem certo já, quase todas as nossas músicas são sobre uma garota. Pode ser uma homenagem, uma bela xingada, um xaveco furado. Tem música pra um monte de gente.

Ale Labelle: A verdade é que o Mairena é uma máquina de composição. Dorme e acorda com 3 músicas novas compostas, e pior que todas boas! (risos).

– Me falem um pouco sobre o material que o BBGG já lançou.

Mairena: Tem pouca coisa gravada. “Slippery Blonde” foi o primeiro som que gravamos e a primeira música que compus para a banda. Gravamos com a Debbie, nossa antiga vocalista, e agora regravamos com a nova formação. Tem “VS Angel” também, que vamos regravar logo mais e estamos finalizando nossa música mais foda, que se chama “LITTLE RED DOT”.

BBGG

– Porque é tão difícil ver bandas formadas por garotas no Brasil hoje em dia?

Dani Buarque: A música em geral é um universo com mais homens do que mulheres, não é só no Brasil, creio eu. Não sei se tem uma explicação cultural ou psicológica pra isso (risos)… Mas tem bastante banda sim com mulheres na formação. Uma banda com destaque internacional só com mulheres podemos citar a Nervosa. Som pesado e bem feito. Com mulheres na formação tem uma banda que curto muito do Brasil que chama Far From Alaska. Ah.. tem várias, outra bem massa tbm é a Deb and The Mentals, Hey Ladies, Copacabana Club

– O machismo ainda é forte no meio musical?

Dani Buarque: Não acontece muito com a gente, a gente tá bem no começo pra saber se é forte ou não, pelo que senti até agora ele vem mais inconsciente do que consciente. Ninguém vai botar o dedo na tua cara pra dizer que você não pode tocar porque tem que lavar roupa no tanque. Mas pode vir em pequenas atitudes, como gritar “gostosa” ou “delícia” no palco, e o camarada ainda achar que é um elogio.

– Parece que hoje em dia poucas bandas de rock novas estão cantando em português. Porque a preferência pelo inglês?

Mairena: Eu acho que cada banda tem que cantar na língua que quiser e vale tudo. Rock é isso, né? Música também. Se expressar da forma que mais lhe fizer bem. No mundo todo bandas cantam em inglês, mas no Brasil isso continua sendo um assunto. Inglês é uma língua mundial, bem mais do que uma língua britânica ou norte-americana. Acho incrível que em 2015 as pessoas ainda enxerguem as bandas pela língua em que elas cantam, ao invés de pela qualidade do seu trabalho. Em tempo: temos algumas músicas em português a caminho também. E eu adoraria saber falar francês pra poder compor nesse idioma também.

Ale Labelle: Eu nunca cantei em português pelo simples fato de minha língua nativa ser inglês. As músicas que estamos trabalhando em português agora estão sendo as primeiras da minha vida que to cantando nessa língua que me faz embolar tanto.

– Como a internet e os serviços de streaming (além do Youtube) ajudam as bandas independentes a terem maior projeção? Rola uma resposta de fora do Brasil?

Mairena: A Shirley Manson ouviu e elogiou uma música nossa! Acho que isso responde a pergunta, né? =)

BBGG

– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?

Dani Buarque: Pode sim. Acredito muito nisso. A gente tá passando por um momento foda no rock brasileiro, não me lembro de ter fase tão legal que essa desde a minha infância. Sou viciada em ouvir coisas novas e tem MUITA coisa boa rolando. Gosto muito de Vivendo do Ócio, Scalene, Tokyo Savannah, Francisco El Hombre, Water Rats, Far from Alaska.

Mairena: Acho difícil, tá todo mundo muito bunda-mole (bandas, público, jornalistas, ninguém quer arriscar nada).

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma banda independente?

Mairena: É tudo difícil, não tem boiada. Se você acha que ter uma banda vai ser só diversão, repense. Na maior parte do tempo é roubada. Mas se você ama tocar e ama a música, não tem como fugir, então vá em frente e se jogue nessa roubada linda.

– Quais são os próximos passos da BBGG? 🙂

Mairena: Gravar mais músicas, fazer um clipe e dominar o mundo.

– Indique algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes! 🙂

Dani Buarque: Já citei mas aqui vai de novo: Vivendo do Ócio, Scalene, Francisco El Hombre, Reignwolf, Har mar Superstar, Mugison, Water Rats, Tokyo Savannah, Far from Alaska

Mairena: WALVERDES, Monno e Autoramas.

Ale Labelle: Não é banda nova, mas é album novo. Baixem “No Cities to Love” do Sleater-Kinney. Só isso que digo!

Ouça o som do BBGG no Soundcloud da banda:

Próximas datas do BBGG:

TOUR_FINAL


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